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Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Simone em Sex Set 20 2013, 22:19

Mais um excelente passeio! Smile
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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Ramos Pinto em Sex Set 20 2013, 23:41

Andaste por locais lindos que conheço bem, como o Bled, onde apetece ficar por lá. A Eslovénia é linda… também adorei. Crónica ao melhor nível.Mérito 

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Sab Set 21 2013, 09:37

Obrigada!

A Eslovénia é um pais pequeno e espetacular, que eu já conhecia mas que queria explorar melhor!

Quis o enorme calorão que desta vez eu não passeasse muito pelo país, preferi ficar por Bled, entre paisagens deslumbrantes e um ambiente de frescura, que era tudo o que eu precisava por entre dias de temperaturas de enlouquecer quem viaja!

De qualquer forma eu vou lá voltar mais dia menos dia! Dançar 

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Correia em Sab Set 21 2013, 12:46

Sem muitas palavras, é situação para Mérito  e continua a passear connosco Vrummm 

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Dom Set 22 2013, 02:09

7 de agosto de 2013

Desde que passei por Bled a primeira vez que eu tenho vontade de voltar! Há algo de irreal na sua beleza que nos faz sentir a viver num conto de fadas ou num postal ilustrado de agência de viagens, daqueles que a gente sabe que são apenas para turista ver, pois beleza tal só pode ser falsa…

Mas tudo é real por ali e tudo é encantador também! Depois a acrescentar a toda a beleza havia uma brisa fresca e o lago que parece nunca aquecer seja qual for a temperatura ambiente no seu exterior!

Naquele dia acordei obcecada com a vontade de mergulhar no lago, por isso sai de casa já com o fato de banho vestido. À primeira oportunidade eu iria meter-me na água, isso era certinho!

Tinha pensado em casa num percurso a fazer pelas montanhas ali perto mas, ao sair para a rua a ideia não me inspirou minimamente! Tinha sofrido bastante com o calor dos últimos dias e aquele prometia aquecer também, logo ir para longe da água estava fora de questão. Parece que quando a gente anda perto de um rio ou de um lago o calor não é tão agressivo, por isso não sairia dali de perto e fui passear para o lago!

Chegar ao lago pela manhã, foi a imagem da frescura e do paraíso para a minha mente!



Pousei a moto e fui passear pela fresca, apreciar o castelinho de longe. Não iria visita-lo, embora ele seja muito bonito e o mais antigo do país, porque já o visitei noutra altura e queria apenas aprecia-lo no enquadramento lindíssimo em que fica!



Encontrei um pintor que tinha o seu estaminé montado à sombra das árvores e pintava uns postaizinhos muito coloridos em aguarela para vender. Ainda me pus ali no paleio com ele e desenhei e pintei um pouco também. As minhas aguarelas são bem menos coloridas que as dele, por isso mais próximas das cores reais e houve quem passasse e me quisesse comprar duas das que fiz ali! Eheheh

“Não, não são para vender!” repetia eu enquanto as pessoas insistiam que as minhas eram mais bonitas que as do homem.

“Fique aqui hoje comigo a pintar para eu ver como faz!” insistia ele.

“Nem pensar, estou a passear e desenho pelo prazer, não para ensinar ou por obrigação!”

Deixei-o tirar fotos aos meus desenhos e fui embora, que tinha muita coisa para ver por ali!



Não se pode ficar indiferente, a paisagem é mesmo inspiradora! A ilha natural vê-se muito bem dali com a Igreja e Santuário da Assunção de Maria, do séc. XV a encima-la.



Pus-me a olhar bem para a ilha e para a sua escadaria até ao santuário. Dizem que tem 99 degraus… pode-se ir até lá de barco, mas eu não tinha a certeza se queria subir todos aqueles degraus debaixo do calor que se preparava para chegar…



Passear pela borda do lago é tão agradável e encantador que só apetece continuar calmamente e fotografar a cada 2 passos que se dá! E nunca se dá conta se está muito ou pouco calor pois a sobra é sempre fresca!



Só ao voltar à moto, e ao sair debaixo das árvores, é que me apercebi que o calor já tinha voltado! O termómetro da moto, que estava ao sol, apontava já 38º!!!



Eu bem tinha razão que não era coisa boa ir passear para a montanha! Por isso fui mas é visitar as Vintgar Gorge ou Soteska Vintgar, um desfiladeiro deslumbrante ali mesmo perto da cidade, com as águas mais puras e frescas que se possa imaginar!



Este desfiladeiro foi descoberto no final do séc. XIX e desde então que foram criadas condições para que ele possa ser visitado, com passadiços de madeira, renovados ao longo dos tempos, até hoje!







Dizem que aquelas águas são das mais puras da Europa!





São 1600m desta paisagem e desta frescura! Se fosse 3 vezes maior a distancia, ninguém se queixaria, pois é simplesmente delicioso passear por ali!







Então chega-se à outra ponta e tem lá um bar com gelados e cerveja para a completar todo o prazer do caminho!





É em momentos destes que eu sinto que o paraíso existe e é cá na terra mesmo!



Então volta-se para trás pelo mesmo caminho, que visto ao contrario e com o sol noutro angulo, parece renovado!



Há uma represa que torna o quadro mais perfeito e doseia o curso das aguas!



E mesmo ali “dentro” com toda aquela sombra, o calor começava a querer entrar! A água chamava mesmo para lhe enfiar os pés dentro, e foi o que fiz! Mergulhei os pés e o corpo todo!
A água era incrivelmente fria!



Dizem que aquela agua é tão fresca e pura, que se pode beber direta do rio! O banho, na realidade não foi refrescante, foi gelado mesmo! Que sensação de contacto com o coração da terra mais inesquecível! Quando voltei ao trilho continuei gelada por muito tempo, agradavelmente fresca e cheia de vida…









Mal saí da sombra do desfiladeiro o calor estava todo à minha espera cá fora!

Peguei na moto e fui passear um pouco, mas à medida que o efeito refrescante do banho ia passando, eu ia recuperando a vontade de me voltar a enfiar na água! E foi o que fiz, fui pousar a moto junto ao lago e ali passei o resto da tarde, entre sombra e sol, mergulhos e longas braçadas a nado! Que bela é a vida assim!





A gente chegava-se um pouco para o sol e o calor era escaldante, chegava-se um pouco para a sombra e quase tinha frio! Curiosa a diferença de temperatura entre sombra e sol!



Acho que aquele foi o recanto do mundo onde eu nadei com melhor paisagem!



A água é límpida e tão fria que parecia impossível que todo aquele calorão existisse mesmo, quando a gente estava enfiada nela!



Eu bem digo que o paraíso existe!



Terminei a tarde acompanhada de uma belíssima cerveja, a apreciar os encantos do lago, com o castelinho medieval lá em cima do penhasco a completar o quadro irreal!





Depois fui passear um pouco, descalça pela relva e pelos passadiços de madeira, porque há vontades que não posso negar a mim própria e porque o momento assim me inspirava, para viver um pôr-do-sol lindíssimo digno das mais belas sombras chinesas do conto de fadas mais encantador!











E foi o fim do 9º dia de viagem!


Última edição por Gracinda Ramos em Dom Set 22 2013, 22:40, editado 1 vez(es)

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Dom Set 22 2013, 02:24

Obrigada pela companhia e desculpem as muitas fotos!  Embarassed 

Estou a aproximar-me dos países desconhecidos e das experiencias curiosas!

Afinal "tinham-me prometido" que seria uma experiencia de alto risco passar para lá do que eu já conhecia e eu estava cheia de curiosidade de ver e viver ao vivo o que quer que viesse!

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Simone em Dom Set 22 2013, 03:00

Delicia de dia! Adoro o lago!! Smile
Da minha parte não tens que pedir desculpas pelas fotos! Venham elas q.b. e mais relato à altura!! Palmas  
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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por transalex em Dom Set 22 2013, 10:19

Palavras para que!
Fotos fenomenais
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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Ramos Pinto em Dom Set 22 2013, 19:16

Obrigado por me recordares o Lago Bled que , para mim, é indescrítivel...só mesmo vivido. Não foste, lá cima, ao castelinho?Andei por lá há cerca de 8/9 anos, não me recordo já e ficou a promessa de lá voltar. A Eslovénia e a Croácia são locais que tenho que repetir. O problema é que tenho muitos a repetir..
Pelas fotos permanece divinalmente na mesma e ainda bem, que será um crime alterar lá seja o que fôr.
Em duas palavras se definem as tuas fotos e a tua crónica - MARAVILHA SURREAL.

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Ramos Pinto em Dom Set 22 2013, 19:17

E não é que me esquecia de mais um Mérito

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por luisfilipe em Seg Set 23 2013, 01:26

Gracinda estas desculpada com a condição de postares mais e mais fotos, muito obrigado pelo relato e pelas fotos maravilhosas

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Seg Set 23 2013, 11:49

Cucu!

Obrigada!

Desta vez não visitei o castelinho de Bled porque o visitei aquando da minha ultima viagem por aqueles lados e preferi, por isso, disfrutar da frescura cá em baixo, deixando uma nova visita lá acima para outra vez que ali passe, porque é certo que voltarei ali, já que é um dos meus destinos de eleição!

Os milhões de fotos são difíceis de selecionar quando tudo é lindo e encantador nelas!  Embarassed

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por carlosferreira em Seg Set 23 2013, 21:35

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Qui Set 26 2013, 00:27

8 de agosto de 2013

Estava na hora de enfrentar o calor de novo, mas eu não imaginava o quanto ele seria forte naquele dia! A vontade de ficar mais um pouco desaparece quando penso em tudo o que ainda há para visitar e nos grandes destinos que me esperam e naquele momento a partida sabia não a despedida mas a continuação do prazer da descoberta!

Percorri o caminho até ao centro da cidade, com casinhas fofinhas que apetecia habitar



E fui fazer um último picnic junto ao lago, porque eu tenho sempre tempo para mais um momento de paz nas minhas viagens! Nada é frenético nos caminhos que faço, por isso apesar do café da manhã que me deram na pousada onde dormi, fui comer a minha fruta com toda a calma, num banco de jardim à sombra e com uma paisagem que sempre me deixa saudades!



E ao pegar na moto ainda dei um belo passeio em torno do lago, num último olhar sobre a beleza pura!



E só depois segui viagem, com a vontade de não parar muito no meu caminho para Zagreb. O calor apertava já e rapidamente decidi que não iria andar de um lado para o outro a morrer, pois não tenho qualquer vocação para sofrer!

Por isso desviei-me apenas para visitar Predjama e o seu castelo!



O castelo é um espanto, construído literalmente na boca de uma caverna, foi sendo aumentado e adaptado à rocha que o acolhia ao longo dos séculos.



Inicialmente ele foi gótico, uma construção pequena do séc. XIII que se abrigava quase totalmente dentro da gruta, mas depois foi crescendo para fora dela.



E a gruta faz parte dele, com recantos inspiradores!



Sobe-se, desce-se, passa-se por corredores estreitos, passagens mais amplas e volta-se quase ao mesmo sitio!



E o pedregulho que forma a encosta e a gruta está por todo o lado!



Do castelo a paisagem sobre a aldeia e os campos inclinados, onde se fazem jogos de época, é linda!



Então volta-se a encontrar escadas escavadas na rocha, ingremes e sombrias que levam mais para o interior da gruta!



Há uma lenda sobre o castelo que conta que um cavaleiro, conhecido por Barão Ladrão, se fechou no castelo por muito tempo ao ser perseguido pela morte de um nobre.

Do castelo ele atirava cerejas para os soldados que o cercavam, levando-os ao desespero por não saberem nem entenderem como podia ele ter cerejas frescas depois de tanto tempo fechado no castelo cercado.

Na realidade o castelo tinha um túnel secreto, que ligava a uma aldeia mais longe, de onde vinham os mantimentos e as cerejas.

Os inimigos acabaram por subornar um criado do Barão que denunciou a sua presença na retrete, que era o único ponto frágil do castelo, e o nobre foi apanhado, literalmente, com as calças na mão por uma bala de canhão!



O castelo foi destruído e mais tarde reconstruido pelos novos proprietários e hoje lá está, com as suas galerias em pedra a complementar a construção.







Por baixo dele há uma série de grutas que podem ser visitadas, mas a fila de pessoas com capacetes de lampadinhas na testa era grande e não me apeteceu esperar para ir ver!



É curiosa a sensação de olhar para um castelo real enfiado numa gruta!



O calor era insuportável e eu só conseguia sentar e beber a todo o momento enquanto apreciava tão extraordinária paisagem!



Constatei que o termómetro da moto, por tudo e por nada, subia a valores fora do comum, até fixar-se regularmente nos 44º, por vezes ía mesmo aos 45º…

Estas temperaturas são de tal ordem fortes que conseguia estar mais fresco dentro do capacete fechado do que cá fora!

Eu parava a cada oportunidade, já por vício, já por desespero! Comprava uma garrafa de agua com gas gelada, bebia um bom pedaço e partia, pois apesar de tudo era menos penoso rolar do que parar, mas a garrafa fresca na mala chamava por mim e a urgência de parar antes que ela aquecesse era obsessiva! Quando encontrava trânsito lento o desespero começava a ameaçar instalar-se, volta a parar, bebe mais um pouco, segue mais um pouco!

Então, a dada altura, quando o trânsito voltava a ser mais lento, porque os automobilistas reduzem a velocidade com o calor e deixam o carro deslizar suavemente… porque têm ar condicionado e deslizar pelo calor infernal é natural, 5 motos desportivas seguiam na minha frente, a passinho de caracol, tentando passar. Eu ia mais atrás, a cismar mais uma vez com a água fresca que acabara de comprar, quando um dos motards vai abrandando o ritmo até que caiu para o lado!

Cruzes! O homem desmaiou!!!

Parei na berma da estrada tentando encolher a moto sob uma pequena sombra de árvore.

Os colegas acorreram a ajudar o rapaz, tentando a todo o custo senta-lo. Valha-me Deus, nunca se levanta um desmaiado!

Fui ajudar. Eles falavam alemão, mas a linguagem gestual e o inglês serviram muito bem para lhes dizer “parem com isso!”. Fui buscar a minha toalha de banho, que é enorme, e pus dois a segura-la pelas pontas para fazer uma tenda de sombra sobre o rapaz, que estava ardente, parecia que tinha febre!

Tirei-lhe as botas, tirei-lhe o capacete, abri-lhe o blusão. Estava de fato de couro completo com camisolas por dentro! Só de ver aquilo eu própria quis desmaiar de calor! Então molhei-lhe a cabeça e os pulsos com a minha água ainda bem fresca e frisante. Lentamente ele voltou à vida.

O dilema ali era, se andasse sem casaco podia cair e magoar-se, se andasse com o casaco cairia de novo de certeza! “siga sem o casaco ou vai voltar a cair mais à frente!”

Ele assim fez, prendeu o casaco com a aranha no banco da moto e preparou-se para seguir caminho.

Quando voltei à minha moto ela apontava 42º, ao andar deveria ir descendo… mas não desceu, subiu mais e mais até aos 44º…



Depois da minha boa ação, fiquei de novo sem água! E a sede não era muita… era demais! Comecei a temer pela minha própria segurança, apesar de tudo eu também tenho a tensão arterial baixa…

Parei em Novo Mestro para me reabastecer de água, porque condições para visitar não era nenhuma!



Mais uma cerveja. Mais uma garrafa de água XL e o meu lenço vermelho a ficar todo molhado de eu limpar o rosto a todo o momento!



Tudo era escaldante por ali, pensar em caminhar só por si era um suplício! Oh céus, eu quero um lago para me meter dentro!



A terrinha era simpática mas o calor não deixou apreciar nada! Dei um banho à moto com a água gelada que pedi no café, pois agora eu já pensava também em refrescar a moto para poder sentar-me sem ter de levar com o calorão do assento!



Cada sombra da estrada sem trânsito servia para beber mais e mais água. Não me lembro de ter sofrido nunca tanto calor seguido, por tanto tempo, numa viagem!



Eu sentia que estava a perder paisagens lindas e recantos encantadores do país, mas só tinha uma coisa em mente… encontrar frescura no meio do inferno!



Passei pelo Grad Mokrice que eu queria ver mais de perto mas a vontade passou-me! O castelo do séc. XV já me chamou a atenção há uns anos atras, mas ainda não foi desta que fui vê-lo mais de perto! Terá de ficar para outra vez com menos calor!



A fronteira da Croácia é logo ali e eu só pensava em ir a correr esconder-me em Zagreb na pousada!



E foi o que fiz!

Que me importava se era cedo ou tarde? Entrei em desespero pela receção e… estava tãããão fresquinho lá dentro! Huuuuuum
O gatito da rececionista ficou em pânico com a minha entrada desesperada! eheheheh



Enfiei-me no bar, estiquei-me num sofá, pedi uma cerveja e morri de prazer e frio!



Então foram chegando outros hóspedes mochileiros, aflitos como eu, que se foram enfiando lá dentro refugiados e esbaforidos do calor. Um grupo de rapazes trazia garrafões de água de 5 litros, em vez de garrafas, num grupo de raparigas 2 apresentavam queimaduras solares graves nos ombros nus e toda a gente ali sofria atrozmente com o calor!

A tarde foi avançando e ninguém tinha vontade de voltar ao calor, então o céu desabou em fortes chuvadas intermitentes que fizeram tudo cheirar a terra e a pó, como se o chão estivesse são sedento de água e frescura como nós!

Não saí mais, jantei e fiquei por ali



e foi o fim do 10º dia de viagem!


Última edição por Gracinda Ramos em Qui Set 26 2013, 19:09, editado 2 vez(es)

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Ramos Pinto em Qui Set 26 2013, 10:11

Muito bom, particularmente o castelinho na gruta. Já vi que também apanhaste uma caloraça daquelas, como nós, na nossa viagem.
Eu, a certa altura, só pedia chuva...e nada. Este ano foi difícil.
Venha mais crónica.

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Qui Set 26 2013, 10:29

@Ramos Pinto escreveu:Muito bom, particularmente o castelinho na gruta. Já vi que também apanhaste uma caloraça daquelas, como nós, na nossa viagem.
Eu, a certa altura, só pedia chuva...e nada. Este ano foi difícil.
Venha mais crónica.
Pois, a vaga de calor estava acesa pela Europa fora! Mas eu tanta chuva pedi... que apanhei com ela por diversas vezes e com toda a força!


Última edição por Gracinda Ramos em Qui Set 26 2013, 23:44, editado 1 vez(es)
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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Simone em Qui Set 26 2013, 18:35

Fantástico! Smile

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Carlos Balio em Sex Set 27 2013, 09:53

Palmas, e lá vou ter que atribuir mais um merecido Mérito
Obrigada e venha mais
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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Sab Set 28 2013, 23:42

9 de agosto de 2013

De manhã eu até tinha medo de sair de casa! Não fazia a menor ideia do que iria encontrar, depois de uma noite de chuva, o mesmo calorão ou um dia cinzento?

Fui agradavelmente recebida por uma manhã solarenga e fresca, se comparasse com os 44º do dia anterior! Mas ainda era muito cedo e eu estava decidida a não sofrer muito, por isso fui passear para a cidade a ver em que se tornaria aquela frescura suspeita!

Logo ao pegar na moto percebi que a frescura não era tanta assim, eu é que comparava com o calor do dia anterior e assim tudo era fresco! Na realidade estavam 36º!

Fui passeando pelas colinas da cidade até à zona antiga chamada Cidade Alta ou Gornji Grad, já que a cidade moderna é chamada de Cidade Baixa ou Donji Grad. Ali fica a Igreja de S. Marcos com o seu telhado lindíssimo com os brasões da Croácia à esquerda e de Zagreb à direita feitos no século XIX.

A Igreja originalmente de estilo românico, foi sendo alterada e adaptada em estilos posteriores e hoje é um dos edifícios mais antigos (séc. XIII) de Zagreb e um dos seus símbolos.

Em redor da praça, que tomou o nome da igreja, ficam edifícios do estado, como o Parlamento e o Tribunal Constitucional. Um guarda que estava por ali fez tão má cara quando passei, resmungando comigo que nem tentei parar ali. Detesto ter de enfrentar ranhosos, por isso embora o outro fosse mais simpático, dei meia volta e fui embora!



Fui até à catedral que continua em obras, embora desta vez já só tivesse uma das torres embrulhada, há 3 anos estavam as duas de chapéu!



“A catedral de Zagreb é um edifício extraordinário com uma longa e sofrida história que quase a vitimou por diversas vezes. É dedicada à Assunção da Virgem e a Santo Estevão e São Ladislau e, na sua origem, é gótica, mas por duas vezes na sua história foi incendiada (no séc. XIII e no séc. XIV) e, mais tarde, quase totalmente destruída por um terramoto. Assim hoje a catedral que vemos é uma mistura do estilo original, gótico, e o estilo posterior que a trouxe à vida, neogótico, muitos séculos depois já no séc. XIX.

Tem estado em obras de restauro desde há uma série de anos e, desta vez, pude já ver toda a sua fachada e uma das fantásticas torres descoberta. Está a ficar linda e a voltar à plenitude da sua beleza, quando lá voltar espero já vê-la toda descoberta!”



Cá fora pode-se entender o porquê da demora no restauro da catedral, dois pináculos, um antes e outro depois do restauro, mostram como tudo se estava a deteriorar no edifício! O pilar da esquerda estava novo em 1901, aquando da conclusão da reconstrução do edifício depois do terramoto que o vitimou, a erosão provocada pelas adversidades atmosféricas corroeu-a daquela maneira até hoje!



Na parede atrás o relógio da catedral que, como uma série de outros relógios na cidade, parou no momento do grande terramoto de 1880, que danificou profundamente o edifício! Parou às 7 horas 3 minutos e 3 segundos do dia 9 de novembro de 1880.



Em frente à catedral fica um dos monumentos mais conceituados da cidade, o Pilar de Maria com os anjos dourados e a fonte, do séc. XVIII.



Fui até ao mercado ali em frente, todo colorido e cheio de movimento! Comprei um pacote de amendoins salgados, a ver se não me faltava o equilíbrio e se a tensão arterial não caia por si abaixo com o calor!



Mas eu não iria ficar ali a passear todo o dia! Eu poderia faze-lo no dia seguinte, já que continuaria na cidade por mais um dia, mas naquele momento apetecia-me ver mais, talvez porque no dia anterior me fechara na pousada até à noite!

E foi o que fiz! Consultei o meu livrinho “o que há para ver por aqui?” é para isso que eu faço trabalho de casa, para poder escolher o que ver a cada vez que me apeteça!

E decidi ir visitar alguns recantos da ex-Jugoslávia…

Há muito que eu queria ver aqueles enormes monumentos de perto, construções que parecem saídas de filmes de ficção científica!

Foi mandado construir, pelo presidente do país (Josip Broz Tito), uma infinidade de monumentos gigantescos, nos anos 60 do séc. passado, em memória de batalhas travadas durante a II Grande Guerra.

Pretendia-se provocar um grande impacto visual, para enaltecer o povo Jugoslavo, e isso foi visivelmente conseguido por muito tempo, até que a República se desintegrou e tudo aquilo foi sendo abandonado e perdendo o sentido. Hoje são chamados de Monumentos Abandonados na ex-Jugoslávia...

Muitos anos depois um fotógrafo belga (Jan Kempenaers) pegou num mapa de 1975 e foi fotografando esses enormes monumentos com ar alienígena entre 2006 a 2009.

Então eles voltaram a dar nas vistas e podem ser vistos na internet, mas eu queria ver os que pudesse ao vivo… naquele dia vi 2, terei de voltar para ver mais alguns!

O Primeiro foi o de Podgaric…

Fica-se um bocado confuso! O monumento está no meio de lado nenhum, por trás de quintas e quintais, sobre um morro, em que o caminho nem é muito visível!



O Monumento à Revolução do Povo de Moslavina, uma obra de um grande escultor croata em honra do povo daquela zona, que não lhe parece dar muita importância, embora aquela continue a ser a obra mais conhecida do escultor!



Parece que atravessamos uma “star-gate” para chegarmos à enorme escultura!

Há quem corte a relva/palha e há quem ponha flores… que são de papel…





Não sei explicar, acho que cada um gosta do que gosta, e eu ali senti-me pequena, junto de um monumento que guardava dentro do meu imaginário há demasiados anos. Encontra-lo finalmente, apenas com o som do vento como companhia, teve um efeito forte sobre mim.





Lá de cima, dos “pés” do monumento, pode-se ver a pequena localidade onde ele foi erigido, com o lago ao fundo e muito poucas casas! Dá que pensar, como se decidiu colocar ali uma obra daquela dimensão?! Eu imaginei-a sempre junto a um centro urbano, pela sua espetacularidade.



Mas não, está ali só…e hoje, abandonado!









Mais à frente, a uns cento e tal quilómetros, junto à fronteira com a Bósnia, fica Jasenovac… ali não é apenas um monumento, é toda uma história que há para sentir.

O tempo estava já bastante mais quente, pousei a moto à sombra de uma árvore, não fosse ela esturricar e depois queimar-me o rabo ao montar!



E fui caminhar por aquele que foi o campo do terror…



Jasenovac – O mais cruel campo de extermínio de todos os tempos, como lhe chamam…

Ali morreram entre 600 e 700.000 pessoas, sérvios, ciganos e judeus.

O campo funcionou num pântano, hoje uma enorme área relvada, com árvores e lagos com patos e tudo. Ninguém pressente o que ali se viveu…



O monumento é uma obra de um grande arquiteto sérvio (Bogdan Bogdanovic ) em memória das vítimas, muitas delas sérvias também! Este arquiteto fez ao todo 20 memoriais por todo o território jugoslavo, e há uns 3 ou 4 mais que eu gostava de ver…



Também ali há flores… de papel!



E um excerto de um poema que fala de morte e sangue e punhais que matam, tal como se fazia naquele campo de concentração!



Estou a falar de um sítio onde os guardas e carrascos faziam apostas a ver quem matava mais gente e houve quem contasse 1300 gargantas cortadas! A personagem foi cumprimentada e galardoada com diversos prémios pela sua façanha, com objetos de ouro e festa e tudo!





Mais uma vez o som do vento foi a minha única companhia…



Todas as provas foram destruídas com a libertação do campo

E no lugar onde estavam os pavilhões com as diversas funções, hoje existem saliências e reentrâncias no imenso relvado!



Pode-se ler a legenda esculpida em metal junto ao caminho feito de toros de madeira dos carris de comboio. Fotografei o relevo e traduzi as suas inscrições na net e pude entender onde estava cada coisa…







E fui embora, com uma vontade imensa de passear um pouco pela Bósnia ali ao lado!



(continua)

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Dom Set 29 2013, 11:06

9 de agosto de 2013 - continuação


A Bósnia sempre me despertou o interesse, desde que eu estava em Genève e acompanhava diariamente a guerra que por lá andava! Desde essa época que eu quis visitar o país e, sobretudo ir a Sarajevo! Mas como eu digo, e às vezes as pessoas não acreditam, sou medrosa e receava pelo que pudesse ser circular pelo país, por causa de informações do Portal do Governo que refere que as condições de segurança são razoáveis e que há que ter cuidado com as ruas de pouco uso pois existem ainda minas…

Por isso fui dar uma vista de olhos para perceber qual o ambiente e decidir se devia seguir mais para o interior do país!

O calor apertava tanto que ao circular mesmo ao lado do rio Una não resisti! Saquei do vestido que me fora oferecido na Itália, vesti o fato de banho, guardei tudo na mala da moto e fui mas é passear para o meio do rio, como toda a gente estava a fazer por ali!



Estava perto de Bosanska Krupa e as pessoas eram simpáticas e sorriam para mim, ao verem-me meio encolhida, é que a água estava tão fresca que o contraste com a temperatura do ar era brutal e eu estava muito quente de vir exposta ao sol, na moto!



“Entrei na Bósnia em paz, uma carimbadela no passaporte e um país simpático à minha espera! Como era de imaginar não difere muito da Croácia, a paisagem verde, um rio magnífico sempre ao meu lado, o rio Una, limpo que desde a estrada se lhe podia ver o fundo e mais á frente Bosanaska Krupa. As pessoas olhavam para mim quando eu passava e o ambiente era acolhedor. Ninguém falava inglês quando eu tentava comunicar ou perguntar algo mas sempre os entendi e eles sempre se fizeram entender! Vou descer a Croácia e voltar a entrar no país, deixou uma enorme curiosidade em mim!”



Os restaurantes têm à porta assadores, com cordeiros a assar no espeto, como nós fazemos com o porco. Por ali ninguém come porco porque são islâmicos, mas o cordeiro serve bem! É simplesmente delicioso!



Com o rio logo ali atrás, é só vestir qualquer coisinha e sentar à mesa!



E foi o que fiz! Isto de conduzir, e nadar, e apanhar calor e tal, dá cá uma fome!



Por esta altura o termómetro da minha motita acusava 50º com demasiada facilidade! É claro que não estaria exatamente esta temperatura, estariam uns 48º ou 49º, mas bastava abrandar um pouco o andamento que aquilo subia logo para 50 e depois começava a piscar, julgo que porque a maquineta não tem capacidade para medir mais acima do que isso!



Aproximava-se chuva! Só podia ser, com temperaturas tão elevadas!





Fui beber mais qualquer coisa fresca enquanto a chuva começava a cair! Nada demais, apenas uns pingos!



Percebi pelo cuidado que o rapaz estava ter em recolher tudo o que estava na esplanada que se calhar não seria “apenas” chuva!



E não era!

Era o diluvio, a tempestade e a barulheira total que se aproximava e que caiu sobre mim!

Cheguei à fronteira e ao ir buscar o passaporte ao tablier da moto, a água que me corria pelo braço era tanta que mais parecia uma cascata. Tive de fazer uma ginástica para não molhar tudo… ou antes, para molhar o menos possível!

Estava tudo certo e eu preparava-me para seguir, quando o polícia me diz “espere!” e disse aquilo com uma urgência que eu pensei que havia algo de errado “não vá já, espere um bocado que está a chover muito!” explicou ele!

E eu esperei! Parei a moto junto de outros carros, abrigada por uma cobertura, ali ao lado, mas o tempo não iria melhorar! Podia-se ver que era muito extensa a área de céu carregado que nos envolvia! Eu tinha de seguir, depois Zagreb era suficientemente longe para eu ter a esperança de sair da tempestade ao ir para lá!



E foi um filme de terror completo sobre duas rodas! Ele era vento, chuva e trovões a toda a minha volta! Eu nem sabia se devia seguir ou se devia parar! Logo à frente a tromba de água foi tão forte que parei, eu e todos os carros, porque a rua era já um rio cuja água me chegava aos pés!

Um senhor quis-me abrigar na sua casa e como eu recusei, foi chamar a mulher, para eu ver que ele não estava sozinho! Como eu mesmo assim não fui, vieram eles para cá para fora, para o alpendre onde eu me abrigara, fazerem-me companhia! Gente boa!

Houve momentos ao atravessar a zona mais montanhosa, mais à frente, em que nem via mais a estrada. Anoitecera, trovejava intensamente muito perto e as pingas da chuva pareciam rajadas de metralhadora sobre mim! “valha-me Deus, se essas flashadas me acertam não ficará ninguém para contar como foi!” pensava eu enquanto cantarolava ao som da musica e me sentia feliz por não ter qualquer medo de trovoadas!

Quando cheguei a Zagreb, pus tudo a secar no estendal e fui-me encher de comida, sob o olhar atónito dos hóspedes que não acreditavam que eu tinha chegado de moto no meio de tal vendaval!

E foi o fim do 11º dia de viagem!

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Carlos Balio em Seg Set 30 2013, 09:39

Fabuloso Palmas
Estas crónicas além de nos proporcionarem "viajar no imaginário", são também um ótimo incentivo para voltar a pedir que continues...
Obrigado mais uma vez, aqui atribuo mais um Mérito , acompanhado de uma merecida Vénia 
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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Seg Set 30 2013, 12:37

10 de agosto de 2013

E foi este mais um dia de pausa no meu caminho.

Depois de tanto calor, de uma série de quilómetros já percorridos e de muita coisa já visitada, era hora de parar, como um tomar balanço para entrar definitivamente em terras mais desconhecidas, pois afinal, a partir da Croácia iria percorrer uma série de países nunca antes visitados por mim!

Estava de novo muito calor, definitivamente ainda não passara o inferno dos quarenta e muitos graus!

A cidade é muito bonita, voltei a passear pela Cidade Alta ou Gornji Grad, porque não iria andar de moto naquele dia. Tinha de descansar as mãos!

Perguntam-me frequentemente se eu não fico arrasada das costas numa viagem tão longa, ou se não me dói demasiado o rabo, de conduzir tanto tempo por tantos dias! Não, as costas nunca me doem! Não sofro da coluna e conduzo muito direitinha o que, com a ajuda da cinta que uso sempre, me faz sentir sempre confortável mesmo depois de todos os 17.000 km que fiz! O rabo de vez em quando começa a querer doer, mas basta mudar um pouco a posição no banco e passa, para isso é que serve o banco de gel afinal!

É das mãos que eu sofro mais! Tenho as mãos muito frágeis e conduzir, eternamente agarrada a um guiador, chega a ser doloroso! E não há forma de conduzir sem mãos, ou apenas pousando-as levemente do guiador, como se faz num carro, por isso há que aguentar, trocar de luvas regularmente e descansar de vez em quando!

Desta vez, ainda por cima, levava o dedo polegar direito incapacitado o que dificultava, não só a condução, como o desenho! Mas mesmo assim fiz alguns desenhos muito bonitos! A minha teoria é que, se eu ficar sem um dedo não deixarei de ser quem sou, por isso fiz tudo o que gosto de fazer, apesar da dor, apesar da dificuldade!

E foi o que andei a fazer por Zagreb, a passear, a petiscar e a desenhar! Um dia para prazeres sem moto!

A Trg bana Jelacica é a praça central da cidade onde tudo parece ir dar, autocarros, táxis, metro de superfície! Testemunha de grandes episódios da história da cidade e do país! Lá estava a estátua equestre de Ban Jelacic o libertador da Croácia do poder da Hungria!



A fonte Mandusevac esteve subterrada por muito tempo, desde que ao pavimentarem a praça no séc. XIX a cobriram. Há apenas 20 ou 30 anos descobriu-se que ela estava lá, debaixo do chão, enterrada e voltaram a traze-la à superfície!

Está ligada à fundação da cidade e a sua água é potável! Há várias lendas sobre ela, uma diz que se atirarmos uma moeda para as suas águas os nossos desejos serão realizados, outra diz que se bebermos da sua água nunca mais esqueceremos Zagreb, até ao fim da nossa vida!



Ali ao lado encontrei uma livraria com uma publicidade que me despertou a atenção! A Gabriela chegou à Croácia! E a publicidade dizia:

“Gabriela, klincic i cimet
uzbudljiva knjiga najpopularnijeg brazilskog klasika
slavi zivotnu radost i neobuzdanu senzualnost”

Que é o mesmo que dizer:

“Gabriela, cravo e canela
Um livro emocionante dos mais populares clássicos brasileiros
celebra a alegria da vida e da sensualidade desenfreada”

Aprendi croata num instante! eheheheh



E dali embrenhei-me pelas ruínhas pitorescas e frescas, sobretudo frescas, que o calor era impiedoso!



Que coisa linda as ruelas cheias de esplanadas e guarda-sóis e gente simpática e sorridente!



E cerveja fresquinha a acompanhar uma série de desenhitos simples, sobre pessoas e ambientes!





Há recantos por ali que mais parecem de brincar de tão “mimis”!





A torre da Igreja de Stª Maria, (Crkva Sv Marije) que fica acima, junto ao Mercado Dolac, podia-se ver por cima dos telhados das casinhas!



E pelas nesgas, que eram as ruelas transversais, a catedral impõe-se, com a torre já restaurada e destapada bem visível cá de baixo.



Subi até ao Mercado de Dolac. Afinal eu nunca o tinha visto sem atividade! Fui recebida pela estátua em bronze de uma feirante a quem tinham acrescentado um ramo de flores à sua carga!



Voltei à catedral, já que no dia anterior estava em missa quando lá tentei ir.







E estava de novo em missa! Valha-me Deus, são muito misseiros os croatas! Valeu pelo fresquinho que se fazia sentir lá dentro!



Ok, ok, já sei que não posso tirar fotos quando as igrejas estão em oração, mas pelo amor de Deus, eu só vou voltar cá daqui a não sei quantos anos, deixem-me pelo menos tirar uma ou duas! Pronto, umazinha só, tá?



Voltei para a rua onde se pode tirar todas as fotos do mundo às ruelas encantadoras e aproveitei para ir às compras, já que as minhas calças pretas tinham perdido tanta cor quanta eu tinha ganho! Estavam completamente castanhas na zona dos joelhos! Comprei umas novas em napa, assim o sol não deveria ter potencia para lhes comer a cor!



E não fiz mais nada naquele dia para alem de passear, comer, beber, desenhar e, à noite, conviver com os hospedes da pousada que se fartaram de me fazer perguntas sobre quem eu era, de onde vinha, para onde ia e se escandalizavam ao perceber que eu nem a meio da viagem ia e já tinha visto muito mais que eles, mesmo alguns que andavam na estrada há mais de um mês, mas de mochila às costas, de comboio em comboio!

E foi o fim do 12º dia de viagem!

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Elisio FJR em Seg Set 30 2013, 16:56

Vivemos uma vida, sonhamos com outra mas a verdadeira é a que sonhamos!!!

A Gracinda não faz da sua vida um rascunho pois ela sabe muito bem que pode não haver tempo de passar a limpo!!!

Depois de vários dias fora (onde não me foi possível vir cá), decidi dedicar um par de horas ao M&D e propositadamente deixei a Gracinda para o fim ... Aqui no M&D não há melhor negócio que esta crónica, temo-la a troco de nada!!!

Levaste com 3 M's

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Gracinda Ramos em Seg Set 30 2013, 17:04

@Elisio FJR escreveu:Vivemos uma vida, sonhamos com outra mas a verdadeira é a que sonhamos!!!

A Gracinda não faz da sua vida um rascunho pois ela sabe muito bem que pode não haver tempo de passar a limpo!!!

Adorei e dei-te um mérito por isso! Dar flor 

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

Mensagem por Ramos Pinto em Seg Set 30 2013, 18:03

Com tamanha produção...não dás descanso à gente ... E AINDA BEM !

Estas últimas são um sonho...cravado na realidade do teu sentir como mulher e como Motard.

Por elas 2 Mérito  e obrigado.

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Re: Passeando pelos Balcãs... rumo à Roménia!

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