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Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por cristina em Ter Jun 19 2012, 13:17

Antes de mais,... Mérito muito Mérito pelo atrevimento de sair sózinha para um destino destes Surprised

Claro que no blogue já tinha lido tudo logo no dia em que foi publicado, e fiquei super contente de encontrar aqui mais um bocadinho cheers

Conta mais por favor Apaixonado

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Matias em Ter Jun 19 2012, 14:00

Paula estou a adorar o "aperitivo" aqui mas vou ler tudinho lá no blog Wink
Ainda este ano lá estivemos mas já morro de saudades de tudo aquilo Smile

Beijito

Mérito

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Dom Jun 24 2012, 22:15

.

A única factura que consegui por lá ... só para mostrar que aquela terra é ... mesmo em conta Cool

Câmbio 1€ = 10,9 Dirhams





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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por vhugoabreu em Seg Jun 25 2012, 09:12

Relato e foto excelentes.

Mérito, claro. Mérito

Cumprimentos,

vh@

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Um dia lamentaremos as coisas que não fizemos e que poderíamos ter feito...
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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Simone em Qua Jun 27 2012, 11:02

Olá Paula! Smile
Bom relato e fotos!
Continua..
Abraço

Fixe Mérito
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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 12:25

Por especial atenção com o Xôtor Elísio (que não lê blogues) e também com o único, imparável e grande João Luís (que me disse que não se entende com blogues) ...

Vou passar a postar o relato na íntegra ...

É para ler meninos Laughing Laughing Laughing

.

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Joao Luis em Sex Ago 10 2012, 12:45

Pela consideração Paula ja levas uma cena metralhada que não serve para nada mas que ate é engraçada sim senhor e o chicotadas tem isto tudo artilhado cheers
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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Joao Luis em Sex Ago 10 2012, 12:57

Tinhas 65 dei-te 3 ficas-te com 68, não consigo dar mais mas ja percebi que aqui damos meritos por cada mensagem
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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Elisio FJR em Sex Ago 10 2012, 12:59

@Paula Kota escreveu:Por especial atenção com o Xôtor Elísio (que não lê blogues) e também com o único, imparável e grande João Luís (que me disse que não se entende com blogues) ...

Vou passar a postar o relato na íntegra ...

É para ler meninos Laughing Laughing Laughing

.



Paula vou ficar à espera!!!

Tens razão, sim eu disse-te, não leio blogues porque se lesse como é que eu podia trabalhar? Tenho tantos amigos com blogues, foi mesmo uma opção!!! E também foruns é só mesmo este, inscrevi-me no inicio no forum FJR mas não achei muita piada, é muito parado para mim, assim pelo menos vou conseguindo dedicar-me com alguma intensidade a este!!!

É só mesmo isto!!!

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 13:22

Saio de Erfoud em direcção a Tinejdad por uma estrada sem número. Uma antiga pista que agora tem alcatrão com bom piso. Uma planície imensa de areia. Está calor. Depois de uns km aparecem umas tendas à beira da estrada e uns montes de areia que parecem velhas crateras. E autocarros de turismo. Uma placa indica que podemos visitar “Le sisteme d’irrigacion Tuareg”. Paro por perto a observar os turistas sentarem-se no chão, em estruturas de madeira com roldanas, a dar ao pedal e a ouvir explicações de um sistema de poços e túneis subterrâneos de água (que agora estão secos) muito contentes a ouvirem os homens de azul a que chamam de tuaregs. Tiro umas fotos e arranco quando vejo uns “tuaregs” a virem na minha direcção para me oferecerem fósseis. Um deles ainda me tentou acompanhar de bicicleta, a gritar qualquer coisa que podia ser uma oportunidade única.





Esta imagem até parece que estou a fazer pistas nas dunas Laughing



mas numa perspectiva mais afastada ... cá está a bela estrada em alcatrão Cool




Até chegar à estrada principal, a N10, são 87 km de pouco trânsito e muito espaço. Atravesso pequenas vilas por estradas a sufocar de terra e areia. Pouca gente na rua. Tão diferente do romantismo das fotos das cidades imperiais, com edifícios cheios de arabescos. Em Tinejdad paro com fome. Vejo uma patisserie e compro um croissant por 2 dirhams. No café ao lado sento-me na esplanada ao abrigo do sol. Estou fã dos bolos marroquinos. E do café.










Já se avista o vale do Todra. Palmeiral, retalhos verdes cultivados. Em Tinghir vira-se à direita para as gargantas do Todra. O cruzamento está em obras, a estrada está toda picada. Sobe e desce, quanto mais perto das gargantas, mais ratada a estrada. Tem bastante trânsito. Se não são os carros que me atiram para fora da estrada é a deslocação do ar dos autocarros de turismo que passam a grande velocidade, curvam de rodas no ar, quase parece que vão cair pela falésia abaixo. Locais de turismo em países árabes, são perigosos. Já dentro do vale, as montanhas vão apertando o espaço até ficar uma tira estreita onde cabe apenas a estrada e um pequeno rio.



















Estou parada numa ponte a tirar fotos às mulheres que lavam roupa no rio quando vejo passar um grupo de motos com matrícula portuguesa. Aceno mas eles não param. Encontro-os mais à frente, nas gargantas do Todra. É um passeio organizado, quase todas motos BMW. Conheço um deles. Os outros não. Mas começamos logo à conversa. Peço para me tirarem uma foto nas gargantas. A única foto em que apareço até agora. Fixe.









O grupo de Tugas que encontrei por lá ...





Ficam para almoçar no Yasmine, um dos dois hotéis famosos daqui, convidam-me para os acompanhar. Vou ver os preços da ementa. Cada prato está marcado a cerca de 95 dirhams (8,5€). Fora de orçamento. Agradeço a simpatia do Paulo Silva e vou à procura de um tasco mais em conta.

Caminho para o estacionamento a pensar nos km que podia fazer com este valor. Devo estar mal habituada pois ainda nunca paguei tão caro por uma refeição. Mais tarde, explicaram-me que os marroquinos têm três tabelas de preços “oficiais”. Uma para os americanos, franceses, belgas … os que têm dinheiro e pouco negoceiam. Outra para os Tugas e outros pelintras que choram os preços. E finalmente, a tabela de preços real, a que praticam entre eles. Só para comparar, os meus amigos marroquinos pernoitam, quer no Yasmine quer no Les Roches (mesmo ao lado), por cerca de 120 dirhams por jantar, estadia e pequeno-almoço.

Depois de comer umas bolachinhas que trazia de Portugal, para enganar o estômago, parto em busca de almoço. Paro em Tinghir, num restaurante com bom ar. Estão dois motociclistas italianos a almoçar na esplanada. Entro e negoceio o preço do almoço. Mais uma Tagine, a única coisa que demora pouco tempo.

As Tagines são uma espécie de estufado de carne e legumes, servido num pote de barro, que preparam de manhã e fica a cozinhar ao vapor. Na hora de almoçar está sempre pronto. O preço máximo são 40 dirhams.

Que diferença entre este pacato restaurante e a confusão do Todra. Almoço calmamente sem ninguém me incomodar. O empregado anda a borboletar em volta da minha mesa, mas não fala. Sinto-o a olhar de soslaio, desertinho para meter conversa. Quando terminei o almoço, não resistiu - Viajas sozinha? – Senta-se e pergunta-me de onde venho, que nunca viu uma mulher sozinha a viajar por aqui. Vêem-se alguns alemães sós, mas os outros viajam sempre em pares ou grupos. Vai falando depressa, num mau francês enquanto abana a cabeça. Não para de repetir que admira a minha coragem. Viajar sozinha em Marrocos. Mulher corajosa. Digo-lhe que acho o país muito seguro e as pessoas muito simpáticas. Abana com a cabeça afirmativamente, parece um pêndulo, todo contente. Incha de orgulho.

Estou com o mapa aberto a ver onde vou parar esta noite. Pergunto-lhe se conhece algum Hotel simpático em Bumalne (estava a ver uma cidade grande perto do vale do Dadés onde quero ir). Responde que lá não há nada para ver e os hotéis são muito caros. Aconselha-me a ficar nas Gorges du Dadés. Bonita estrada e melhores hotéis. Recomenda-me o Auberge de Peuplier, no km 27 da estrada para Msemrir. Costuma ir para lá com a família de férias. Escrevinhou a direcção e indicações para lá chegar no meu livro de apontamentos. Diz que o preço máximo serão 120 dirhams. Vai ligar para o amigo a avisar que eu vou.

Ainda é cedo e estou perto. São apenas uns 70 km. Se não gostar posso sempre voltar para trás e procurar outro local para ficar. Os km que me separam de Boumalne são sempre a direito, uma recta de deserto cortada apenas pelos torreões que limitam as províncias. Um espaço enorme de pedras e vegetação rasteira, com as montanhas ao fundo. Continua muito calor. Ando com o forro do casaco amarrado à mota. Já não cabe nas malas. Tenho duas garrafas de água de 1,5 Lt e um saco com bolachas a encher o espaço que era para o forro.






Atravesso Boumalne e viro em direcção ao vale do Dadés. De repente a paisagem muda. A terra já não é amarela. É vermelha. Muitas aldeias, pessoas de bicicleta, mulheres com fardos de erva às costas, construções em terra e argila. A estrada serpenteia junto ao oásis verde, pelo meio da montanha. Rebanhos cortam a estrada. Os km vão passando. Veem-se muitos hotéis e pequenos albergues, com bom aspecto, pendurados na encosta ou à beira da estrada. Não há trânsito, passam apenas camiões de vez em quando, a andar devagar, parecem das obras. Vou controlando pelo conta-km parcial para saber onde estou. As paredes da montanha estreitam, o espaço só chega para o rio e a estrada. Quando penso que já passei o albergue, quase a desistir, encontro uma pequena casa, encostada à parede de rocha, em cima da estrada e do rio com um cartaz a dizer “Auberge des Peupliers”.

















Assim que estaciono, sai um senhor dos seus 60 anos. Estava à minha espera. Mostra o quarto, apresenta os filhos. O mais novo trata da horta e das refeições. O mais velho anda a estudar, sabe de computadores mas também trabalha. Limpa os quartos. As mulheres andam no campo. O albergue é acolhedor. Simples, pouca mobília e limpo. Tem Internet Wireless. Oferecem-me chá. Afinal o empregado do restaurante em Tinghir tinha razão. Este local é lindo e agradável. Sento-me à entrada a beber chá e a ver passar algumas motos e jipes. Veem da direcção de Imilchil, cobertos de terra, passam rápido. A maioria, alemães.

Arrumo a moto dentro da loja de artesanato ao lado. Depois de um banho quentinho, o jantar. Sopa Harira, seguida de Tagine. O meu estomago está a reclamar de qualquer coisa. Não consigo comer tudo. Para sobremesa, um doce com um aspecto delicioso. Já não vai. Estou a ver isto muito complicado. Ligo-me à internet para ver as novidades. Na salinha da entrada, está tudo calmo, pela porta aberta ouvem-se os grilos. Lá fora, a noite está escura. As estrelas são aos milhares. Brilhantes.









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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 13:24

@Joao Luis escreveu:Tinhas 65 dei-te 3 ficas-te com 68, não consigo dar mais mas ja percebi que aqui damos meritos por cada mensagem

Laughing Laughing Laughing

e a seguir ao 68 ....


estou quase de fériasssss .... vou andar por aqui esta tarde ... bem disposta

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por LoneRider em Sex Ago 10 2012, 13:49

Paula, grande viagem!

Assim que tiver tempo passarei pelo blog para ler com atenção e ao detalhe a tua cronica! Wink

Curiosamente, escrevo-te desde Tanger depois de ter estado tres dias em Casa Blanca em trabalho!

Boas Curvas! Wink

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Joao Luis em Sex Ago 10 2012, 13:52

@Paula Kota escreveu:
@Joao Luis escreveu:Tinhas 65 dei-te 3 ficas-te com 68, não consigo dar mais mas ja percebi que aqui damos meritos por cada mensagem

Laughing Laughing Laughing

e a seguir ao 68 ....


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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Elisio FJR em Sex Ago 10 2012, 14:52

Paula Kota ganhou 1 M!!!

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 14:53

Durmo mal. Nem o som calmo da água do rio, nem a paz que se sente, acalmam as minhas entranhas. Já conheço os sintomas. Estou lixada. De manhã, desço cedo. Peço um chá e torradas. Estou enjoada, engulo a custo. Aviso que talvez fique mais um dia. Passo a manhã, a caminho da casa de banho. Sonolenta e quente. De 2 em 2 horas, como um bocado de pão, com chá, para tomar Dimicina. Está decidido. Isto não melhora hoje. Vou ficar por aqui. Adormeço profundamente. Acordo, já ao princípio da tarde, com barulho de conversa. Muitas pessoas lá em baixo.

Tenho fome. Desço à recepção meia zonza. Estão cinco mulheres, de trajes brancos, cabeça tapada, a falar alto, todas ao mesmo tempo. Assim que apareço faz-se silêncio. Encolhem-se, escondem-se atrás umas das outras. A mais velha diz qualquer coisa que não entendo. Olho para o rapaz do albergue. Ele traduz. Ela está a perguntar se estou bem. Sorrio e respondo. Começamos a falar, elas aproximam-se, miram-me de alto a baixo. São as irmãs do dono. Ouviram falar da estrangeira que anda sozinha de moto e está doente. Vieram fazer companhia e ver se precisava de alguma coisa. Enquanto me servem mais um chá com torradas, vamos conversando, o rapaz a traduzir. Querem saber de onde venho, não conhecem os nomes dos países nem dos locais que falo. Ouvem com muita atenção, olhos arregalados. Ficam horas a fazer perguntas sobre mim, a minha família, o que faço. A cada resposta, lançam exclamações e riem-se. Sorrisos alegres. Passam as mãos na minha cabeça e testa, murmuram rezas, dizem que amanhã estou boa. Têm a palma das mãos castanha, pintadas com Henna. É da tradição. Vão fazer uma sopa de ervas que me vai ajudar.


Ao final da tarde, sinto-me melhor. As mulheres estão na cozinha. Arrisco a dar um passeio. Está um dia fantástico. Pego na moto e vou estrada acima. Lá ao fundo sobe por uma rampa enorme. Curvas apertadas, ingreme. No alto, sopra vento forte. A paisagem é magnífica.



Nesta foto (da famosa subida das Gorges do Dadés) mostra bem a altitude ... vêm lá em baixo a estrada e o Hotelzito onde fiquei ...





Para subir, os camiões têm de fazer marcha-atrás nas curvas ...


Acho que o Elísio até que gostava de fazer isto a uns ... 200km/h










João Luis, que tal este local para ... fumar um cigarrito ??? hem ??





A estrada é fantástica. Continua pela encosta, o rio é uma linha fina lá em baixo. Depois desce de novo. As paredes de rocha quase que se tocam. Chego à passagem do Dadés (Gorges do dadés). Bem mais bonito e muito mais calmo que no Todra. Um casal de americanos anda a passear por ali. Aproveito para umas fotos.


















Mil vezes mais bonito que o Todra !!!!!



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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Joao Luis em Sex Ago 10 2012, 14:57

Sim senhor sim senhor, bom local para fumar...desde que passamos primeiro por Chefchouen ou Mossel Idris que tenho la connection Rir muito
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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 15:28

.
Acordo cedo. Estou pronta para continuar viagem. Ao pequeno-almoço continuo com chá e torradas. É mais seguro. Arrumo a bagagem, pago 120 dirhams por cada noite mais 30 dirhams pelos litros de chá que tomei ontem. As refeições estão incluídas.

Vou rolando através do vale do Dadés calmamente. Este vale encheu-me as medidas. Respira-se espaço, calma, pessoas a trabalhar nos campos férteis junto ao rio, terra vermelha, muitos kasbah, não há turistas nem trânsito. Estou sozinha na estrada estreita a olhar para o horizonte. Penso que foi um bom lugar para descansar. Tive a sorte de adoecer num paraíso.


Agora mais umas fotos ....











Rumo ao vale das flores, um local que tinha visto na Net como a não perder. Em Kelaat M’Gouna, uma pequena vila onde se corta à direita para o vale já se respira a indústria de rosas. Filas de lojas cheias de garrafas plásticas, cor-de-rosa, com aspecto de linha de produção, mas que em vez de serem de detergente têm água de rosas. Cheira a pó.

Entro na estrada do vale das rosas, à espera de ser surpreendida. Não fui. Mais um vale fértil, campos verdes, crianças ao longo da estrada com sacos de pétalas de rosas. As roseiras, nem vê-las. Rolo uns 20 km sem encontrar as expectativas. Começa a estar fresco. Estaciono à beira da estrada para voltar a cozer o forro do blusão. De uma casa perto saem crianças que me olham de longe com curiosidade. Não se aproximam.

Não me apetece ir mais longe à procura de roseiras. Estou a 50 km de Ouarzazate, cidade que já conheço. Também já fiz o trajecto até Marrakesh através do Atlas, uma estrada de montanha com milhares de curvas e entupida de camiões. Dizem que é a pior estrada de Marrocos em termos de trânsito. Decido virar a Norte, para o interior. O rapaz do albergue no Dadés disse que a estrada era em alcatrão e se fazia bem. Passou lá há pouco tempo.







Almoço em Skoura e o empregado do restaurante repete que a estrada é em alcatrão, pela montanha e que demoro umas 2,5h a chegar a Demnate. É 1h da tarde. Mesmo que leve mais tempo, ainda tenho 6 horas de luz até ao final do dia. Estou com o sentido nesta estrada.

Há coisas que têm de ser feitas. Nunca percebi porquê mas há uma voz interior que nos manda fazer uma qualquer coisa, inexplicavelmente.


Gosto de espaço, gosto de estradas com pouco trânsito, gosto da descoberta. Parto rumo ao Atlas, uma recta de uns 30 km, a montanha ao fundo. Está um dia limpo, com sol, lindo.













A estrada começa a subir. É estreita mas razoável. Sem dar pelos km estou já bem alto. O vento levanta. Sopra cada vez mais forte. O piso está sujo de terra, as bermas começam a estar comidas. Cada vez mais alto, o alcatrão está picado, buracos enormes, as bermas desaparecerem e bocados de estrada começam a desaparecer, fica apenas um trilho de terra e socalcos onde corre água. Curvas e contracurvas, sempre mais fechadas, sempre mais ventosas. O vento sopra tão forte que está difícil manter a moto direita. Se parar vou ao chão com a força do vento. Tenho de continuar.

A paisagem é agreste. Rocha escarpada, batida pelo vento, sem vegetação. Um cenário de outro planeta, de filmes de catástrofes no futuro. Não passam carros, não há aldeias, não se vê gente. Apenas os abrigos dos pastores indicam que, talvez, alguém anda por aqui … ou não.













E o alcatrão desaparece. A estrada começa a descer suavemente. As chuvas das últimas semanas arrastaram terra e pedras. As descidas parecem campos lavrados, desapareceram as curvas interiores da estrada, sulcos profundos, água que escorre pela montanha abaixo, desfiladeiros estreitos. Ao longo da descida avistam-se pastores e rebanhos de cabras. Mais à frente um jipe sobe a esforço o bocado de picada a quem alguém chama de estrada.















Começo a ficar mais confiante. Aqui há gente. Lá muito ao fundo aparece uma aldeia. Mas até chegar à aldeia são mais 30 km de todo-o-terreno. Parecia mais perto. A estrada serpenteia pela montanha. O filme repete-se. Cada vez que há uma inclinação, não há estrada. O alcatrão apenas sobrevive nas curvas horizontais. Aos bocados.

Tenho a noção que a paisagem é fantástica. Se as condições fossem diferentes, fazia aqui umas fotos excelentes. Mas o tempo corre, a estrada é difícil, cada metro passado é uma vitória, equilíbrio difícil. No meu cérebro martelam os conselhos de quem me ensinou a andar na terra. Velocidade constante, não traves, olha para a frente. Estou a transpirar no meio deste ar gélido.

Finalmente chego a Toufrine. Atravesso a aldeia por um caminho de cabras, estreito. Desemboco numa ponte, com ar de acabada de construir. Insólito. Está um grupo de motos de TT estacionado na ponte. Motociclistas equipados com armaduras. Há duas horas que não falo com ninguém, que ando a comer pó. Meto conversa. Ficam surpreendidos em me ver. Olham admirados. São franceses e andam a fazer as pistas do Atlas. Têm um jipe de apoio com atrelado e mais motos.

Pelas minhas contas, já fiz uns 70 ou 80 km. Só faltam cerca de 60 km. Os franceses confirmam. Estrada boa, dizem eles. Em alcatrão. Está um guia marroquino com eles, tem ar de alucinado. Diz que a pior parte da estrada eu já fiz. A partir daqui é mais suave. Já não sei se acredito. Entre opiniões de marroquinos e adeptos de TT, venha o diabo e escolha.














Odeio estradas de terra, pedras, gravilha, areia, tudo o que implique esforço de condução. Gosto de ter um tapete liso debaixo das rodas para eu poder estar de nariz no ar a olhar em volta. Ainda pondero voltar para trás. Só que estou no ponto sem retorno. Preciso chegar a Demnate com luz. Tenho 3 h até ao pôr-do-sol. A noite cai pelas 7,30h da tarde. De repente fica escuro como breu.

Despeço-me dos franceses. Dizem que admiram a minha coragem. Respondo-lhes que não sei se é coragem ou se sou doida. Rimo-nos todos. Subo de novo para a montanha. A estrada está melhor, há mais alcatrão. Só que já não confio. Até podia ir mais depressa mas em cada curva estou à espera de ter uma estrada lavrada pela frente. Já estou do lado Norte do Atlas, começo a descer, a paisagem é mais verde. O percurso sobe e desce mais rapidamente. Ora subo alto, ora atravesso vales férteis e pequenas aldeias onde os locais me olham com curiosidade. Apetece-me parar, respirar e tirar fotos. Mas estou sozinha, quero chegar ainda de dia, rolo devagar, não arrisco. Não sou heroína, não quero cair nem partir nada. Vou a pensar como é curioso que a noção de estrada é diferente consoante as pessoas, ou a experiencia ou os gostos. Conheço alguns para quem este caminho é uma auto-estrada, para outros seria impraticável. Para mim, dá para passar. Com calma.

Finalmente avisto o horizonte. Verde. Lindo. O fim da linha está à vista. Lá em baixo há civilização, há estradas em condições, há um Hotel e um banho quente à minha espera. Até acelero pelas curvas abaixo. Estou contente.















Chego a Demnate ao pôr-do-sol. Atravesso a cidade sem ver Hotéis. Raios. Paro e pergunto. Indicam-me um, mais atrás, à direita. Encontro um sinal de Hotel mas não percebo como se chama. Ainda não desliguei a moto já tenho o recepcionista a dar-me as boas-vindas. É velhote e fala mal francês. Tem quartos. A 100 Dirhams (9€). E tem Internet. Vou ver. Em cada andar há quatro quartos, virados para uma entrada onde tem as casas de banho. Não há nenhum quarto com WC e duche no interior. Tudo partilhado. A esta hora, já não tenho forças para ir procurar outro lugar. As instalações são recentes e o local é limpo.

Já na recepção de novo, dá-me a chave de um quarto no 4º andar. Afinal a Internet não chega lá. Aparece o dono. Insisto em ter Internet. O recepcionista velhote diz que é mais caro. Só tem quartos no 4º andar. Falo directamente com o dono. Explico que sou jornalista e tenho de enviar notícias ainda hoje para o patrão. Não consigo estar a trabalhar na recepção. Faço cara de aflita. Falam os dois em árabe e o dono lá diz qualquer coisa. Consigo um quarto no 2º andar. É duplo mas faz o mesmo preço. E ainda me vai abrir a garagem particular para guardar a moto. (Fixe. Não me estava a apetecer subir 4 andares. Esta coisa não tem elevador).

Neste piso só está um casal de franceses que acabaram de sair para jantar. Os restantes quartos estão vazios. Tranco a porta de ligação à escada e estou à vontade. O duche é forte e a água quentinha, sabe tão bem. Vou à procura de jantar. Tenho o estômago colado às costas. As pernas continuam a tremer da aventura de hoje. O recepcionista surge do nada. Não sei como estes tipos conseguem ser invisíveis e aparecer de repente. Indica-me o restaurante do outro lado da estrada. Acompanha-me até lá.

Deve ter comissão de certezinha. Aqui ou pedem a propina directamente ou recebem comissão do local para onde nos encaminham. O Rei deve-se ver aflito para cobrar impostos.

As mesas estão todas ocupadas. Não sei o que falaram que o dono do restaurante manda um cliente levantar-se para me dar lugar. Mesmo à entrada, frente ao balcão do cozinheiro. É a única mesa que está numa espécie de esplanada, pois as paredes começam mais atrás. Peço espetadinhas de peru (brochetes) e pão. Explico que estou doente. Quero chá. Como devagar. As mãos não deixam fazer gestos rápidos. Ainda tremem. Vou observando o cozinheiro a fritar batatas, a preparar hamburgers marroquinos (pão com carne, salada ou batata e ovo). Uns para servir lá dentro, outros que embrulha e mete em sacos. Há muita gente que vem para o Take Away. O rapaz não pára entre a fritadeira, a grelha e as tijelas de saladas. Paguei 20 dirhams por 6 espetadinhas de carne, pão e 3 copos de chá.


O tasco ...









Assador(a) profissional Laughing




Só no final do dia, já instalada no Hotel, depois de investigar bem por onde andei, é que percebi que rolei sempre a cerca de 2.000 metros de altitude e subi até aos 2.800 m. Lá em cima, lembro-me de ver uma placa com um nome e a altitude. E lembro-me que era um bom local para uma foto. Mas o vento era tanto e tão forte que se eu parava a moto ia ao chão. Só pensava em continuar até começar a descer para o vale, na esperança de que o vento acalmasse. Mais importante que o registo do local era meu sentido de sobrevivência a gritar-me por prudência, a avisar-me que não podia arriscar pois estava sozinha naquele fim do mundo.



O quarto do Hotel



... e o WC ...



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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 16:05

@Joao Luis escreveu:Sim senhor sim senhor, bom local para fumar...desde que passamos primeiro por Chefchouen ou Mossel Idris que tenho la connection Rir muito

Chefchouen ... talvez ... agora Moulay Idriss .. tens de arranjar argumentos fortes pois aquela terra não tem nadinha de interessante

Laughing


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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 16:07

@Joao Luis escreveu:

Feito YUPI YUPI YUPI YUPI


Laughing Laughing Laughing


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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 16:18

@LoneRider escreveu:Paula, grande viagem!

Assim que tiver tempo passarei pelo blog para ler com atenção e ao detalhe a tua cronica! Wink

Curiosamente, escrevo-te desde Tanger depois de ter estado tres dias em Casa Blanca em trabalho!

Boas Curvas! Wink

talvez ainda hoje consiga postar as fotos de Casablanca Very Happy

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Elisio FJR em Sex Ago 10 2012, 16:26

A Paula Kota já levou com outro M!!!!!!!!!

E é rápida a colocar aqui a crónica!!! Fazes copy do blog?

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 16:57

Acordo cedo com os barulhos da rua. Sons de motos a passar. Estranho. Depois percebo que estou no meio do Raid D’Amitié, estão a sair para as pista do Atlas. Motos de TT, todos equipados de armaduras, escapes barulhentos, passam em grupos. Sento-me no café ao lado do Hotel a vê-los passar. O café só serve … café, chá, coca-cola e crepes (rijos, barrados com doce). Já experimentei e não me agradam. O dono diz que há uma padaria ao cimo da rua. Manda buscar um croissant. Fixe.







Hoje vou às Cascades D’Ouzoud. Para Norte. Nem me preocupo com o caminho para lá pois comprei um mapa ao Rui Baltazar que tem todos os locais de interesse referenciados. Nunca tinha visto um mapa assim, cheio de estrelinhas a indicar pontos de paisagens e com todos os sítios turísticos sublinhados a vermelho, quer sejam em estradas de alcatrão, quer em pistas. Não tenho GPS nem percebo nada disso. Mas tenho um mapa que me leva onde quero.

A estrada até às cascatas serpenteia pelos restos da montanha. Do lado Norte do Atlas a paisagem é verde, campos de oliveiras, vegetação rasteira. O andamento é lento, as curvas são muitas. O mapa apresenta a estrada toda retorcida. Mas a altitude é mais baixa. Rolo devagar, com a montanha cada vez mais longe, lá ao fundo o pico com neve brilha ao sol.













Paro numa pequena aldeia. Estou com fome. Uma mercearia tem um balcão cheio de croissants a piscar-me o olho. Pergunto o preço – 1 dirham – Cara de espantada. O rapaz a medo repete – 1 dirham – como se fosse muito caro. Compro dois. Na cidade já dei 3 dirhams por um bolo. Até por aqui, no campo, a qualidade de vida é melhor.
É preciso notar que 1 dirham são 9 cêntimos. Só! E não, não havia moscas poisadas nos bolos. Os animais esvoaçantes estavam concentrados na zona dos talhos a picar furiosamente os cabritos pendurados ao sol.








Já muito perto das cascatas, numa estrada bem secundária, há um mercado à beira da estrada. Muita gente, carrinhas ferrugentas, uma multidão de burritos. Não resisto e paro. Hesito em entrar. Há uma casinhota com um homem que parece comandar as coisas. É o Guardien do mercado. Pergunto se posso entrar e ver. Responde-me gentilmente que sim. Mas que apenas posso tirar fotos da estrada de longe para o mercado. As pessoas não gostam de ser fotografadas. Vou caminhando para a entrada e tiro o flash da máquina. Seguro-a descontraidamente como se não a fosse utilizar. Mas vou disparando sem ver. Talvez consiga alguma foto em condições. Já fiz o mesmo num mercado da Mauritânia e resultou.





























Não há ruas no mercado, as bancas são desordenadas, quem chega expõe os produtos no espaço que houver livre. São gentes que vivem nas montanhas e chegam em burritos para vender os produtos que cultivam.

Bem no meio do mercado olho para a estrada. Ouço barulho de motos. São dois e param. Tiram apressadamente umas fotos de longe e arrancam. Não percebo se têm pressa ou medo. Passam alguns jipes de matrículas europeias e fazem o mesmo. Ninguém para.










Chego às cascatas perto da hora de almoço. No largo há uma patrulha de polícia. Pergunto onde posso estacionar. Indicam um parque do lado esquerdo. Na entrada está um velhote a chamar para estacionar. Pergunto o preço. São 5 dirhams. 5 Dirhams? O dia todo, responde ele. Não consigo esconder o riso. Corre à minha frente para dizer onde estacionar. Ainda não tirei o capacete já está a oferecer-se para me mostrar as cascatas. Não tenho dinheiro, respondi. Olha-me surpreendido, não sei se por ser mulher se por dizer que estou falida. Coça a cabeça e ri-se. Mostro-te as cascatas de borla. E ri-se. Vou atrás dele.











Pelo meio de umas casas há uma passagem para uma plataforma de onde se tem uma visão total das cascatas. Não há turistas aqui, apenas dois jovens marroquinos que ao me verem se dirigem para mim. Assim que vêm o meu guia afastam-se. Mohamed é o nome do velhote que me guia, homem já na casa dos 60 anos, enrugado, uns restos de bigode, que fala sem parar num francês misturado com inglês. Passo apressado de quem conhece todos os degraus do passeio que desce até às cascatas. Uma passadeira rodeada de lojas onde se vende de tudo. À nossa passagem ele vai cumprimentando todos e apresenta-me. O irmão que tem uma loja de colares, anéis e pulseiras, mais à frente o tio que esculpe figuras em pedra. Logo a seguir mostra-me um restaurante onde a mulher e as irmãs preparam a melhor Tagine do país. Fala e fala, passinhos rápidos, pergunta-me de onde venho, porque ando sozinha, porque não tenho dinheiro. Digo-lhe que estou em Marrocos há duas semanas e que se acabou. Agora vou para Casablanca onde tenho um tio a quem vou pedir dinheiro para voltar para casa. Ainda vais hoje para Casa? (Casa é o diminutivo que em Marrocos chamam Casablanca). È um grande caminho, diz ele. E tens família lá? As perguntas não acabam nem os degraus para chegar às cascatas que se aproximam.

No passadiço há uma vida própria. Velhotes servem chá aos turistas (familiares dele, claro), a sobrinha que pinta as mãos com Henna, o cunhado que tem uns cavalitos engalanados para passear turistas. A meio caminho mostrou-me uma ruela de casas velhas. È onde ele mora. Ao lado há um Auberge de uma irmã. Começo a pensar que o meu guia é o patrono cá do sítio. Certo é que as dezenas de jovens que andam a oferecer serviços de guia não se aproximam. Cumprimentam respeitosamente o Mohamed e seguem.












As cascatas são magníficas, a água cai abruptamente de uma altura enorme, o barulho sobrepõe-se a qualquer ruído. Chegamos a outra plataforma, quase encostada à parede de água, chão molhado, salpicos de água no ar. De repente aponta e grita todo contente:
Regarde, le rainbow!

Não consigo disfarçar. Dou uma gargalhada sonora. A minha sorte é falar francês e inglês, senão não me entendia com ele. Ele acha que estou contente por ver as cascatas. Ri-se de boca aberta, dentes castanhos na frente, os detrás já desapareceram. Tiro umas fotos e sentamo-nos no muro do passeio que ainda não acabou. Faltam uns milhares de degraus até à lagoa lá em baixo, onde os turistas se divertem em barcos de borracha a fazer rafting. Ficamos ali na conversa. Está um calor dos diabos, transpiro por todos os poros, levámos uns bons 20 minutos a chegar aqui debaixo de um sol escaldante.









Diz que hoje é um dia fraco de turistas mas amanhã vai ser um bom dia. Teve informação que vão chegar aviões de turistas a Casablanca e que a rota começa pelas cascatas. É bom para o negócio. Conta que sempre viveu aqui. Costumava ser guia mas agora está reformado e é Guardien da mesquita. Mas eu tenho cara de simpática e ele decidiu guardar-me. Fala apressado, sempre a rir, muito gentil. Fico a pensar se é alucinado ou se está pedrado. Não percebo metade do que diz. Fala que está contente com a vida.

Remata com “Sou feliz nas cascatas”. E dá uma gargalhada castanha que faz todos olharem para ele.

Levanta-se e dirige-se para baixo, continuar a descer. Para mim já bastava. Só de ver tantos degraus fiquei cansada. É que depois teria de os subir todos. Digo-lhe que ainda tenho muitos km para fazer hoje. Voltamos para cima. Vestida com o equipamento da mota, a subida foi difícil. Ele a saltitar à minha frente, eu sem fôlego. Paro de vez em quando e sento-me. A cada pausa ele fala e fala. Vou acenando com a cabeça e sorrio como se estivesse a compreender tudo. No caminho para cima ainda me tenta vender os serviços da sobrinha que pinta as mãos. Baixa o preço para metade. Pergunto-lhe quantos dias a tinta dura. Responde que 2 semanas. Pois, não dá porque não posso aparecer no trabalho de mãos pintadas. Olha para mim muito sério e acena. Compreendo. Desiste. (livra, já me safei desta).


O Mohamed





Voltamos para o parque onde está a moto. Diz-me que a estrada até ao outro lado da montanha é muito bonita, mas que devo conduzir com muito cuidado nos próximos 35 km. Estrada apertada com muitas curvas. Depois já posso acelerar. E ri-se muito. Está pedrado de certeza. Não resiste a pedir-me um cadeaux. Qualquer coisa, um souvenir da motard portuguesa. Levo a mão ao bolso onde tenho umas moedas, não mais de 10 dirhams. Digo-lhe que é todo o dinheiro que tenho. E não tens mais nada? No outro bolso tenho um maço a acabar, dois cigarros. Ofereço-lhe. Fica todo contente. Cigarros portugueses. Cheira o pacote e ri-se.

Para sair deste labirinto é necessário atravessar uma estrada transformada em parque de estacionamento. Mais à frente a pequena vila de Ouzoud e uma ponte de barras de madeira a cair de podre para atravessar. Esplanadas e bancas de restaurantes. Muita confusão de turistas, lojas e carros estacionados caoticamente.

A estrada que vai ligar à N8 é razoável. Estreita, piso picado, sobe a montanha até às Gorges de L’Ouzoud. Uma paisagem fantástica. Pelo caminho muitas crianças que guardam rebanhos de cabras, acenam e fazem sinal a pedir bebida. Assim que ouvem o barulho da moto, correm para a estrada e pedem água. Estranho. Há água a escorrer da montanha, as curvas parecem rios. Nunca parei com crianças à vista. Mais tarde, explicaram-me que é um truque para fazerem os turistas parar e pedir coisas. Espertezas de crianças.









A seguir às Gorges a estrada desce para o vale. Lá ao fundo avista-se a civilização. Uma planície imensa, vilas e cidades, os campos estão lavrados em quadrados perfeitos. O tempo virou. Levantou o vento. Olho para trás e uma espessa cortina de nevoeiro persegue-me. Começo a não gostar do cenário. Acelero montanha abaixo, sempre com o nevoeiro colado às costas. Céu cinzento, tenho de sair daqui. A chuva só me apanha já no vale, numa estrada larga, sinalizada e muito movimentada. Os últimos 240 km que me separam de Casablanca são feitos debaixo de chuva intensa, por estradas cheias de trânsito que cruzam cidades e vilas atarefadas. Chego a Berrechid ao cair da noite. Encharcada. Felizmente foram as primeiras chuvas de toda a viagem. Espero que sejam as últimas.










Entrar em Casablanca ao final da tarde, em hora de ponta, é um exercício de coragem. Circular, ao cair da noite, numa metrópole de 5 milhões de habitantes, considerada a maior cidade do Norte de África, não seria impossível, mas bastante difícil. Paro numa pequena vila a 30 km de Casablanca e ligo aos meus amigos - Venham-me buscar por favor. Isto está caótico. Eu não vejo nada de noite - Sorrisos do outro lado.

Estou na 1ª rotunda à entrada de Berrechid, no único café à vista. Está cheio de homens. Sou a única mulher. Olham-me com curiosidade e continuam a conversar. Peço um chá enquanto espero que me venham buscar. Entretenho-me a escrever no meu livro as notas da viagem. Às 20h é noite cerrada.

A entrada em Casablanca é alucinante. Parece que todos se lembraram de vir para a rua ao mesmo tempo. Carros por todo o lado, avenidas enormes, cruzamentos e rotundas onde não consigo perceber a prioridade. Aqui não funciona a regra - o carro maior passa primeiro - mas reparo que nas rotundas, quem vai entrar é que tem prioridade. Os cruzamentos são feitos pelo lado de fora, pois no interior os autocarros parados entopem o fluxo de trânsito. Todos conduzem muito rápido. Não se ouve buzinar, apenas eu apito furiosamente quando alguém se aproxima mais de 2 milímetros.



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Última edição por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 17:10, editado 2 vez(es)

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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Paula Kota em Sex Ago 10 2012, 17:00

@Elisio FJR escreveu:A Paula Kota já levou com outro M!!!!!!!!!

E é rápida a colocar aqui a crónica!!! Fazes copy do blog?

Faço cópia do texto que guardo em formato Word .... antes de qualquer crónica ir para o "espaço" Laughing o texto é escrito em word

Assim, tenho sempre os originais Cool

As fotos estão no Picasa e no Photobucket .. é só ir lá e copiar os links

... Podes continuar a dar Ms Laughing Laughing Laughing

se o chefe não perceber que ando já em modo "FÈRIAS" ... vou postar a crónica toda hoje Very Happy


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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Joao Luis em Sex Ago 10 2012, 17:21

Saltam-me a vista duas situações que me revejo na totalidade, o estar no mercado e ver ao longe gente apressada ou com medo e a falta de dinheiro.....



Tens mesmo qualidade na escrita porra !!!!!!!! Parabens
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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

Mensagem por Joao Luis em Sex Ago 10 2012, 17:22

...aaaaaaaahhhhh, e os mapas do Rui Baltazar, tambem me perco por lá quando la vou, gosto muito
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Re: Na Terra do Sol Poente - Viagem a solo por Marrocos

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