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Iron Butt (Cu de Ferro) Ibérico à Padeiro...

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Iron Butt (Cu de Ferro) Ibérico à Padeiro...

Mensagem por Cobra em Qui Jun 21 2012, 22:46

Ora cá vai a crónica, mas primeiro alguns números, porque é de números que se trata.



track: http://www.gpsies.com/map.do?fileId=kfbvhgolhoyhtddw

Inicio:15:06:2012 21:30:32
Fim: 16:06:2012 19:55:05

Distância total percorrida (GPS): 1653.174km

Tempo Total: 22:24:33 (Andamento: 17:04:23 + Paragens: 05:20:10)

Altitude Mínima: 14.80m
Altitude Máxima: Alt: 793.50m

Velocidade Média (andamento): 96.83km/h

Distribuição de velocidades:
0-60km/h: 2.5%
60-100km/h: 26.6%
100-140km/h: 70.2%
140-200km/h: 0.6%


E de seguida a crónica...

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Re: Iron Butt (Cu de Ferro) Ibérico à Padeiro...

Mensagem por Cobra em Qui Jun 21 2012, 22:55

crónica original aqui: http://www.comandopadeiros.org/t1532-iron-butt-cu-de-ferro-iberico-a-padeiro-15-16jun2012

E como isto começa?... Como habitualmente, numa discussão de ideias com o Barradas. Mas ainda antes de tudo, algum contexto.

Primeiro falar da IBA, ou da Iron Butt Association, que é como quem diz "Associação do Cu de Ferro". É essencialmente um motoclube americano que certifica a quem pretenda e se qualifique para isso, uma série de "troféus" ou "marcas" assentes essencialmente num determinado número de milhas (ou quilómetros) percorridos de mota por intervalo de tempo específico. Passeios de “gringos” num formato ideal para os seus longos cruzadores de ferro naquelas estradas rectas infindáveis. Mas tal não significa que não se possa fazer em estradas europeias, onde aliás o desafio é maior.

É uma ideia de malucos, e estou convencido que estará a mentir, qualquer um que goste de viajar de mota e afirme que nunca lhe passou pela “careca”, a ideia de participar numa coisa destas.

A maioria das “provas”, tem rota específica e só realizável na terra do tio Sam. Existem no entanto dois ou três “troféus” internacionais realizáveis em qualquer parte do globo.

Os mais comuns são o SaddleSore /1600km e o BunBurner 1500/2400K, que é o mesmo que dizer, 1600kms em 24h ou 2400 em 36.

Feita a introdução e regressando à crónica, aqui há tempos, ainda antes de partir para África lancei o desafio ao Barradas...
5 minutos depois, este respondia-me com um itinerário, o que prova que também sofre da mesma demência que eu, e isso para mim é bom.

Como habitualmente, o percurso era bom, bem pensado, e sobretudo realizável. Se é para andar de cu tremido durante 24h, que seja a valer a pena.
Seria algo o mais possível do lado espanhol em auto-vias, onde a velocidade é boa, não se paga e a gasolina é mais barata. E o menos possível em auto-estradas portuguesas, onde se tem de abrir bem a bolsa e o combustível está ao preço de ouro. A certificação a tentar seria então a mais acessível o SaddleSore 1000 ou seja cerca de 1600kms () em 24h. É claro que para cumprir esta meta, dormir está fora de questão, e as paragens são basicamente para reabastecer. Regra geral ao ritmo de médio de 100-120km/h é coisa para rondar as 16 horas de condução, que com mais 5 horas de paragens perfazem as 21 horas totais. Para cobrir os 1600kms é razoável efectuar 8 a 10 paragens com cerca de 30mn cada, para reabastecimentos e descanso. Não há tempo para dormir, só mesmo para meter gasolina, comer e beber alguma coisa e desentorpecer o corpo. Planeámos 8 paragens, uma delas mais alongada para almoço. O itinerário criado pelo Rui fazia-nos passar próximo das cidades de Portimão, Huelva, Sevilha, Córdoba, Madrid e Badajoz. Desta vez, nada de visitas, sempre a rolar para cumprir o horário.

Para que a certificação seja aceite, existem algumas regras a cumprir, como a presença de testemunhas no início e fim e a recolha de recibos com data/hora num percurso tipicamente rectangular (ou com cantos). Assim o Rui sugeriu-me que em vez de se arrancar ao nascer do dia, iniciássemos ao fim da noite. Jantarinho entre amigos e vamos ao caminho. Isso permitiria fazer o troço que requer mais cautela (de noite) logo de início, mais fresquinhos. Depois teríamos o dia todo para navegar e o regresso seria feito ao fim do dia, ainda com luz no horizonte. Para além disso, saindo logo na sexta-feira, teríamos a noite de sábado para recuperar, e ainda o Domingo para ficar com a família. Pareceu-me perfeito. Apenas sugeri que invertêssemos o sentido, rumando primeiro para Sul e fazendo o retorno à pátria pelas nacionais de Elvas. Pareceu-me mais seguro, e teríamos a possibilidade de embicar para a auto-estrada no regresso, caso houvesse algum atraso na agenda.

Pensámos numa data, e ocorreu-nos o mês de Junho. Teria de ser uma noite de temperatura amena, e sobretudo nada de água à vista.

E assim foi. Divulgou-se, combinou-se e no final entre confirmados e indecisos, sobraram três para a partida. Eu e o Barradas claro, e outro maluco, o Paulo (beta-v).
Efectivamente não me tinha ocorrido que o Paulo se interessasse por esta volta. É cansativo, andar por andar, nada se vê, e percebo que não seja a “onda” de muita gente.
Mas não, o Paulo confirmou a sua presença, o que para nós foi muito bom. Já fizemos uns quantos quilómetros juntos, e já desde algum tempo. Temos todos um bom entrosamento na estrada, o que é fundamental para 16h de condução seguida.

Sexta-feira lá estávamos todos no restaurante “O nosso prego”. Eu claro, para variar, cheguei atrasado, mas ainda muito a tempo para dar “cabo” de um bom bife com ovo a cavalo. Lá também estava a nossa testemunha a Ana Maria, e o Barradas Júnior, que não deverá faltar muito para começar a cravar a mota ao pai.

Pouco depois das 21h15 já estávamos a aprontar as “burras”. Despedidas e vamos a isso que há quilómetros para fazer.



Primeira paragem na estação de serviço da Serra de Mira para assinalar o inicio oficial. Atestámos e guardámos muito bem o recibo que confere a data e hora de inicio do evento, cerca das 21h30… E siga pela Vasco da Gama em direcção à A2.

A temperatura estava boa, o que tornava a condução agradável. O Rui assumiu a dianteira, eu logo atrás dele, e o Paulo a fechar a caravana.

Saímos na Marateca, para nos metermos na nacional que nos iria levar até terras do Sul, mais propriamente à Via do Infante que corta o Algarve de lado a lado.

A meio o Barradas tinha previsto uma paragem na Aldeia de Palheiros (Ourique), mas o receio de não ficarmos com uma factura datada fez com que se repensasse a pausa para Canal Caveira, onde metemos gota e esticámos o esqueleto. O balcão da estação de serviço estava fechado e tivemos de operar com a máquina.

Até à Via do Infante, a viagem correu calmamente sempre a ritmos moderados nos limites do código.

Depois de entrarmos na Via, sentimos logo uma baforada forte de vento. E foi basicamente levar no “lombo” até Espanha. Coisa chata e desagradável.

Do outro lado parámos nos arredores de Huelva, para encher o depósito a preço mais “camarada”, isto depois de termos levado umas “ripadas” valentes nas portagens da SCUT. Aproveitou-se para fazer um ligeiro snack e mudar as “águas”. Estávamos dentro dos tempos, de ideias frescas e confortáveis. Tudo estava a correr bem.



Devo dizer que a opção de viajar logo de inicio de noite foi acertada. À noite o trânsito é menor e a condução requer mais atenção.  

Bem, a partir daqui e até Madrid seriam auto-vias… Ou pelo menos era o que pensávamos, pois ainda de madrugada o GPS fez-nos passar pelo meio de Sevilha.
Acabou por não ser mau. Sem tráfego, a sensação de atravessar as ruas desta cidade imensa foi refrescante. E depois, mais auto-vias.

Seguíamos até Córdoba, e no escuro da noite, nada se via da paisagem. Persistia no ar um cheiro estranho e um pouco incomodativo. Comentei com o Barradas, ele achava que seria resultado de águas paradas ou estagnadas.

Paragem à saída de Córdoba, em mais uma estação de serviço espanhola. Nada a dizer, são como cá, e praticamente todas iguais.



Amanhecia e já se via o horizonte a assumir uns belíssimos tons rosados.



Atesto dos depósitos, comer uma bucha e aproveitar o bar da estação para beber um café “solo”.



Já íamos com umas 6 horas de condução, e mais de 18 horas sem ir à cama. O cansaço começava a moer. Quando regressámos à estrada não demorou muito até termos o Sol a brilhar de frente… Situação fatal. Ficamos reconfortados com aquela sensação de aquecimento e os olhos encandeados custam a abrir, e por vezes não abrem mesmo.
Eu estava mesmo a ir “abaixo”, e a fazer um esforço tremendo para manter as pestanas abertas. Tivemos de parar para meter uma lata de cafeína nos queixos.

Continuámos, mas não ia melhor… A coisa ainda não estava a fazer efeito. Passei para à frente a ver se ia mais atento.

Azar dos azares, apanhámos um troço de obras, tivemos de baixar o ritmo para uns 60 e 80 alternados… Não podia ser pior.

Lembro de por uma vez seguir à distância de um carro, de piscar os olhos e depois apanhar um valente susto ao ver que estava encostado a traseira do tipo.
Foi remédio santo, meti pisca, ultrapassei-o à pressa e fui os 10 minutos seguintes de olhos bem abertos, como uma coruja.

Aguentámos mais um bocadinho até à estação de serviço de Madridejos, já próximo da capital espanhola.



A temperatura já começava a brasear, e era o momento ideal para ajustar o equipamento e vestir o casaco de Verão. Para além do abastecimento, aproveitou-se para comer qualquer coisa e beber mais um café “solo”, este um pouco melhor que anterior, ainda assim fraco.

E embora lá, que ainda estão só 600 quilómetros feitos.

A partir daqui deixámos de levar com o Sol na cara, e isso para mim foi tudo o que bastou para despertar.

Estávamos a abeirar de Madrid, e seguia à frente da caravana. O acesso ao centro de Madrid é confuso para quem não conhece. São uma série de vias largas e túneis com múltiplas saídas para todas as direcções. Basta estar no lado errado da estrada para falhar a saída certa e vamos parar a outro lado.
A rota do GPS estava bem marcada, mas claro nos túneis o sinal extingue-se e rolamos ali uns minutos “sem rede”. Mas correu tudo bem, e conseguimos chegar ao centro sem percalços. Já próximos da praça Puertas del Sol o trânsito parecia estar barrado com grades, desviei para uma rua lateral, mas na verdade nem seria preciso. O trânsito estava de facto vedado para ligeiros e pesados, mas para táxis e motos não. Demos a volta ao quarteirão e voltámos à estrada cortada, desta vez para passá-la. Estacionámos logo depois no passeio em local próprio, a uns 50m das Puertas del Sol.



E estava Sol, calor e muito povo na rua. Como habitual estava a polícia com os seus carros de assalto à sombra do famoso edifício da Casa dos Correios.





Apesar de muita gente, a praça parecia estar calma, não havendo ali nenhuns sinais dos tumultos dos dias anteriores.





Andámos um pouco por ali, mas de facto este local de dia não tem metade do encanto de noite.



Apesar de ser quase meio-dia por aqui, estávamos com uma fome avantajada. Ora já se sabe que espanhóis para comer, é mais tarde. Por isso, optámos por ir ao típico hambúrguer americano, ou seja, Mac Donalds. É rápido, é barato, e não estávamos para perder muito mais tempo por ali. Enfiámos a hamburguesa no bucho (por sinal carregadinha com sal) e saímos dali. À saída de Madrid, achámos melhor fazer mais um abastecimento para marcar mais um ponto na rota.



Depois apanhámos a estrada de saída da capital em direcção à auto-via A5 que nos levaria à fronteira de Portugal. E estava congestionada a saída. Fomos furando o trânsito como podíamos e nos deixavam. Eu e o Barradas íamos pior, pois levávamos as “bóias” laterais (malas). Foram talvez uns dez minutos a passo comedido por entre os carros, depois o trânsito aligeirou e finalmente tínhamos a estrada toda por nossa conta.

Eu ia feliz da vida e desperto que nem uma coruja, e até estava capaz de fazer BunBurner (2400K) em vez dos 1600K. Parecia-me ser como “limpar o rabo a meninos”. Estava cansado certo, e com algumas dores nas costas e no pulso, mas tudo absolutamente suportável. Estava com receio que caísse a moleza depois de almoço, mas nada. Talvez todo aquele sal do hambúrguer estivesse a fazer subir a tensão. E assim fomos pela A5, debaixo de Sol até Navalmoral de la Mata, onde parámos para mais uma vez alimentar as “burras”.

Paragem habitual de 30 a 40 minutos, onde também se aproveitou para “roer” qualquer coisa e abastecer de líquidos. Aqui, à falta de café decente, o Paulo mandou-se a uma lata de cafeína.



Mais um pouco de estrada, e por esta altura já se via o “fundo do túnel”, estávamos a cerca de 400 quilómetros do objectivo. Por uma vez pareceu-me ver o Barradas à minha frente a estrebuchar de sono, coloquei-me ao lado para lhe perguntar se estava bem. E estava, eram só “exercícios” de movimento para desentorpecer o corpo.

Ainda na A5, tivemos de fazer um desvio pela nacional. O corte da estrada (por despiste de um camião) obrigava-nos a sair da auto-via para regressar na entrada seguinte. Logo à saída o Barradas perguntou a um guardia civil como era o desvio. Cerca de 7kms pela nacional até regresso à A5. E que surpresa… De repente passámos de uma paisagem aborrecida e enfadonha, para as escarpas da beira do Tejo. Nunca me tinha apercebido que logo ali ao lado da A5, passava o majestoso rio. Foi de cair o queixo.





Primeiro passagem sobre rio através de uma ponte medieval e depois uns quilómetros de nacional a beira do rio. Muito bonito e refrescante. Mas não durou muito. Não estávamos ali para fazer turismo, e regressámos ao passo de cruzeiro pelo resto da A5.

Finalmente Badajoz, e claro o último abastecimento até ao gargalo de gasolina a preço de saldo. Mais meia hora de pausa para beber, comer e aliviar a bexiga.



Parece que a lata de cafeína não estava a fazer efeito ao Paulo. Pelo sim, pelo não, meteu outra goela abaixo e eu fiz-lhe companhia e também bebi uma.





Regresso à estrada e regresso à pátria, passando o Caia e Elvas ao largo. Seriam umas 17h30 portuguesas quando atravessámos a fronteira. A partir daqui teríamos à nossa frente as nacionais alentejanas, a ritmo calmo apreciando as agradáveis paisagens ao nosso redor. Tínhamos previsto uma paragem em Montemor para abastecimento, mas decidimos seguir ao ritmo que vínhamos para Lisboa. Não que fosse preciso, íamos com margem de tempo para fazer essa paragem, mas havia depósito para chegar a Lisboa e de facto, mais uma paragem seria desnecessária.

Entrámos pela A2, e por volta das 19h30 estávamos a atravessar a ponte. Quando o fizemos o conta-quilómetros parcial já passava dos 1610kms, objectivo atingido.

Agora só faltava formalizar a chegada, com mais uma paragem em Linda-a-Velha na estação de serviço para abastecer e sacar o precioso recibo com a data e hora.

Desafio superado. Estávamos todos cansados, mas bem dispostos e satisfeitos por chegar à meta.



Dali ainda seguimos para o restaurante onde nos esperava a comitiva de recepção… Bem na verdade, até estávamos adiantados na hora, e fomos os primeiros a chegar.

Finalmente, o desligar das máquinas, que se portaram à altura, cumprindo os mais de 1600kms sem tugir nem mugir, umas verdadeiras papa-léguas.

E o jantarinho, um entrecosto delicioso que calhou mesmo bem.

Lá estavam connosco, as nossas pseudo-penduras (Ana Maria e Célia), o Barradas júnior (Guilherme), a família Correia com a mais recente aquisição do clã (Lara, Ricardo e a pequena Sofia), e o Benedito e a Sara que também se juntaram a nós para uma fatia do bolo comemorativo (decorado a preceito) e espumante, como manda a tradição.



Soube bem partilhar a chegada com família e amigos que nos suportam nestas e noutras maluqueiras. Obrigado a todos os que lá estiveram, e também aos que nos apoiaram.

E sim, este tipo de “prova” é de facto uma maluqueira. O que se ganha, nada… Excepto a satisfação de conseguir o desafio, de testar e perceber os nossos limites, de ganhar experiência e reforçar a cumplicidade entre amigos… É para repetir?... Provavelmente não … Em termos de experiência, 1600, 2400, ou outra distância que seja, não tem grande diferença, é basicamente mais tempo e cansaço… Os 1600K já cá cantam, e para já serão suficientes.

Um agradecimento final especial às nossas partenaires por aturarem os nosso caprichos, e aos dois compadres de estrada com os quais tenho podido, posso e creio poderei sempre contar para estes devaneios motociclistas… Amigos, juntos, com este espírito vamos a qualquer lado, não há butt que não aguente! Sem dúvida uma grande história para mais tarde recordar.

Iron Butt Ibérico à Padeiro… Eu Fui!

Cumps!


Última edição por Cobra em Dom Set 28 2014, 20:29, editado 1 vez(es)

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Re: Iron Butt (Cu de Ferro) Ibérico à Padeiro...

Mensagem por rjvieira em Qui Jun 21 2012, 23:39

Excelente... deve ser extremamente cansativo.

Mas no fim deve ser uma sensação de conquista.

Mérito atribuído e mais que merecido... essas Tiger's não param.

Um abraço.

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Re: Iron Butt (Cu de Ferro) Ibérico à Padeiro...

Mensagem por atikman em Sex Jun 22 2012, 17:13

Sempre a dar-lhe! Fixe

Infelizmente é provável que nunca possa fazer tal coisa, mas sempre poderei ler as crónicas! lol!

Rui

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Re: Iron Butt (Cu de Ferro) Ibérico à Padeiro...

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