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Mensagem por Cobra em Seg Maio 21 2012, 17:42

Dia 4, Fès-Imilchil (Médio Atlas)

A noite passou-se bem neste encantador Riad. Mal, estava o tempo. Como já tinha sido habitual nas outras noites, acordava antes da hora. Cerca de uma hora antes da hora combinada, despertava e ficava a rebolar na cama até me levantar. Aqui não foi diferente, e logo quando despertei dei conta da chuva que caía lá fora. Batia certo com a previsão que tinha consultado antes de sair da pátria mãe. Felizmente, e se o tempo não falhar ao previsto, este seria o único dia de chuva da nossa estadia em África. Hoje seria então dia de agasalhos e fatos de chuva. Subimos ao terraço onde se serviam os pequenos-almoços. Local castiço, fechado com vidros coloridos. Lá fora conseguia ver-se as milhares de antenas parabólicas penduradas, por vezes de qualquer jeito, sobre os telhados.

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Não estava particularmente quente, pelo que o café veio mesmo a calhar. Pequeno-almoço usual, com as tradicionais panquecas marroquinas (de duas qualidades), o habitual pão saboroso, tudo ornamentado com mel e doce de alperce à descrição.

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ui ca bom!...

De seguida havia que pagar a conta, recolher as motas, carregar malas e seguir em direcção ao Atlas. 370 dirhans acrescidos de mais 60 para o parque das motas, nada mal como conta para três marmanjos portugueses. Contas rigorosas, calhavam 13€ a cada um. A estes preços, sinceramente, dispensa-se o campismo! Fomos buscar as motos debaixo de uma chuva miúda, já equipados a rigor e capacetes postos. O pessoal na rua ia nos mirando com alguma curiosidade, provavelmente por nos ver assim equipados montados em nada. As máquinas estavam onde as tínhamos deixado, e como as tínhamos deixado.

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Pagámos a dívida e levámo-las dali até ao Riad. Carregou-se a bagagem, pedimos ao tipo simpático e profissionalíssimo do Riad para nos tirar um retrato e pisgámo-nos de ali em direcção à montanha.

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A saída da Medina aquelas horas foi pacífica, e num instante estávamos na próxima estação de serviço no exterior da cidade a lubrificar as correntes. Estava um frio do “caneco” e uma chuva miudinha chata.

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olha estas a assentar de traseira com o peso

Logo depois de deixar Fez começou a subida em curva. Íamos com cuidado e sem stress. Já há beira de Ifrane, tinha identificado um desvio pelo parque em redor de uns lagos que há por ali.

O primeiro lago fica logo à beira da nacional, e é depois contornando este que se faz o desvio prosseguindo até aos próximos. Fizemos uma paragem junto ao lago. Descemos até lá abaixo. O Benedito queria mesmo tirar uma foto à beira do lago, levou a mota até à beira e depois à artista puxou um pião, cujo o resultado previsível no meio daquela lama só podia ser o arrear da Strom no chão! Nada de grave, apenas um encosto da mala lateral no chão.

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Não mexe, está bem aí...

Rapidamente se abeiraram dois marroquinos montados em cavalos com decoração típica. Queriam nos levar a dar uma volta ao lago, mas cavalo por cavalo, preferimos ficar com os nossos.

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Saímos dali com cautela, para não repetir a manobra do Benedito. Contornámos o lago e prosseguimos por uma pequena localidade. Recordo que tinha uma estrada esquisita. Cerca de metro e meio de alcatrão no meio, o resto tudo rebentado e passeios novos elevados a cerca de meio metro de altura. Continuava a chuva miudinha e o frio. Por esta altura estávamos bem desconfortáveis com as pontas dos dedos a gelar. Seguimos o percurso que se enfiava pelo meio de arbustos rasteiros em curvas e contra-curvas. A estrada continuava manhosa, estreita e suja. Volta não volta, tínhamos de andar pela beira, para evitar os camiões que vinham de frente. Chegámos ao segundo lago e ainda perguntei ao Barradas se lhe apetecia parar à margem do lago. Com o tempo desagradável que estava nem ele, nem eu, fizemos questão de parar por ali, seguimos. Pouco tempo depois estávamos de regresso à nacional a caminho de Ifrane. Curioso local este que nada tem a ver com o resto. Foi fundada pelos franceses como estância de esqui. Está a 1700m de altitude no Médio Atlas, e está edificada e organizada tal qual uma estância alpina. As casas aqui assemelham-se a chalés, os jardins são verdejantes e arrumados ao estilo europeu.

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para ficar a ideia do frio que estava...

De repente parecia que tínhamos chegado à Suíça! É certo que faltava a neve, que por esta altura já desceu encosta abaixo, mas a decoração e o frio faziam em tudo lembrar os Alpes europeus.

Depois de andar às voltas, encontrámos o centro da cidade e estacionámos as motas. Enquanto tratávamos da coisa, num carro defronte um grupo de duas ou três jovens marroquinas “esgazeadas” faziam-nos olhinhos e sorrisinhos malandros! Estávamos cheios de fome, de modo que despachámo-nos a ir procurar almoço.

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Até os restaurantes aqui são diferentes. Menos típicos e mais ao género café e snack-bar. Desencantámos um e mandámos vir umas tagines kefta (aquela espécie de almôndegas na chapa) muito inferiores às do nosso amigo Aziz. Estava quentinho no estabelecimento e isso era bom.

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No final do repasto quando espreitámos lá para fora, o Sol parecia brilhar, fantástico!... A chuva parecia ter ido de vez, e a temperatura estava mais amena. Saímos de Ifrane, continuando o caminho pelo Atlas. Numa passagem pelos vários lugarejos apanhei um susto de morte. Seguia atrás do Benedito, e este do Barradas. Logo na minha traseira seguia um carro “colado”, à boa maneira marroquina. Numa travagem repentina do Benedito para não sei o quê, tive de encostar travão para parar a Tiger. Nesse mesmo momento senti a lateral do carro que seguia atrás de mim de raspão na perna esquerda. Fiquei branco e com tremores! Caiu em mim aquela sensação desagradável de quão frágil somos e expostos estamos quando vamos de mota. Foi mesmo uma questão de milímetros para que a viagem não acabasse para mim naquele momento. Para mim, e provavelmente para o Benedito com o qual teria logo chocado se houvesse impacto. O Barradas teria de fazer o regresso a solo. Felizmente estávamos todos bem, mas já não tinha estômago para voltar atrás e tirar umas fotos como sugeriam os dois companheiros. Continuámos.

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Uma paragem ainda antes do Atlas

A estrada seguia verdejante, o que me parecia estranho. As poucas fotos que tinha visto do Médio Atlas contemplavam sempre paisagens áridas e rochosas, nada como o que se desenrolava à nossa frente. Lembro-me de comentar isso com o Barradas e de lhe dizer que já estava à espera que a “coisa” mudasse drasticamente, tipo linha separadora. Aqui é verde, aqui já não é. E assim foi. Já mais para o final da tarde, o cenário mudou de verde para cinzento. Em poucos metros deixou de haver vegetação alta e abundante para dar lugar a alguns arbustos mal semeados. Agora sim cheira a Atlas! Logo depois atravessámos uma aldeia típica com estrada totalmente em terra. À saída abastecemos e continuámos pelas colinas e montanhas. Uma paisagem fantástica que nos transmitia mesmo o sentimento de aventura. O percurso alternava em curvas simples intervaladas por longas rectas. Num desses segmentos fizemos uma paragem. O cenário era divinal! Ao longe, nas colinas, ainda batia o Sol, o que dava à terra um bonito colorido ocre. Onde estávamos, numa espécie de vale, a sombra coloria tudo em nosso redor num cinzento seco.

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Não nos apercebemos que logo ali estava um rebanho acompanhado de duas jovens que dele cuidavam. Uma delas uma menina ainda pequenita com ar reguila, a outra uma jovem provavelmente adulta. Digo provavelmente, porque só lhe víamos os olhos. Ainda a confundi como sendo a provável mãe da pequena, mas talvez fosse a irmã. Estava trajada com indumentária típica que apenas lhe descobria os olhos. Trazíamos todos alguns rebuçados para distribuir, e achamos que ali seria uma boa oportunidade. Cumprimentámos as duas, que nos retribuíram o gesto timidamente. Depois entregámos umas mãos cheias de rebuçados à pequena que ficou efusivamente contente. Tirámos umas fotos e seguimos viagem.

A estrada adiante assumia uma paisagem e traçado ainda mais exótico. Logo adiante o Barradas pára o andamento. Tínhamos um Oued para atravessar (um riacho portanto). A corrente estava forte, mas a passagem era feita sobre cimento. Nada a temer. O Benedito como sempre, fez-se ao piso primeiro, sem medos, e queria até repetir a coisa mais vezes. Nesse momento apareceram uma série de miúdos ao nosso redor. Geralmente é isso que acontece, quando se pára na estrada, eles abeiram-se de nós na esperança de receber coisas. Todos pedem “stylos” ou dirhans. “Stylo” é caneta em francês, e foi um mau hábito introduzido pelos turistas. Parece que alguém cismou há um tempo atrás que a distribuição de canetas ajudaria na alfabetização dos miúdos, então foi-se criando o hábito de distribuir canetas. Daí aos rebuçados e dirhans foi um passo, e agora os miúdos anseiam desesperadamente por “prendas”. Ao ponto de se atravessarem na estrada ordenando-nos a parar, ou a mandar pedras, como já ouvi nalguns relatos. Eu, durante esse tempo, só vi dois ou três a ameaçarem com calhaus, mas nenhuma concretização.

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Depois do Barradas, passo eu o Oeud, e já estávamos cheios de criançada à nossa volta. Queriam levar o meu saco inteiro de caramelos… Levam uma mão cheia cada um e vão com sorte. E siga em diante que já se faz tarde. Continuávamos a atravessar esta espécie de vale com paisagens incríveis. Uma sensação difícil de exprimir com palavras. O percurso ia piorando em condições e traçado. Começámos a trepar a encosta por uma estrada sinuosa miseravelmente mantida. Havia troços sem um metro de alcatrão. Estava a ficar escuro e já estava mesmo de noite quando nos abeirámos do lago. Ia-mos falhando a cena! É que ali não há mesmo luz nenhuma. Não havia nada marcado ou reservado, mas tínhamos dois ou três pontos referenciados no GPS. O primeiro seria o Auberge Tislit, à beira do lago com o mesmo nome. No estudo que tinha feito a esta espécie de kashbah (construção típica marroquina com laivos de fortaleza) tinha boas referências. Casa muito modesta mantida por uma matriarca berber, conhecida por Madame Malika.

Chegámos e veio logo ter connosco um simpático e pequeno marroquino. Era o Said. Perguntei-lhe se daria para passar ali a noite, disse-me que em princípio sim, mas foi ver. Estacionámos as motos por ali, munidos de uma lanterna. Entrámos no Auberge que estava cheio de franceses. Um grupo que estava por ali a fazer um raid em moto-quatro.

Reorganizaram as coisas e um quarto ficou liberto para nós. Perfeito!... Vamos ao jantar. tagine de frango, não nos pareceu mal. Primeiro claro, um chá berber. A kashbah era composta de uma sala ampla no centro, ao seu redor estavam dispostos os quartos e ao fundo as casas de banho muito simples, de “dor nas pernas” como diz o Benedito. Na sala de convívio estavam dispostas umas mesas de plástico onde eram servidas as refeições. Apesar de muito modesto e rudimentar, sabia mesmo bem estar ali!

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pintura sobre a lenda dos lagos... fica a explicação na próximo episódio

Perdidos no meio do Atlas só com o essencial e aquele calor humano que os marroquinos genuínos sabem tão bem dispensar. Veio a tagine e o habitual pão marroquino feito com uma massa diferente por aqui. Comemos, bebemos e conversamos. O Said ia nos fazendo companhia, enquanto a Malika tomava conta da cozinha. Tentámos deixar umas coisas a carregar, mas o inversor só aguentava com coisas pequenas. É que ali a electricidade é a baterias, carregadas durante o dia... Posto isto, fomos à deita que amanhã há deserto para fazer.

continua...

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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por rjvieira em Seg Maio 21 2012, 18:23

Muito bom. A Tiger no seu melhor Fixe

Mais um Mérito

Um abraço.

rjvieira
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Já conduz... mal!
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http://ricardovieirafotos.wordpress.com/

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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por jcb.pt em Seg Maio 21 2012, 22:06

que quadrilha Laughing assim vale apena fazer uma viajem belas fotos brigado pela partilha a ver se vou este ano até lá baixo (marrocos) Palmas
jcb.pt
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por atikman em Seg Maio 21 2012, 22:10

Absolutamente impecável!!! Fotos do melhor! O video está brutaaaal!!!! Vénia Excelente!!! Fixe

Rui

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Atikman
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por Paula Kota em Ter Maio 22 2012, 00:10

ainda bem que eu não fiz essa estrada ..... bounce bounce bounce

até tinha pensado nisso ... tinha de esperar por vocês para sair de lá Laughing

o video está muito giro .... criativo !... vocês nunca mudram de posição para as fotos ... sempre os mesmos de cada lado Very Happy

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http://paulakota.blogspot.com

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É melhor chegar 5 minutos atrasada nesta vida que 10 minutos adiantada na próxima
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Mensagem por Luís Azevedo em Ter Maio 22 2012, 22:48

Continua excelente. Obrigado pela partilha Mérito
Luís Azevedo
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Ainda é motorato!
Ainda é motorato!


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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por carlosferreira em Ter Maio 22 2012, 23:01

É sempre bom ver outros encantos de Marrocos se poderes manda esses caminhos para eu fazer um estudo V
carlosferreira
carlosferreira
Motociclista a começar.
Motociclista a começar.


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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por Cobra em Sab Maio 26 2012, 23:17

Dia 5, Imilchil-Todra-Merzouga

Novamente acordei antes da hora e apercebi-me que os franceses estavam de partida. Quando saímos das camas, os tipos estavam a arrancar de moto-quatro.

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o hardware dos franceses

Fomos à vez aos banhos. Apesar de haver dois chuveiros, de Verão só corre um fio estreito de água pelo que só pode servir um de cada vez. O pequeno-almoço estava servido dentro do auberge, porque estava um calor “esquisito” para ser servido com vista para o lago. E nada ficou a dever aos outros pequenos-almoços! Pão, doce, crepes, bolos e até uns iogurtes. Enquanto comíamos a Malika e o Said fizeram-nos companhia. Uma simpatia autêntica como não estamos habituados. Aliás chega a causar estranheza, um trato genuíno de bondade a que nós europeus não estamos habituados.

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Falámos de uma série de coisas. Falou-se da lenda do lago retratada em dois enormes murais na sala de convívio. Eu já conhecia a história, mas confirmei-a pela boca de Malika. Em traços gerais a história atribui a origem dos dois lagos (Tislit e Islit) a um amor impossível entre um casal de jovens namorados de tribos berberes rivais (Tislit, uma belíssima rapariga de nome Tislit, e Isli, um valente e corajoso rapaz). O ódio de morte entre os dois clãs tornou a relação impraticável e os dois morreram após cada um se esgotar num lago de lágrimas. A título de curiosidades, estes lagos são muito procurados para pesca, conseguindo-se aqui apanhar um valente pescado. Segundo Malika, Tislit terá cerca de 25m de profundidade e Isli por volta de 85.

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o magnífico lago Tislit

Mas houve tempo para falar de tudo um pouco. Dos reis governantes de Marrocos, do que os marroquinos achavam deles, da crise na Europa, do conflito marroco-algeriano, das estradas, do desenvolvimento do país e até dos vários portugueses que por ali passaram. O auberge tem um livro de honra, e claro quisemos também deixar por lá umas palavras! Foi o Barradas que fez o obséquio e os restantes claro, assinaram de cruz. Ainda perguntámos ao Said se os nossos nomes nas t-shirts que tínhamos mandado fazer estavam bem escritos, e estavam mesmo. Nas costas é que parece que estava escrita “Pornogal”, em árabe duas ou três pintas fazem toda a diferença! Ficámos com pena de não ter trazido uns autocolantes do logo da viagem para colar na imensa porta do Auberge que serve de autêntico mural das diversas viagens do pessoal que por aqui passa.

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Carregámos as motos com as malas e ainda se tirou uma foto de família à porta do Auberge. Inicialmente a Malika estava reticente, mas depois lá acedeu e o Said pediu-nos para que depois lhe enviássemos a foto para a morada. A conta ficou por 300 e picos dirhans cada, sei que ficámos com vontade de entre todos lhes darmos mais 50 dirhans. Ainda antes de abalarmos o Barradas enfiou um pão marroquino e umas madalenas que a Malika gentilmente nos deu. Lá fomos. Passámos Imilchil com o seu ar típico de aldeia do Atlas e parámos mais à frente para lubrificar correntes, junto a um Oued (riacho) e longe da miudagem.

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Daí em diante foi um alternado de paisagens áridas de beleza fantástica e de pequenas localidades típicas com casas de barro amontoadas.

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Sempre que passávamos pelas aldeias os miúdos acorriam à beira da estrada acenando e estendendo os braços. Foi-se parando no caminho para tirar umas fotos. Numa dessas paragens fomos de novo assolados por um bando de miúdos pedinchões. Distribuímos algumas mãos cheias de rebuçados por eles e seguimos viagem. A estrada ia serpenteando pelo meio de montes e vales, por vezes cruzando com Oueds, alguns secos outros com fraco curso de água.

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Às tantas a estrada começa a perder altitude de uma forma torcida, ao nível do que há de melhor nos Alpes. Mesmo assim não nos esticámos nas curvas, aqui o piso está sempre muito sujo com terra, gravilha e outras coisas prontas a surpreender o motociclista.

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Depois deste bonito circuito, mais algumas localidades, rectas e uma Triumph Tiger a cruzar-nos em sentido contrário… Olha, olha, o que havia de andar por aqui! Uma XC laranjinha como a minha! Fizemos o cumprimento e uma festa, que curiosa coincidência. Finalmente a paisagem mudava para assumir contornos de desfiladeiro. Estávamos a entrar no Todra e nas suas “gargantas”.

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Mensagem por Cobra em Sab Maio 26 2012, 23:18

Começámos a progredir numa espécie de “canyon” de rocha alaranjada que se ia elevando ao nosso redor. A estrada variava de mais ou menos, a muito má. Ao lado desta passava um Oued por esta altura completamente seco. Deste, só se avistam os milhares de bocados de pedra que compõem o seu leito. Mais uns minutos desta paisagem exótica e num virar de “esquina” surge o centro turístico das gargantas. Começámos logo a ver as barraquinhas do lado direito, e aí parámos.

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Em três segundos tínhamos um marroquino ao nosso lado a perguntar-nos de onde éramos e a querer vender coisas. A sorte dele é que a sua cabeça estava ornamentada por um magnífico Shesh azulado (lenço berber). O Barradas andava há dias a falar no lenço e foi logo assuntar de preços. Conversa para aqui, conversa para lá, fazia-nos 150 dirhans por 3 lenços. Pareceu-nos razoável e o Barradas ficava contente com o seu lenço. Eu, pessoalmente fazia ideia de comprar um para dar à Maria. Não é que tivesse especial fascínio pelo lenço, mas depois de ter posto, não é nada mau, e daria um jeitão mais tarde no deserto.

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O berber era muito simpático e explicou-me como se punha a “farpela”, à berber disse ele… nada complicado. Tirámos logo uma foto com os turbantes postos. O tipo queria nos vender mais qualquer coisa, e até nos dar de comer, da sua tajine que estava ali a cozinha num buraco da estrada. Agradecemos e seguimos, tínhamos de estar às 16h00 no deserto.

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Ainda fizemos uma paragem rápida mais adiante, no centro turístico das gargantas do Todra. Muita gente, muita confusão, muitos carros, autocarros, e um calor dos diabos! Não demoramos muito por ali, ainda havia muitos quilómetros para fazer até ao deserto. Saímos daquela confusão,

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Atravessámos a cidade de Tinerhir logo aos pés do Todra e seguimos para Este, em direcção ao Sahara. Rectas e rectas intermináveis e calor. Tivemos de fazer uma paragem num boteco de uma estação de serviço para almoçar. Tudo ali se processava lentamente. Pedimos uma tagine, umas colas e água. Não estava nada de especial, teve de vir outra para não ficarmos com fome. Enfim, almoçou-se.

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os tipos aqui gramam à brava as equipas espanholas

Mais uns quilómetros e vimos um primeiro pórtico que julgámos assinalar as Portas do Deserto. Atravessámos Erfoud a velocidade branda. O local estava inundado de jovens em bicicletas. Deviam estar a sair da escola, e eram às centenas, uns atrás dos outros, a pé e em duas rodas. Finalmente, ao longe já se via a duna. Já próximos de Merzouga ficámos atentos às indicações para o Auberge para onde pretendíamos ir. Sabíamos que existia indicação na estrada e que daí até lá seriam uns 6 a 7kms de pista manhosa. O Benedito ia à minha frente e de repente vejo uma máquina fotográfica a saltar da Strom. Foi ao chão e separou-se em dois bocados. Bonito. Imbuído do espírito de artista da fotografia lembrou-se de sacar umas fotos em andamento, escapou-lhe da mão e o resultado foi o que se viu! Voltou atrás para apanhar os bocados. Estava difícil encontrar, mas lá apareceram. Já eram umas 16h00 quando demos com a entrada para a pista, devidamente assinalada, como nos tinham informado. Segui à frente.

O solo era sólido, num misto de gravilha e areia. Fomos à cautela. Alguns troços eram terríveis. Um piso em rendilhado de ondas que provocavam uns solavancos valentes na moto e no esqueleto. Carregados que nem uns burros, a sensação não era nada confortável. Não é que a Tiger não se sentisse bem ali, nós é que não nos aguentávamos!

Fomos devagar, ás tantas o Barradas diz-me que talvez com velocidade se fizesse melhor o troço. Não fiquei convencido. Velocidade OK, mas cuidado também com o tralho. Uma roda mal enfiada na areia e virávamos facilmente o boneco. O regresso foi totalmente diferente, e a teoria do Barradas estava certa.

Depois de meia dúzia de quilómetros de martírio alcançámos a beira da duna e do Auberge. O local é fantástico, como nos filmes! O edifício do Auberge assemelha-se a uma enorme kashbah berber (construção típica marroquina com laivos de fortaleza) defronte a um mar de areia.

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Logo em frente avistámos os camelos, ou melhor dromedários. Alguns já estavam carregados a caminho do deserto, enquanto outros permaneciam “pousados” na areia a aguardar a sua vez.

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Assim que se deita olho às dunas apercebemo-nos da particularidade do sítio. Aqui a luz e as cores são diferentes. É difícil explicar, talvez o contraste do céu azul com o reflexo do Sol no colorido da areia. Aqui a areia é ocre, e vê-la assim espalhada em montes por quilómetros confunde a nossa noção de espaço. A combinação do azul e laranja nestas quantidades é algo exótico e fascinante para os nossos olhos europeus. Este bocado do deserto onde nos encontrávamos é conhecido por Erg Chebbi (ou dunas de Merzouga) sendo um dos dois maiores conjuntos de dunas do Sahara marroquino.

Depois da primeira impressão, estacionámos as motas no parque e seguimos directos para o Auberge, estava mesmo na hora de embarcar para o deserto. A sala de recepção do Auberge é qualquer coisa de fenomenal. Tipicamente decorada e repleta de símbolos berberes. Na recepção estava o sempre bem disposto Hamid, numa azáfama que só visto! Mais tarde percebemos porquê. As caravanas da véspera ficaram retidas no Auberge por imposição de uma tempestade de areia. Tivemos sorte, um dia antes e teríamos visto o deserto por um canudo. Confirmámos a reserva e esperámos pela nossa vez enquanto bebíamos um “whisky” berbere acompanhado de uns “cacahuetes”.

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Mensagem por Cobra em Sab Maio 26 2012, 23:19

Cerca de meia-hora depois estávamos a subir ao dorso dos dromedários, numa caravana de sete ou oito pessoas.

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tudo bem aí?

Os bichos têm um ar castiço, mas são de feitios. Gostam de estar arreados e alguns protestam quando são incomodados. Depois, alguns gostam de atenção e outros nem por isso. Ficámos distribuídos na dianteira da caravana. Eu fiquei à frente, o Benedito atrás de mim e o Barradas atrás dele. Connosco iam também um casal marroquino muito simpático com as suas duas crianças, e outro casal jovem francês, mais enjoados. E como os bichos não sabem o caminho, há sempre um guia que segue a pé à frente dos dromedários. O nosso era um jovem berbere, trajado a rigor com uma belíssima indumentária num azul carregado.

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não tem que saber é só seguir pela “estrada”

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olha, compatriotas!

O tipo era simpático e quando o Sol estava a pôr-se parou a caravana e deixou-nos subir à duna para fotografar o momento.

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o nosso tuareg

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inesquecível

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olhem-me estes armados em modelos...

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Benedito, calça-lá a croc e vamos embora...

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mítico

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Mensagem por Cobra em Sab Maio 26 2012, 23:21

De regresso às montadas, uma quebra de “protocolo”. O Barradas já lhe tinha tomado o jeito, montou-se no animal e allé hop!... Em menos de um minuto o dromedário estava de pé pronto para as curvas do deserto. Ora o problema é que aquilo tem um procedimento. Assim que um levanta, o que está atrás faz o mesmo automaticamente em efeito dominó (os bichos estão presos uns aos outros por cordas). Assim e por causa disto, a caravana apronta-se sempre do fim para o inicio. Sendo o dromedário do Barradas o terceiro de uns sete, havia pessoal que tinha ficado em terra! Nada de grave. Arreia-se o dromedário do Barradas e retoma-se a rotina. Daqui a pouco já seguíamos o caminho a passo de camelo (ou dromedário) duna acima, duna abaixo.

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É impressionante como uns bichos daquela envergadura se conseguem mover naquele mar de areia. Estive a reparar e os tipos estão naturalmente preparados para a cena. Umas patas fortes com um pés largos, circulares e espalmados que não se enterram muito na areia, em especial as patas dianteiras que parecem ser maiores para vencer as subidas e travar nas descidas… Um belo trabalho da mãe natureza. Volta não volta, o dromedário do Benedito chegava-se à frente e nas “curvas” ficava ao meu alcance. Nesse momento fazia-lhe umas festas e o gajo gostava, chegava mesmo a ajeitar a cabeça para facilitar.

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O meu e o do Barradas eram uns verdadeiros reguilas anti-sociais! O guia demonstrou-me isso ao tentar chegar à cabeça do “meu” dromedário. Levou logo um ameaço de dentada. As tentativas de “confraternização” do Benedito com o dromedário do Barradas (que seguia atrás) também eram escusadas. O fulaninho desviava a cabeça para o outro lado, claramente não apreciava o gesto.

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o Barradas e o anti-social

Cerca de hora e meia depois, a navegar pelas areias, e já completamente embrenhados no deserto sem que à nossa volta se avistasse outra coisa senão dunas, chegámos ao acampamento. Antes do “curvar” da duna já se ouvia a música.

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O acampamento situa-se num local abrigado por uma imensa duna a Oeste, e é composto por umas dezena de tendas agrupadas. Saímos dos dromedários e fomos conduzidos para um desses grupos de tendas. Sentaram-no num tapete em círculo e serviram-nos um chá. Instantes depois estava a noite posta, e olhando para o céu, tínhamos umas destas fabulosas vistas que só é possível ter num local destes, deserto e com total ausência de luz. Um céu estrelado como em pouco lado se vê, que parece ter sido polvilhado de estrelas. Algo verdadeiramente único!

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um céu estrelado incrível

Daí a um pouco vieram-nos chamar para o jantar, servido numa tenda comum. Sentados no chão como manda a tradição, estavam connosco os nossos companheiros de viagem (excepto os dromedários, claro) mais um grupo de japoneses que teriam vindo noutra caravana. Vieram umas tagines acompanhadas do habitual pãozinho típico. Começámos a falar com o casal marroquino que era uma simpatia. A senhora falava fluentemente francês, espanhol e inglês. Eu falava com ela francês, o Barradas espanhol e o Benedito inglês. Ficámos a saber que eram de Marraquexe e que era a primeira vez deles no deserto. Via-se que era pessoal bem informado e com uma posição confortável na vida. Ficámos ali à conversa uns com os outros, às tantas até um casal dos japoneses entrou na conversa. Pelo rapaz, um tipo muito eléctrico ficámos a saber que eram de Tóquio e que estavam ali apenas três ou quatros dias. Disse-nos ele que foi desejo da namorada, queria ver o deserto. Muito engraçado este encontro de culturas e histórias. Não se pode dizer que os berberes se esticaram no jantar, estavam bom mas curto. Saímos da tenda e fomos nos sentar de novo no tapete cá fora. Estava-se a preparar a festa. O Benedito não se sentia grande coisa, andava a chocar uma gripe. Foi directo para a tenda para dormir que nos tinham indicado, uma tenda só para nós três. Eu e o Barradas ficámos á espera que o espectáculo começasse. E iniciou algo tímido.

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A fogueira não queria pegar e o batuque não estava muito ritmado. O pessoal foi desmobilizando e eu e o Barradas fizemos o mesmo após algumas tentativas de capturar seja o que for no escuro completo da noite.

Fomos à tenda fazer companhia ao Benedito, que já estava embrulhado nos lençóis.

A tenda era toda forrada a tecido e no chão estavam estendidos três colchões sobre os quais estavam feitas as camas. Ainda me lembrei da bicharada que poderá haver por aqui, mas depressa deixei-me de preocupações e confiei no know-how berbere. Toca a dormir que amanhã há nascer do Sol para ver às 5h00!

continua...

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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por atikman em Dom Maio 27 2012, 11:32

Muitíssimo bom!!! Fotos espectaculares! Maravilha de relato! Fixe

Rui

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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por Luís Azevedo em Dom Maio 27 2012, 13:31

continuas a amealhar Mérito
Luís Azevedo
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Ainda é motorato!
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por Elisio FJR em Seg Maio 28 2012, 11:15

Mais 1 M para o Cobra!!!

Parece um filme!!!

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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por rjvieira em Seg Maio 28 2012, 22:35

Excelente... as fotografias são espectaculares.

Mais Mérito 's

Um abraço.
rjvieira
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Já conduz... mal!
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http://ricardovieirafotos.wordpress.com/

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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por carlosferreira em Ter Maio 29 2012, 05:33

Sai +1 Mérito
carlosferreira
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Motociclista a começar.
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por vhugoabreu em Ter Maio 29 2012, 12:13

Muito bom mesmo cheers

Mérito claro.

+1 Mérito

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Um dia lamentaremos as coisas que não fizemos e que poderíamos ter feito...
vhugoabreu
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por Cobra em Qua Maio 30 2012, 08:25

Obrigado a todos!...

Ainda só vai a meio, e falta ainda a crónica do ruimbarradas.

carlosferreira, o percurso completo está no primeiro post deste tópico.

consultando aqui o track:http://www.gpsies.com/map.do?fileId=ridqfozhppjzpnaa

O troço que fizemos para atravessar o médio Atlas corresponde ao trajecto entre D04 e D05.

Cumps!


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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por Leal em Qua Maio 30 2012, 16:24

Obrigado pela partilha, Cobra!
Só levas agora um mérito porque descobri há pouco como se distribuíam.
Excelente passeio e excelentes fotos! Mérito

Leal
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por zephex em Qua Maio 30 2012, 21:04

Segue +1 .

Cumps.
José Paulo
zephex
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por carlosferreira em Qua Maio 30 2012, 21:45

Obrigado ,já está na lista Smile
carlosferreira
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por vmbf em Sab Jun 02 2012, 09:33

Sempre que leio as tuas crónicas fico "maluco" com as excelentes fotos! Que loucura! Já agora, parabéns pela crónica.

Mérito

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Cumprimentos,
Vítor Ferreira
vmbf
vmbf
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Rota Berber (25ABR-05MAI2012) - Página 2 Empty Re: Rota Berber (25ABR-05MAI2012)

Mensagem por Cobra em Qua Jun 06 2012, 20:27

Dia 6, Merzouga-Tinerhir-Ouarzazate

Perto das 5h00, toca a vestir e sair da tenda para ver o nascer do Sol.

A noite não foi grande coisa. Não porque não estivesse confortável, antes pelo contrário, até temia que fosse pior. Frio não tive e apesar do colchanito não ser grande coisa, deu para o gasto. O problema foi mesmo o barulho lá fora, dei por mim a acordar várias vezes com o pessoal que julgo terá optado por passar a noite ao relento.
Toca a subir a imensa duna para espreitar o nascer do Sol… E não estava propriamente agradável. Estava bem fresco, e fazer um esforço destes sem forrar o estômago não é fácil. Para piorar a cena, estava vento. De modo que era cada vez mais notória a areia nas “ventas”, à medida que íamos subindo o imenso monte areia. As minhas pernas deixaram-me estar a meio da duna. A altura era a que baste, e lá em cima devia-se estar pior. O Barradas subiu mais um pouco e o Benedito foi mesmo até lá acima. Os restantes turistas distribuíram-se pela encosta, uns acima, outros abaixo.

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tudo a postos

Sentado na areia, percebi o verdadeiro uso do lenço berbere. Fiquei todo tapado só com os olhinhos à espreita. Com aquela areia no ar, desisti logo de tirar fotos e enfiei a máquina por dentro do casaco. Mais tarde percebi que era igual ao litro, ali até os bolsos ficam cheios de areia, mete-se por todo o lado… E esperámos que Sol se levantasse atrás do horizonte.

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Um momento bonito sem dúvida, mas muito desconfortável nestas condições. Um vento gelado que o polar que tinha vestido não travava, carregado de milhares de grãos de areia. Ao fim de dez minutos, um verdadeiro martírio. Assim que vi o Sol no ar, despachei-me a descer dali a passos largos… Bem melhor o por de Sol de véspera.

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acampamento visto da duna
Depois desta experiência nada melhor que encher o estômago. Regressámos à tenda das refeições para tomar o pequeno-almoço. Ementa típica, café, sumo de laranja, pão e doces. À saída estavam um miúdo com uma modesta banca montada na areia. Em exposição estavam umas jóias e uns camelos de couro. O miúdo não falava grande coisa, mas lá se conseguiu perceber quanto queria pelos artefactos. Cada um trouxe um “camelo” de recordação. A ver vamos em que condições chega a casa, que isto de viajar com bagagem de mota não é fácil. Já estávamos com vontade de sair dali, pelo que nos aproximámos dos “veículos”. Por lá já estava o nosso guia a aquecer os “motores”. No caminho de regresso trocámos as posições. Quer dizer, continuámos na dianteira da caravana, mas desta vez o Barradas seguiria à frente e eu no terceiro lugar…

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os nossos táxis

E pronto, a próxima hora e meia seria de duna acima, duna abaixo até às imediações do Auberge onde se encontravam as motas.

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já se vê o auberge lá ao fundo

Finalmente avistávamos a “civilização”, e alguns minutos depois o nosso guia estava a arrear os camelos, ou melhor dromedários. Depois o tipo montou ali uma banca com umas peças trabalhadas de minério fossilizado. Eram lindíssimas e pareceu-me que seriam em ónix negro (uma variedade de quartzo abundante em África). O tipo fazia-nos um bom preço por três peças. O Benedito só estava interessado na mini-tajine que era modelo único, de modo que ele ficou com ela e eu e o Barradas trouxemos cada um, um cinzeiro.
Antes ainda fomos pagar o que devíamos ao Hamid, e só depois regressámos para comprar os artefactos (não fosse faltar o dinheiro para o Auberge) e tirar umas memoráveis fotos em cima dos dromedários de capacete enfiado na cabeça (na nossa claro, não nas dos simpáticos animais)…

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Ficaram uns retratos bens fixes para mais tarde recordar.
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Por esta altura estávamos desertos (calha bem) de tomar um bom banho. O Hamid já nos tinha disponibilizado um quarto do Auberge para isso. Fomos buscar a tralha necessária às motas, que é o mesmo que dizer, 41 litros de mala. Viajar de mota não é simples, o “carrossel” do descarrega e carrega malas é diário, mas rapidamente nos acostumamos, o pior é mesmo é o conseguir fechá-las todos os dias de manhã.

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passaram ali a noite as meninas

Seguimos então pelo Auberge dentro à procura do nosso duche. Enquanto dois sacudiam a areia o outro tomava banho. Fui primeiro e tudo começou bem, até estar ensaboado e não sair mais uma pinga do chuveiro… “Bom, quem é que lá vai dizer ao Manel que se acabou a água?!?”…
Daí a pouco já pingava… Mas uma água fria que nem gelo… Que se lixe!... Olha, mal não fará com certeza. Tomei a banhóca, seguiu-se o Benedito e quando foi a vez do Barradas, parece que a água já chegava quente. É impressionante como esta areia se mete por todo o lado. Tinha os fundos de todos os bolsos das calças cheios de areia.
Tive de bater bem a roupa e os sapatos na varanda do quarto onde estávamos para tirar o grosso da areia que tínhamos levado do deserto.
Recompostos voltámos ao hall do Auberge para beber um café que o Hamid insistiu que tomássemos. Cinco estrelas este tipo.

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E pusemo-nos a caminho de Ouarzazate.
Metade do caminho já o conhecíamos, seria feito de volta até Tinerhir. A outra metade seria daí em diante para Oeste em direcção ao mar. Mas para já, tínhamos de fazer estes 8kms de pista até ao alcatrão. O Benedito seguiu à frente, com vontade. Eu logo atrás e o Barradas a fechar a caravana. Começou os saltitar da suspensão naquele piso às ondinhas… O Benedito deu-lhe gás e eu segui-o… Em pé em cima das motas, subimos a velocidade até aos 70km/h onde começa a dar-se aquele fenómeno fantástico da mota começar a “pairar”… O Barradas tinha razão quando na ida Deixamos de sentir o saltitar e vamos confortáveis. O perigo é mesmo apanhar um troço de areia e perder a direcção, mas a Tiger ia completamente firme com o belíssimo conjunto de suspensão a cumprir o seu trabalho. Frente estável e traseira presa, fantástico. Eu e o Benedito já devíamos ir para cima de uns 80km/h quando a direcção da Strom dele começa a fraquejar. A japonesa estava a chegar ao limite, a frente começava a ficar incontrolável, mesmo o Benedito bem munido de braços estava com dificuldades em segurá-la, teve de afrouxar. Eu seguia atrás dele desfasado, o que me permitiu dar gás e passar pela esquerda… Mas que qualidades fantástica tem esta britânica. O Benedito segurou a mota e estava bem, e eu segui até perto do final da pista, onde se encontra um amontoado de sinalização dos diversos auberges da zona. Esperei pelo Benedito e pelo Barradas e seguimos todos até à estrada.

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olha que duas

Logo que pudemos parámos numa aldeola para levantar dinheiro. Estávamos a ficar baixos de finanças e cada um levantou mais 2000 dirhams (cerca de 200€ portanto).

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A saída da região do deserto é perceptível, a paisagem muda, as pessoas também. Quando avistámos aqueles que achámos seriam os últimos camelos, perdão dromedários, parámos à beira da estrada para umas fotos.

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Mensagem por Cobra em Qua Jun 06 2012, 20:28

Não estávamos parados há muito quando estaciona um Dácia marroquino à nossa frente. De lá sai um casal jovem na nossa direcção com um ar claramente ocidental. Ele de calções e t-shirt, ela de jeans, blusa, óculos escuros e um lenço na cabeça. O tipo aborda-nos num francês perfeito dizendo que a jovem queria dar uma volta nas nossas motas. Inicialmente não percebi, mas o tipo desenvolveu dizendo que ela só queria fazer um ou dois quilómetros numa das motas à pendura… Achei aquilo estranho, mas é verdade que os únicos veículos de duas rodas a motor por aqui são as terríveis mobylettes que circulam por todo o lado nas cidades. Bem, ainda lhe perguntei se por aqui fazer isso sem que ela leve capacete não nos traria problemas, o marroquino respondeu-nos que não. Confiamos, pois efectivamente raros foram os tipos que aqui vimos circular de capacete. De novo optou-se pelo Benedito para dar a boleia. Comecei por dizer à moça como se subia para a mota, mas ela respondeu que já sabia e que já tinha andado… Óptimo.
O Dácia arrancou logo, o Bene segui-se e eu atrás dele com a câmara ligada. Às tantas vejo a Strom a arrancar à minha frente de goela aberta… Fizemos apenas alguns quilómetros e estacionámos de novo à beira da estrada. Tirou-se uma foto, o casal marroquino agradeceu o gesto, despediram-se e seguiram viagem. E nós ficámos ali alguns minutos a pensar na história… São loucos estes marroquinos…

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Bem, continuámos o caminho. Já passava largamente do meio-dia quando passámos Tinerhir e por aí começámos a pensar no almoço. Estávamos à procura de grelhados, e no centro de uma localidade encostámos à sombra para ver o que havia. O Barradas foi ver mais à frente o que havia. Enquanto isso, um fulano marroquino na esplanada contígua começa a fazer-nos perguntas. De onde éramos? De onde tínhamos vindo? Se estávamos a gostar?... OK, perguntei-lhe se era possível comer alguma coisa de grelhados por ali. O tipo foi ver dentro do boteco da esplanada e voltou acenando com a cabeça que sim. Perfeito. Assentámos arraias na esplanada com as cabeças ao Sol e pedimos carne grelhada… Daí a pouco vimos o dono do estabelecimento sair, e passado instantes regressar com um saco de carne. Isto é muito comum. O marroquino diz sempre que sim, e se não tiver, vai comprar ao marroquino do lado. E assim ficam dois marroquinos contentes. Ainda esperámos um bocado, mas sem stress, tínhamos tempo para cumprir horário. Lá veio a carne grelhada, que não estava nem boa, nem má, antes pelo contrário. Veio acompanhada de salada marroquina (uma mistura de tomate, pimento verde, cebola e especiarias) e do habitual pão, claro, que também já não dispensávamos à refeição.

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dispensador de papel em carbono

Comemos e pagámos. Já não me lembro do valor, mas estava balizado dentro dos níveis habituais. E estrada com elas (as motas) até Ouarzazate. Ali em redor de Tinehir reavistámos o magnífico vale do Draa, espectáculo que já tínhamos assistido no dia anterior quando descemos as gargantas. O Draa é o nome dado ao rio mais longo da Algéria e Marrocos cujo comprimento é estimado em cerca de 1100kms. Existe uma extensão desse rio com cerca de 100kms onde se forma um vale, que assume o nome do rio que o atravessa. Hoje em dia, apenas se avista o rio em toda a sua plenitude neste vale em anos de muita pluviosidade. Ainda assim este vale é maravilhoso pelo que aí se encontra um fabuloso palmeiral com uma extensão de vários quilómetros. Foi este fantástico espectáculo que avistámos da estrada durante algum tempo, um enorme palmeiral verde e viçoso, que constitui a maior fonte de tâmaras produzidas pelo país.

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Este troço de estrada entre o deserto e aquilo que são consideras as suas portas (Ouarzazate) é de facto muito interessante de fazer. Depois do vale do Draa e das suas palmeiras, o vale das rosas. Local onde o cultivo de rosas é proeminente, o que se nota facilmente com a grande oferta à beira da estrada de perfumes e enfeites de rosas. Durante alguns quilómetros fomos assediados por miúdos e graúdos com a venda de colares e corações floridos. Este caminho também é conhecido pela abundância de kashbahs* tradicionais, edificadas com uma argamassa à base de argila e excrementos de vaca. Impressiona quando passamos por elas na estrada, como aquelas edificações seculares de geometria por vezes duvidosa (feitas a olho) resistem às intempéries do ano.

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A dada altura, quando atravessávamos mais um lugarejo e seguíamos atrás uns dos outros desencontrados na estrada, o Benedito começa a alargar a trajectória. Pois foi nesse preciso momento que um jipe turístico resolve nos fazer uma ultrapassagem. Foi por um triz que o Benedito não encostou a mala ao carro. Felizmente os tipos por cá têm o hábito de dar um toque de buzina quando passam, foi o necessário para o Benedito perceber o descuido e corrigir a direcção… Ia sendo.
Mais localidades, mais kashbahs e finalmente começámos a avistar o lago que limita Ouarzazate a Este.

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o que se passa aí?

Ouarzazate é uma cidade nova e moderna. Não tem Medina (centro histórico e religioso árabe de uma cidade) e deve o seu desenvolvimento sobretudo ao seu lado funcional de “porta de entrada” para o deserto. Também se popularizou pelas suas valências cinematográficas, com uma série de grandes produções a utilizarem os arredores como locais de filmagem. Mais um pouco e entrávamos em Ouarzazate pela sua enorme alameda. Uma avenida nova, ampla, organizada, repleta de candeeiros públicos estilizados e de sinalização luminosa, coisa que já não víamos há uns dias. Desta vez e ao contrário de Fés, tínhamos o ponto certo no GPS do local onde iríamos ficar. Tínhamos reservado um quarto no Dar Rita de Ouarzazate… E Rita não é árabe, é mesmo português. Sim, outro tuga estabelecido em África. Ficaríamos no Dar (cujo significado é casa em árabe) de Rita Leitão, uma portuguesa radicada em Marrocos. Saberia bem depois de alguns dias no meio dos dromedários a falar espanhol, inglês e francês conversar com alguém daqui em português. Atravessámos Ouarzazate de uma ponta à outra para chegar ao bairro onde se encontrava o Dar. Chegar lá não é a coisa mais simples, temos de nos enfiar por umas ruas pequenas. Demos com o local facilmente e distribuímos as motas pela rua. Teve de ser o vizinho do Dar a dar as indicações de como arrumar as motas, seria também ele que ficaria de olho nelas durante a noite. Descarregámos as malas como habitualmente e subimos para o nosso quarto. Na verdade e dado que a ocupação não estava esgotada, tivemos direito a dois quartos, que decidimos distribuir na forma habitual. Roncadores para um lado e o Barradas para o outro.
O Dar Rita segue a construção habitual dos Dars e Riads marroquinos. Habitações distribuídas em redor de um pátio central. E que boa pinta tinha este Dar. Tudo perfeitamente decorado e distribuído pela mão de uma mulher europeia, nota-se bem. Soube bem voltar a ter um cheirinho ocidental depois de uns quantos dias embrenhados no Marrocos profundo. O meu sistema digestivo estava a fazer uma reinicialização depois de umas quantas refeições marroquinas. Nada de grave, apenas uma purga necessária… Creio que seriam aquelas saladas marroquinas, uma presença sempre constante à mesa. Daqui em diante fiz questão em deixá-las sempre de lado. Tralha desembalada, aparelhos a carregar e descemos ao pátio do Dar para sair por Ouarzazate e procurar jantar. Perguntámos à Rita onde se comia bem, que nos passou a dica do La Halte junto a uma praça do centro de Ouarzazate. Cerca de dez minutos a pé. Perfeito, daria para relaxar e exercitar um pouco as pernas… Seguimos pela Avenida até à praça, onde estava uma animação dos diabos.

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Muita gente para cá e para lá, e um bando de miúdos a jogar à bola.

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Demos facilmente com o dito restaurante, diga-se com muito bom aspecto. Na ementa estavam as habituais tajines.

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Pedimos cada um a sua e para acompanhar uns sumos de amêndoa. Os sumos de amêndoa eram na verdade batidos. Aliás, todos os sumos disponíveis eram de facto batidos.

Mas estava bem bom, a amêndoa combina de facto maravilhosamente com o leite. Serviram-se as tajines e cada um atacou a sua com categoria. Que pratos deliciosos, rematados no final com um crepe ao mesmo nível.

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No final estávamos bastantes satisfeitos, até com o preço que se manteve na média. Regresso ao Dar pelo mesmo caminho, desta vez com as ruas praticamente desertas.

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hoje as motas ficam cada uma em seu canto, com guarda claro

Ainda antes de dormir duas ou três tecladas nos portáteis para falar com as respectivas e carregar umas fotos… Finalmente desliga-se a luz para o descanso merecido.

continua...

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Mensagem por atikman em Qua Jun 06 2012, 23:12

Mais uma vez... brutal! Fixe

Rui

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