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Rota TransPirenaica #2013

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Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Seg Set 16 2013, 10:47



Então foi assim:



3000kms a subir e descer:



Inicio:07:09:2013 15:44:08
Fim: 14:09:2013 18:09:47

Distância total percorrida (GPS): 3066kms

Tempo Total: 170h25mn39s (Andamento: 54h22mn42s + Paragens: 116h02mn57s)

Altitude Mínima: 5m
Altitude Máxima: 2236m
Altitude Média: 650m

Velocidade Média (andamento): 56km/h

Distribuição de velocidades:
<60/h: 22.8%
<100/h: 29.4%
<150/h: 47.7%
+149/h: 0.1%




Cumps!


Última edição por Cobra em Sex Set 20 2013, 13:48, editado 1 vez(es)

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Elisio FJR em Seg Set 16 2013, 11:43

Parece-me tudo muito bem mas onde está a crónica???????????????

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Seg Set 16 2013, 12:41

Eh eh... Isto é só um cheirinho...

As crónicas (minha e do Rui) ainda estão no forno a alourar... Smile

Cumps!


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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Qua Set 18 2013, 10:32

Dia 01.

A aventura começou efectivamente de véspera - passo a explicar. A data de partida estava definida para dia 8, o Rui estava de férias no Norte e só regressaria no sábado dia 7.
Para dia 8, tínhamos pela frente uns ambiciosos 900kms até Pamplona. Uma boa estucha. mas nada de incomportável, já fizemos bem pior num só dia (Lisboa-Lérida, uns 1000 e picos).
A nossa localização geográfica assim o obriga, sempre que queremos viajar pela europa, temos de "gramar" Espanha em toda a sua longitude.
Dado que seriamos apenas os dois a viajar, avancei com a hipótese de partirmos a distância a "meio" com uma dormida em casa de família ali para a bonita região do Alto Douro.
Assim, saindo ainda no Sábado ao fim da tarde, dormiríamos já próximo da fronteira, cabendo depois o resto do trajecto até Pamplona para o Domingo.
O Rui só teria de fazer a viagem para baixo de carro e depois para cima de mota Smile
Assim foi, pelas 16h e tal, encontrávamo-nos em Lisboa para fazer a A1 até Torres Novas e daí a A23 até à Guarda.
Tigers atestadas com rodados na pressão correcta e siga para Norte.
Fizemos a A1 com um vento do caneco, sempre a levar lambadas no capacete. Quando mudámos o rumo para Este, já na A23, a coisa ficou melhor.


aqui durante um abastecimento na A23 na estação de abrantes

Como estávamos com tempo, tentámos reduzir a absurda conta que é fazer a A23 de uma ponta à outra (cerca de 16,75€).
Saímos para o IP2 depois do Fratel, e voltámos a entrar em Benquerenças. Finalmente, depois de passar o Fundão, cortámos para a N18 e daí seguimos até à Guarda.
É uma estrada que se faz bem quando se vai com vagar, passando por algumas localidades interessantes como Belmonte.
Ao todo devemos ter poupado uns 6€ e gasto mais 35 minutos, o que é mais que razoável.
Na Guarda, abastecemos mais uma vez, e daí seguimos em direcção a Figueira de Castelo Rodrigo. Tinha ali um percurso por Pinhel que achava eu nos evitaria um pórtico da A25, mas por qualquer razão o meu navegador de serviço achou que o melhor era mesmo passar pelo pórtico… Assim acabámos por fazer o caminho mais rápido, que é passando pela bonita vila de Almeida. Infelizmente hoje não havia tempo para visitas e passámos por Almeida com o Sol já a pôr-se.
Finalmente Figueira de Castelo Rodrigo. Dali até casa são mais cinco minutos. Seriam umas 20h45 quando chegávamos à aldeia (Vilar de Amargo) onde iriamos dormir.
Já estava o jantar à nossa espera. Estacionámos as Tiger à porta e fomos ao garfo! Aqui a ementa é sempre petisco - enchidos, queijos, caldeidaradas, feijoadas, mariscadas, cabrito, coelho, javali, bacalhau, eu sei lá... Cada vez que venho aqui vou para baixo com mais dois quilos.
Hoje esperava-nos uma bola de carne da região, um bacalhau assado na brasa à moda do chefe, seguido de uma deliciosa carne assada... Tudo isto claro regado com pinga da região, que é coisa para a qual não desperto, uma vez que não toco no tinto... A minha cena é mais "bolos", e felizmente para acabar, o clímax, uma fantástica tijelada típica, daquelas feitas mesmo com ovos de galinhas poedeiras!...
Quando entrámos na aldeia reparámos que estava o arraial montado na praça da torre do relógio... Para nossa sorte ou azar era dia de festa, da Nossa Senhora dos Remédios.
Aviados e cansados, dispensámos o baile, até porque da minha parte tenho dois pés esquerdos e cada vez que vejo uma concertina sobe por mim acima uma fúria capaz de me fazer enrolar o dito instrumento à volta do pescoço do músico. Com a festa na aldeia, não iria ser fácil reclamar o devido descanso. Ainda tentei deixar-me levar pelo cansaço e fechar os olhos naturalmente, mas o baterista da banda parecia estar em esforço, o que me obrigou a enfiar uns belos tampões nos ouvidos. Só voltei a acordar com os morteiros, dois grandes balázios capazes de acordar os falecidos no cemitério. Depois foi o descanso até de manhã. O Barradas vinha estourado de tanta estrada e dormiu que nem uma pedra, não houve artista ou instrumento que o incomodasse.
De manhã lá estávamos a postos para seguir viagem, coisa que fizemos depois de tomar o pequeno-almoço e despedidas. Soube bem fazer aqui uma paragem, pela recepção e pelo jeito que nos deu.
Como íamos com tempo, levei o Barradas até ao topo da Marofa, ficava de caminho e ele não conhecia.


tigras na marofa

O fogo andou por lá, e chegou à estrada.



Parte de uma encosta estava negra, mas lá em cima o encanto da vista com o Cristo Rei continua intacto.



cristo rei da marofa contemplando castelo rodrigo.

Daqui avista-se Castelo Rodrigo, a vila muralhada e seu castelo no topo do monte. Logo de seguida a Figueira de Castelo Rodrigo aos pés da encosta.




Não será preciso mais descrições, creio que as fotos falam por si.


antenas da marofa

continua...

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Qua Set 18 2013, 10:32

Tínhamos decidido passar a fronteira por Saucelle (mais a Norte), em vez de sair por Vilar Formoso. Isso permitir ia-nos fazer duas coisas - atravessar o Douro por Barca Dalva (magnífico local), e fazer parte da fantásticas curvas da N221 que às tantas ladeia o Douro a Norte a partir de Barca Dalva. Quem não conhece essa estrada (troço Escalhão-Freixo de Espada à Cinta), tem de lá ir, vale a viagem.
Fizemos a N221 até Barca descontraídos a curtir a estrada e paisagem.
Ainda antes de atravessar o Douro decidimos fazer uma paragem no que resta da antiga estação internacional da linha do Douro.



Em tempos idos, este lugar acolheu muita gente, era por aqui que se entrava e saía de Portugal. Hoje pouco resta, o edifício foi murado, os hangares estão podres, e grande parte dos carris da linha foram roubados.




Atravessámos o Douro e continuamos pela N221. Mais a diante seguimos pela barragem de Saucelle e subimos até ao miradouro que nos dá uma vista privilegiada do Douro e das suas margens.


vista do miradouro de saucelle



Depois foi seguir pela nacional até Salamanca, atravessando a paisagem rural que aqui predomina. Muito gado nesta região, algum pelo caminho.

Em Salamanca entrámos pela Autovia de Castilha, felizmente bom piso e de borla. Aí nos mantivemos até Burgos onde termina. Qualquer coisa como 250kms feitos.
Daqui seguimos por nacional, o que soube bem. Passámos Logroño e continuámos em direcção a Pamplona. A paisagem por aqui é interessante e a estrada agradável de fazer (rápida, bom traçado e bom piso).
Num abastecimento encontrámos dois companheiros entradotes, cada um na sua Moto Guzzi. Achámos que seriam italianos, mas não, eram alemães. Andavam numa volta um pouco ao acaso.
Estivemos ali uns minutos a falar. Explicámos-lhes para onde íamos, e eles de onde vinham. Tinham andado nos Picos, mas com pouco sorte, só apanharam chuva... E nós a ver vamos o que nos calha lá para a cordilheira onde vamos.
Depois acabámos por seguir todos juntos. As Tigras à frente... Às tantas o mais experiente deles ultrapassa-nos, o tipo andava solto, sem grande preocupação dos limites de velocidade.
O colega deles ficou no fim da caravana. Seguimos assim uns quilómetros, até que deixámos de ver o alemão que seguia atrás. Rodei o acelerador para alcançar o que seguia à frente, para avisá-lo, o tipo não parecia muito preocupado, ia a curtir a mota e o cenário.
Acabámos por parar todos. O Barradas avisou-o que o companheiro tinha ficado para trás, o tipo respondeu que provavelmente tinha parado para uma foto. E nisto seguimos, deixando o alemão à espera do outro.
Não esperou muito, depois de arrancar logo avistei o farol da mota no fundo da estrada. A partir daqui distanciamo-nos dos dois e seguimos o nosso caminho até Pamplona, que alcançámos pelas 20h00 já ao cair do dia.

Reservámos um hotel no limite da cidade, fora da confusão. Tinha garagem para as motas e o preço era bom. Pamplona não estava no nossos planos de visita, seria apenas um ponto de paragem para alcançar o nosso propósito, os Pirenéus.
O hotel tinha boa pinta, e chegámos lá contornando a cidade, o que acabou por ser cómodo. Depois de instalados, saímos à rua à procura de jantar. Para surpresa nossa, o movimento era nulo. Ninguém na rua e quase tudo fechado.
Ou é do bairro, ou então o pessoal aqui rege-se por outras regras. 21h00 nalguns lugares de Espanha é precisamente quando começa a fiesta. Demos uma volta rápida, e o melhor que arranjámos foi um restaurante chino!
Um restaurante chinês típico, mesmo ao lado do hotel, bastante amplo... Lugar para mais de 50 pessoas, e só lá estávamos nós dois Smile



Mandámos vir umas misturas daquelas, como temos por cá. Estava tudo bom e em conta... Bom, pelo menos hoje com fome não ficámos.


os guardanapos faziam um efeito esquisito

Depois regressámos ao hotel, que já refrescava na rua. 30 minutos de net, actualizar facebook, consultar o tempo e de seguida estávamos a preparar-nos para dormir.
Amanhã vem o que interessa, Pirenéus…

continua...

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por mistralV104 em Qua Set 18 2013, 11:26

Muito bom! Palmas

A aguardar a continuação e entretanto sai um Mérito para te manter motivado! Fixe 

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Qua Set 18 2013, 21:47

Dia 02.

Acordámos, rotina da manhã e arrumar malas. Tínhamos decidido tomar o pequeno-almoço pelo caminho. Hotel pago, motas carregadas, siga o caminho.


já preparados para seguir viagem.

Saímos de Pamplona por fora, como entrámos, evitando o centro da cidade.

O tempo estava inconstante com o céu a alternar entre o azul e cinzento.

Seguimos pela Autovia del Priineo, até próximo de Sanguesa, aí saímos para a nacional para abastecer numa estação de serviço. Em Portugal estamos mal habituados, com estações de serviço à beirinha da estrada de um lado e do outro, se faz favor. Os nossos “hermanos” têm o hábito de racionar os postos de abastecimento. Apenas um único para os dois sentidos e por vezes esse dá serventia a várias vias. Quem precisar que dê as voltas para lá chegar.

Este por acaso até estava um pouco mal enjorcado. Enfiado numa rotunda entrava-se por um lado, saia-se pelo outro, mas sem nos livrarmos de dar ali umas voltas.
Aproveitámos para tomar ali o pequeno-almoço, na cafetaria de um hotel mesmo ao lado.
Estava fresquinho e talvez isso justificasse as poderosas sandes que os espanhóis mandavam abaixo logo às 10h da manhã… Acompanhadas claro, com tinto e cerveja… Aqui trabalha-se, pensei eu.

Para nós, um café com leche e uma napolitana bem grande para cada um, e está feito.

Como queríamos fazer a nacional que circunda a albufeira de Yesa, achámos que já não precisaríamos regressar à autovia e podíamos seguir logo por ali… Pressuposto errado. Dali a estrada segue pela margem Este à distância. O que pretendíamos era precisamente o contrário, rodar a Oeste e próximo da água. Depois de dois ou três quilómetros, mudamos o sentido e regressámos à autovia seguindo o itinerário marcado pelo GPS.

Finalmente uns quilómetros adiante saímos da via rápida. Logo ali tive de fazer uma paragem para ajeitar o material cinematográfico, parece que ia torto segundo o Barradas, e ia mesmo. Nesse momento passou um grupo de franceses por nós, uma multistrada e umas BMs entre outras… Nenhuma inglesa.

Continuámos, mas não por muito tempo. Estrada cortada devido a obras… Ora bolas!... A passagem pelo lago começava a ficar comprometida. Disseram-nos para regressar à autovia e sair na próxima, uns 5kms adiante… Não nos livramos desta bendita via rápida… Assim fizemos, ainda apanhámos um pouco do lago, mas manifestamente um troço muito curto. Para trás tinham ficado talvez uns 8kms de estrada mais interessante.



Passámos por Jaca, sem lá parar e daí seguimos ao lado da autovia até Sabinanigo. Demos uma volta por ali e parámos para o Rui conseguir levantar dinheiro numa caixa. As Tiger ficaram meio arrumadas à beira da estrada e logo dois velhotes espanhóis bem dispostos se aproximaram. Queriam conversa… Um deles dizia que já tinha sido motard. Eram simpáticos, perguntaram-nos por onde íamos, e que andava por ali a prova da Vuelta. Não nos alongamos muito, seguimos rumando para Norte.

Circundámos a albufeira de Búbal que não levava muita água, e logo depois já próximos da fronteira o trânsito abrandava. Ficámos com receio, já tínhamos avistado os placards electrónicos a avisar de estrada cortada por causa de prova ciclística…

Afinal seria só uma operação de fiscalização da guardia-civil. Passámos sem chatices e em breve estávamos a chegar ao nosso primeiro Col (ou pico), o do Pourtalet (1794m) que marca também a fronteira entre Espanha e França.



O tempo estava fantástico, céu azul com algumas nuvens clarinhas.



Parámos as motos para tirar umas fotos e apreciar o cenário.



Muito movimento, apesar de ser época baixa (aqui tudo funciona em plenitude nos meses de frio).



Umas quantas casas de negócio a funcionar, café, restaurante, bazar, roupas e souvenirs. Algum pessoal a curtir o Sol na esplanada.





Estávamos finalmente nos Pirenéus, mas propriamente do lado gaulês.

Logo que passámos o Pourtalet estenderam-se à nossa frente aquelas enormes encostas e vales verdejantes, um verde vivo e autêntico que parece que não se esgota. A humidade aqui está presente o ano inteiro e será provavelmente a isso que se deve este tapete magnífico.

E nisto estavam horas de almoço, que aqui não se come tarde.

Parámos na primeira localidade que nos apareceu (Gabas), num restaurante à saída da mesma.




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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Qua Set 18 2013, 21:47

Ficámos na esplanada no exterior onde se encontravam duas jovens a terminar o almoço. Vinham carregadas as raparigas, com aquelas mochilas enormes de meter às costas. Estavam descalças e com os pés bem machucados, andavam a descobrir a região a pé…



Sentámo-nos e aguardámos que nos vissem atender. Entretanto tínhamos espreitado o menu afixado… Mas infelizmente (ou felizmente), estavam à aguardar um grupo, de modo que a ementa estava sem efeito… Mesmo assim, não ficaríamos sem almoço, tinham em abundância um prato típico daqui, a “Garbure”. Uma das raparigas caminhantes recomendou-nos o pitéu, de modo só poderíamos aceitar.

Este prato é essencialmente um caldo de pato com vegetais. Aqui praticamente todos os restaurantes o têm na sua ementa.

Ficámos a saber mais tarde que era originalmente um prato de pobre, e que geralmente não há dois iguais, pois para além do pato cozido os ingredientes que se utilizam são basicamente o que houver no momento na despensa.

Passado pouco, veio um panelão para a mesa.



Que me recorde, para além do pato (ou da pata) o caldo tinha em abundância, cenoura, cebola, alho poro, batata, nabo, feijoca e provavelmente outras coisas que já não me lembro ou não detectei…



Estava bom, e apesar deste tipo de comida não ser muito o meu género, quando vou a algum lugar gosto de provar o que por lá se come.

Fomos despejando a panela, sem no entanto lhe ver o fundo. Não porque não estaríamos a apreciar, mas porque efectivamente a quantidade era muita. As nossas amigas já despachadas carregaram a trouxa e seguiram despedindo-se e desejando um bom dia… Só pela simpatia, teríamos lhes dado uma boleia, não fossem elas na direcção oposta.

Despachado o prato principal, eu queria era saber da sobremesa… Smile

Entre várias coisas, a tarte de mirtilo chamou a minha atenção, e pelos vistos também a do Barradas… Ora, duas "s’il vous plaît".

Grande aspecto… E para que conste, melhor estava…



Uma massa areada coberta com doce de mirtilo, acompanhada com pêssego em calda de baunilha, molho inglês e uma flor de chantilly… Caneco, assim dá gosto acabar uma refeição!



Saboreamos aquela boa dose de açúcar e ficamos ali um pouco à conversa.



Volta não volta, passavam um ou dois ciclistas, já se começava a notar o movimento do pessoal do pedal.



Pedimos a conta (modesta, diga-se) e seguimos caminho em direcção ao próximo Col (pico).

A estrada ia serpenteando pela encosta com vistas deslumbrantes. Estava a encher-nos a vista.



Passámos pela localidade de Gourette e logo a seguir parámos no miradouro para tirar umas fotos.


as tigras parqueadas no miradouro, a exibir os seus traseiros sexys

Já por aqui se via ciclistas em barda, para cima e para baixo.




vistas para gourette




O raio da paisagem por aqui é magnífica.




vista do outro lado do miradouro


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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Qua Set 18 2013, 21:48

Mais umas curvas a subir e finalmente o Col d’Aubisque (1709m). Local espantoso com algum movimento. Alguns turistas e ciclistas. Este é geralmente um ponto de passagem da prova de volta à França, pela subida dura que tem.





Para além dos curiosos e dos amigos do pedal estavam por ali também uns simpáticos cavalos.



Há por aqui muitos, todos da raça Merens. Têm um porte estranho, e parecem resultar de um cruzamento entre cavalo e pónei. São grandes, mas não muito altos, mas redondos, com umas patas poderosas.

E claro, por aqui também encontrámos vacas... Destas:


a apreciar a tranquilidade da paisagem

Andam por todo o lado e têm uma aspecto bem saudável, provavelmente por viverem no meio deste paraíso verde.



Em homenagem ao ciclismo e ao Tour de France, foram ali postas três bicicletas gigantes que fazem as delícias dos turistas.





Naturalmente também tirámos uma foto com elas.



Depois de umas quantas fotos, voltámos às Tigers e seguimos caminho.



Próximo ponto, Col du Soulor (1474m).

Este mais discreto (sem esculturas ou monumentos pelo menos), mas não menos frequentado.





Novamente, gado solto um pouco por todo o lado…







E muita gente a pé a curtir a natureza…





Estivemos ali uns 15 minutos antes de voltar à estrada e seguir o nosso caminho.



Começámos a rumar para Sul em direcção ao nosso destino, o lugarejo de Gavarnie.

Passámos por algumas localidades. Atravessámos Argelès-Gazost e Luz-Saint-Sauveur com algum calor, o tempo estava óptimo. Finalmente enfiámo-nos pelo vale passando pela aldeia de Gèdre que fica a uns 5kms de Gavarnie.



E chegávamos a Gavarnie ainda com luz do dia.



Garvanie fica num ponto sem saída, virado para umas das maiores maravilhas naturais dos Pirenéus, o “Cirque”, ou o Circo de Gavarnie.



Trata-se de um anfiteatro natural de origem glaciar com cerca de 800m de largura no ponto mais baixo. No seu interior corre uma cascata, a que é conhecida por ser a maior da Europa, cerca de 420m de queda de água.

A aldeia está situada a cerca de 4kms do antiteatro, sendo o acesso até lá feito a pé. Algo que tínhamos guardado para a manhã seguinte.




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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Qua Set 18 2013, 21:49

Seguimos com as Tiger até próximo do nosso hotel. A proprietária de nome Sylvie, muito simpática veio nos acolher e orientar para estacionarmos as inglesas na parte de trás do hotel num parque improvisado. Ficaram ali bem, montadas no descanso central.

Outra rapariga mais nova apareceu para nos ajudar com as malas. Uma andorrana simpática que queria carregar as malas das Tigers. Dissemos que não seria preciso, que eram pesadas.

As moças estavam preocupadas que dessemos umas porradas valentes nas paredes que tinham sido revestidas a papel recentemente. Tranquilizámo-las, assegurando que apesar deste aspecto rebelde que tínhamos, íamos fazer o devido cuidado. Tudo ali estava no devido sítio, arranjadinho, percebia-se que o local era mantido por senhoras.

Instalamo-nos no quarto, com vista para o Cirque como nos tinham anunciado.

Deixámos os carregadores a trabalhar, mas aparentemente faltava luz no quarto. Descemos, alertamos a Sylvie para o problema e saímos para dar uma volta.

Fomos espreitar o caminho para o Cirque, para ver o que nos esperava amanhã de manhã.





Depois de andar alguns metros, percebemos logo que era muito promissor, e continuámos mais um pouco.



O dia estava a pôr-se, ainda conseguiríamos chegar à cascata, mas o regresso seria seguramente feito de noite.





Voltámos para trás, deixando a caminhada até à cascata para amanhã.





Voltámos a Gavarnie à procura de jantar.



Demos por ali uma volta.


felizmente "garages" (oficinas) não foram precisas

A aldeia não é grande e vê-se em pouco mais de meia-hora.



Tudo aqui é muito caro, e por esta altura em época baixa está quase tudo fechado não havendo grandes opções.





Acabámos por escolher um restaurante perto do hotel com esplanada.

Apesar da temperatura estar a baixar rapidamente optámos por ficar do lado de fora e mandávamos vir um “plat du randonneur”  que é o mesmo que dizer, “o prato do caminhante”. É

certo que não andámos muito, mas tratávamos já de acumular para amanhã.



Na verdade nada de especial ou muito elaborado. Salada, presunto, queijo de cabra, dois ovos e batata frita… Nem com os crepes de chocolate que se lhe seguiram fiquei impressionado.



Impressionados ficámos depois, quando nos pediram mais de 15€ por cada jantar… Bem, na verdade estava alinhado com os preços praticados por aqui, e também verdade seja dita, não sendo famoso, não ficámos com fome.

A meio do jantar apareceu a Sylvie a dizer-nos que o problema da luz estava resolvido. Segundo ela seriam os nossos carregadores que deram cabo do quadro. Um problema qualquer de potência eléctrica que havia por ali. OK, tudo bem, carregamos à vez…

Depois de matutarmos um pouco sobre isso, não pareceu que fizesse sentido… Dois intercomunicadores a consumir no máximo 1 âmpere, mais uma câmara a consumir outro não faria seguramente mais mossa que uma lâmpada… Aí o Rui lembrou-se de uma ficha tripla que tinha colocado. Lembrou-se que no dia anterior não a tinha utilizado no hotel em Pamplona…
Estava aí a fonte do problema, o raio da tripla devia estar em curto.



Regressámos ao hotel, e depois de umas experiências, confirmou-se… A tripla do Barradas estava nas lonas. Bastou não utilizá-la para podermos carregar tudo o que nos apetecia…

A Sylvie entretanto disse-nos que se previa pioria de tempo para amanhã… Boa.

Viemos munidos com a roupa e calçado apropriado, desde que não estivesse a pingar a cântaros… Bom, amanhã logo vemos.

Sem wifi ou coisa que o valha para entreter, fomos à deita, até porque amanhã o acordar seria cedo de modo a podermos fazer a caminhada de manhã e seguir rolando da parte de tarde.

continua...

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por mistralV104 em Qui Set 19 2013, 08:22

MUITO BOM!! Que paisagens e as fotos fantasticas! cheers Sai mais +1 

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por jazzmd em Qui Set 19 2013, 11:19

Fabuloso!

Um poço de ideias para viagens futuras! Mérito 

Abraço

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Elisio FJR em Qui Set 19 2013, 11:45

Absolutely no doubt, espectacular viagem e relato ao mesmo nível!

Fico a aguardar pela continuação!

M

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por filipeoliveira em Sex Set 20 2013, 15:56

Muito bom e com fotos de excepcional qualidade !! Deixa aproveitar e tirar uns apontamentos para quando o GPS mandar para esses lados !!

Mérito mais que merecido !!
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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Sex Set 20 2013, 18:56

Dia 03.

Acordámos cedo e espreitamos cá para fora o tempo. Não estava nada famoso, tudo coberto.

Despachamos a rotina da manhã e descemos para o pequeno-almoço.

Cá em abaixo já estava um grupo a preparar-se para uma caminhada. Uns dez velhotes franceses, bem dispostos, equipados até aos dentes e acompanhados de um guia. Levavam farnel, o que indiciava que a caminhada seria grande... Ou então iriam devagar.

Rapidamente se fizeram ao caminho e ficámos a sós na sala para tomar o pequeno-almoço.

Já estava na mesa o pão, croissants, manteiga e doces quando se sentou na outra ponta da mesa um individuo de aspecto intrigante. Aparentava ter uns 50 e muitos/60 e poucos e, ou via mal ou estava muito intrigado com o que nos tinham acabado de servir, pois chegou mesmo a esticar o pescoço para espreitar.

Veio o café para nós, e pouco tempo depois também para o fulano.

Às tantas o tipo não resistiu e meteu conversa, começou a falar em espanhol para nós, acho… Respondi que éramos portugueses, e que estávamos por aqui a passear de mota.

"Ah, então foram vocês que estacionaram ao lado do meu carro, não lhe fizeram um risco? não?" – disse-nos ele.

Quando comecei a querer dizer-lhe que não, que tínhamos tido cautela, o tipo esboçou um sorriso dizendo que estava a brincar, e que não ligava nenhuma a carros.

Afinal o tipo era bem disposto e apenas queria falar um bocado.

Estivemos ali a falar um pouco, o senhor era de Marselha, coisa que desconfiei logo pelo sotaque, o pessoal do Sul de França tem uma maneira de falar cantarolando, nota-se logo.
Disse-me que já tinha estado em Portugal, em Lisboa e no Porto e que adorava a nossa comida. Falou-me também que tinha 68 anos e que gostava de fazer caminhadas e comer bem. Enganava, não lhe daria 68, pelo menos pelo aspecto e genica que o homem aparentava.

Falamos de mais umas coisas durante o pequeno-almoço, e depois percebemos que ele iria fazer a volta maior do Cirque. Há por aqui muitos percursos a fazer em Garvanie, e várias opções em redor do Circo. A volta mais pequena (a que íamos fazer), que é basicamente ir da aldeia até ao pé da cascata são cerca de 4kms e picos para cada lado com cerca de 200m de desnível, algo para fazer nas calmas em 3h (ir e vir). Depois há mais opções em redor da cascata para dia inteiro, 8 ou mais horas. Para quem goste de andar pela natureza, este lugar é um pequeno paraíso.

Depois do pequeno-almoço tomado, fomos libertar o quarto, deixando as Tigers já carregadas, prontas a arrancar no nosso regresso… E depois, finalmente saímos para dar às pernas.

Estava mais para chover que para outra coisa. Curiosamente não estava muito frio.

Durante a noite tinha-se instalado um capacete de nuvens por cima de Gavarnie que trouxe com ele um raio de uma humidade.

Passámos pelos cavalos e burros à saída da aldeia. É possível fazer o passeio nestes por 20 a 30€… Até poderíamos fazê-lo, mas não era a mesma coisa… Fomos antes a pé.



Refizemos o caminho até ao rio que tínhamos feito de véspera, e continuamos em direcção ao Cirque que nunca se perde de vista durante toda a caminhada.





Por esta altura já pingava uma chuva miudinha.

O percurso é fabuloso, o piso é bom e no início é mais ou menos plano, seguindo sempre junto ao rio.



A paisagem é fabulosa, e do género a que não estamos habituados. Uma espécie de vale forrado com um tapete verde abundante e encostas repletas de pinheiros alpinos (do género pinheiro de natal).



Pelo caminho fomos cruzando com uns quantos velhotes. Devo dizer que por esta altura já estávamos a desconfiar que tínhamos descoberto para onde os reformados franceses vêm passar o final das suas vidas… Para aqui, para os Pirenéus. Incrível a quantidade de velhotes que se encontra por aqui, em caminhadas e a andar de bicicleta.



Os últimos 300m até ao Hotel (sim, existe um hotel à beira da cascata) são suados.

Sempre a galgar. Subimos bem, mas eu cheguei lá acima literalmente a pingar em bica.





Junto ao hotel foi puxar da máquina e aproveitar o cenário único que tínhamos à frente dos nossos olhos…




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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Sex Set 20 2013, 18:57

É difícil descrever por palavras, pelo que deixo as fotos, que mesmo assim não fazem total justiça à grandiosidade que o local tem.





Entretanto chega o nosso amigo francês do pequeno-almoço. Passou por nós dizendo que teve de abortar a sua caminhada e vir para aqui. Parece que um guarda lhe barrou o caminho por estar demasiada neblina lá em cima.


com os seus 423m de altura, é considerada a cascata mais alta da europa

Na verdade a caminhada não acaba aqui. Para quem queira, existe acesso até à base da grande cascata. São mais cerca de 1000m custosos (+150m de desnível) por trilho estreito.

Estávamos curtos de tempo, ir até ao pé da cascata representaria pelo menos mais 1h de caminhada. Pelo que nos demos por satisfeitos. Aproveitámos para nos sentar 5 minutos na esplanada do hotel. Bebi uma garrafa de água pequena (2€!) que estava bem a precisar.



Andava por ali um cachorro de raça pequena simpático. O bicho devia ser do pessoal do hotel e andava impaciente à espreita de quem chegasse.



Voltamos para trás. O caminho de regresso faz-se muito melhor, é essencialmente a descer ou plano.





O tempo continuava nublado e fechado. A chuva parecia estar a querer engrossar.







Chegámos à aldeia, e antes de regressar ao hotel ainda passámos por uma loja de souvenirs comprar umas coisitas pequenas (aqui tem de ser mesmo pequeno, os preços são abusivos).

Já no hotel, trocamos a roupa pelo equipamento de mota. Quando estávamos a despedir da Sylvie, esta lembrou-se que havia corte de via à saída da vila de Luz-Saint-Sauveur, precisamente na direcção para onde seguiríamos. Depois de consulta na web, ficamos a saber que a estrada estaria aberta das 12h às 13h e das 14h30 às 15h… Eram agora 12h15 e ainda estávamos no hotel, dificilmente conseguiríamos chegar a Luz antes das 13h (tínhamos uns 30kms para fazer em estrada de montanha)…

Tudo bem. Vamos embora, sem stress, e logo vemos. Se não der, almoçamos por ali perto e aguardamos pelas 14h30.

Quando chegámos a Luz, eram perto das 13h, nem sequer tentámos fazer a passagem.

Tínhamos de abastecer, pelo que fomos à procura de um posto. Nesse momento passou por nós uma caravana de BMs de uma excursão organizada espanhola… Pensámos para nós - estes vão dar com o nariz na porta… Assim foi, 5 minutos depois estavam a fazer o caminho inverso. Decidiram fazer o mesmo que nós, almoçar por aqui, aguardando que a estrada reabrisse.

Depois de abastecer, estacionámos logo as motas por ali e fomos a um restaurante que havia mesmo ao lado.

No interior, tinha uma pequena pista de bowling e estava decorado ao estilo americano.

Havia menu do dia e estava dentro nosso orçamento (<15€). Para começar: salada, presunto e pão. Entretanto ficámos a saber que o prato do dia (perna de cordeiro) tinha acabado, propunham-se substituir por bife do lombo. Certíssimo... Veio para a mesa um delicioso bife com batata frita. Delicioso é uma palavra fraca, magnífico adequa-se melhor. Bife alto, suculento, que se cortava como se fosse manteiga. Não estou a exagerar na comparação. Há muito tempo que não me passava pelos dentes uma carne desta qualidade.

Devo dizer que até aqui, a qualidade e apresentação do que comemos em França fica acima da média. Os tipos aqui gostam de comer bem (em qualidade) e de forma bem apresentada.
Estivemos ali a dar ao dente sem stresses, ainda estávamos a tempo de chegar às 14h30 à saída da cidade… Mas calma, ainda tínhamos a sobremesa para degustar… Um bolo de coco denso, banhado em creme inglês que estava simplesmente fantástico… Íamos sair daqui muito bem tratados.

Pouco mais de uma hora, foi o que demoramos a almoçar, pelo que pelas 14h30 já estávamos enfiados na fila de carros para sair da cidade.

Circulação alternada a andar muito devagarinho. Também não queríamos depachar, a estrada estava mesmo muito mal tratada, toda rebentada e coberta de gravilha.
O inicio do ano foi mau por aqui, subida dos rios como há muito não se via e consequentes inundações. Passar por troços em obras foi uma constante durante todo o percurso pela montanha.

O sacana do tempo é que não melhorava. Continuava aquele capacete nubloso por cima das nossas cabeças. Como o próximo ponto de passagem estava a 2115m (Col du Tourmalet) acabámos por entrar nele. Subimos até ao topo por uma estrada de cotovelos entrelaçados no meio de um nevoeiro cerrado. À nossa frente seguia uma caravana de holandeses, às tantas encostaram para nos deixar passar.

Não se via a ponta de um corno, e foi não vendo a ponta de um chavelho que chegámos ao cimo.

Parámos no Tourmalet, mas aquilo não estava para visitas. Chuva, vento e nevoeiro.

Foi mesmo só o tempo de sacar estas duas fotos, para dizer que lá estivemos.





Foi pena, este pico é um dos mais altos da volta à França na sua passagem pelos Pirenéus, a vista deve ser tremenda.

E siga para baixo, que a menos altitude se está melhor.

Entretanto a autocaravana dos holandeses tinha passado de novo à nossa frente.

Na descida ainda fomos uns quilómetros atrás, mas o cheiro a queimado rapidamente nos convenceu a passar à frente desta e ganhar distância.

Tínhamos mais uma cascata para ver de caminho, mas dado o estado do tempo resolvemos passar, não iríamos ver nada mesmo.

Felizmente, hoje eram poucos os quilómetros para fazer. O ritmo foi calmo, até pelo estado da estrada, fazer cotovelos a subir e descer nestas condições requer alguma cautela, e a Tiger do Barradas vinha com pneus em fim de vida a atirar para o liso.

E de seguida mais um Col antes de chegar ao destino.

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Sex Set 20 2013, 18:57

Quando chegámos ao Col d’Aspin (1489m) o tempo estava um pouco melhor (pelo menos não chovia), mas o "capacete" continuava aí, comprometendo qualquer foto de vistas.





Daí a pouco chegava a autocaravana dos holandeses…

Desta vez, encetámos conversa. Era um casal nos seus 50/60 que estava em viagem. Andavam ali um pouco à aventura. Vinham de Norte e tinham em mente descer para Sul em direcção à Catalunha e passar pela casa do Dali. Gente com boa pinta. Explicámos o que andávamos por ali a fazer, despedimo-nos e seguimos.



Estávamos a descer para o vale em direcção a Saint-Lary-Soulan, cidade onde iríamos pernoitar.

Aqui o tempo tinha melhorado um pouco. Já se notava o céu a querer desanuviar, aliás como previa a previsão meteorológica. Efectivamente este seria o nosso único dia de mau tempo.
Chegámos a Saint-Lary e tínhamos uma preocupação. Comprar vaselina para o Barradas… Perdão – comprar vaselina para os beiços do Barradas… Com o fresquinho da montanha, o homem estava a ficar com os lábios em frangalhos.

Ainda passamos pelo hotel para descarregar as coisas. O ponto do GPS estava correcto e demos com o hotel à primeira, não demos foi com a porta.
Andámos para a frente e para trás uns 10 minutos antes de dar com a entrada. Não é que fosse complicado, chegámos foi pelo lado menos evidente.

Arranjaram-nos uma garagem (que serve habitualmente para guardar as bicicletas) para meter as Tigers ao abrigo.



Não que fosse preciso, aqui não se passa nada, mas sempre ficam melhor.

Trocámos de roupa e seguimos em direcção a uma farmácia.

Lá chegados pedi vaselina para o Rui, tendo o cuidado de especificar que seria para os lábios dele… O tipo que estava a atender expressou um ar espantado, e perguntou-me se era mesmo vaselina que queria… Aparentemente aqui a vaselina mete-se noutros sítios…

Devo dizer que já testemunhei o efeito da dita na prevenção de lábios secos o ano passado em Marrocos, quando o Barradas e o Benedito já tinham chegado ao estado de ter os lábios rasgados com o calor. Em dois dias, resolveram o problema. Claro está, à custa de muita vaselina.

Saímos de lá com o produto, e o Rui tratou logo de besuntar os beiços. A coisa estava tratada, mas sem se livrar de ficar com um look de quem se mandou com a boca a um pote de mel, de tanto lambuzado que estava.

Fomos então dar uma voltinha ao burgo.



Que local tão jeitoso. Uma típica vila de montanha, mas toda ajeitadinha e organizada. Nota-se logo diferença para o outro lado espanhol.



Novamente, verificámos aqui a nossa teoria… Sabem para onde vão os reformados franceses nesta altura?... Para aqui, para os Pirenéus!… Talvez isto de Inverno anime com juventude, mas nestes meses está repleto de casais nos seus 60/70, todos com o mesmo aspecto. Arranjadinhos, lavadinhos, de óculos, elas cabelo curto grisalho, eles carecas ou de cabelo branco. É impressionante a quantidade de velhotes que se vê por aqui… Ficámos a imaginar que deverão passar as estações mais quentes do ano por aqui, em caminhadas e voltas de bicicletas, e o Inverno noutro sítio com clima menos rigoroso.

Dito isto, percebe-se que a cidade esteja a meio gás. Ainda assim demos um voltinha pelas ruas à espreita do comércio e de algum local para jantar.



Uma rotunda no centro impressiona, pela sua escultura central em forma de pinheiro, pela qual cai água abaixo.



Junto a uma igreja encontrámos um monumento de homenagem aos combatentes das grandes guerras.



O comércio aqui divide-se entre, cafés, restaurantes, mercearias com produtos regionais e lojas de roupa e equipamento desportivo.



Numa mercearia reparei que tinham deixado um pão a jeito no balcão para os pardais comerem… E lá se mandavam eles ao pãozito. Sempre é melhor do que se mandarem à mercadoria toda.





As casitas são espantosas, telhados negros inclinados, feitas em pedras e madeira. Um mimo.





Esta escultura pareceu-me curiosa… Fiquei sem perceber se o urso estaria a dançar com a criança, a abraçá-la, ou a comê-la…





Não nos afastamos muito do centro, e acabamos por identificar uma pizzaria próxima do hotel.

Parecia uma boa escolha. Tínhamos visto dois ou três restaurantes pelo caminho que anunciavam pratos regionais de Garbure e Cassoulet. A primeira já tínhamos provado, e a segunda é manifestamente um prato forte para jantar – é uma espécie de feijoada feita no Sul de França.

Ainda era cedo para jantar, de modo que voltámos ao hotel para meter a escrita em dia (entenda-se net).

Estava um calor do cacete no quarto. Nesta região não se usa o AC, só aquecimento, e parecia que estava qualquer coisa ligado. Abrimos um pouco a janela.
Copiar fotos, meter umas no facebook e seriam umas 19h30, hora de jantar por aqui.

Saímos para a pizzaria. De fora não se percebe o que é aquilo lá dentro.

Não muito grande, mas tudo muito arranjadinho (como é hábito por aqui). O tecto era rematado a gesso e palha, as paredes todas feitas de pedra. Perguntaram-nos se tínhamos reserva… Epá, olha, não... É preciso?... Arranjaram-nos uma mesita. Vieram as bebidas e um prato de amendoins… O Barradas escolheu a 4 queijos, e eu a de “chorizo”, queijo de cabra e mel.

A pizza estavam óptimas com massa "fraîche faites maison" (fresca caseira) como anunciava o cartaz na rua… Adorei o toque queijo de cabra com mel.



Emborcamos as pizzas com satisfação e ficamos por ali (a carta de gelados não nos convenceu). Estávamos bem.

Não percebi a pergunta da reserva quando chegámos. Está certo que o restaurante não estava às moscas, mas também não encheu… Deve ser protocolo.

Saímos e demos mais uma voltinha por ali para desmoer.





Estavámos praticamente sozinhos na rua, não se passa mesmo nada por aqui... Umas 22h e os velhotes já estão todos em casa.



Na verdade andava também um tipo estranho pela rua a falar alto e a tirar umas fotos. Mas este não conta, não devia ser daqui.



Ficámos sem perceber se era maluco, ou estava a falar para algum auricular...





Regressados ao hotel, ainda espreitamos as notícias e o tempo. Perfeito, confirmava-se a melhoria de tempo para amanhã.

Horas de dormir, amanhã temos uns quantos quilómetros para “calcorrear”.

continua...

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Simone em Sab Set 21 2013, 17:20

Boa crónica, com bonitas fotografias! Smile
Aguardo continuação!
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Já conduz... mal!
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http://martasimone.wordpress.com/

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Seg Set 30 2013, 22:18

Obrigado a todos pelo feedback e elogios, assim vale a pena...

Ora então, mais um dia, já de seguida.

Cumps!

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Seg Set 30 2013, 22:19

Dia 04

Acordei depois de uma noite não muito bem dormida. O quarto estava quente, o colchão era estreito e abaulado no centro... Grande nóia.

Em compensação lá fora o tempo parecia estar a virar para melhor, aliás como se previa de véspera.

Higiene matinal, arrumamos as malas, e lá descemos com elas até à garagem onde ficaram as Tigers a pernoitar.

Quando estávamos à volta delas aparece um francês, forte, nos seus 60 que começou a mirar as “meninas” com um sorriso.

Já não me recordo como fez a abordagem ou se fui eu que falei primeiro com ele, sei que ao fim de uns segundos estávamos a falar de motas.

Pelas nossas matrículas ele tinha percebido de onde éramos, fez-me umas perguntas sobre a nossa viagem, e depois contou-me que também ele rolava de mota.
Tinha vendido uma GS há pouco, essencialmente porque a esposa dele já não queria andar de mota. No entretanto comprou uma XTZ660 Ténéré, na esperança de troca pela nova MT-09 que acabou de chegar. Mas estava de olho nas tigresas, e fez-me umas perguntas sobre a máquina.

Dei-lhe o meu feedback sincero, quase 100cv, disponibilidade de motor em baixas como poucas, confortável, fácil de conduzir, 2 anos, mais de 20 mil kms, zero chatices. Percebi logo que o tipo era informado, e que seguia as revistas. Estava muito receptivo à Tiger, e acabou por me dizer que ia ver dela proximamente.

Um indivíduo de uma simpatia e educação primorosa, que devo dizer, foi o que presenciámos em todo o lado francês dos Pirenéus por onde circulámos.

Nisto eram quase horas de pagar, a recepção abria às 9h00. Aqui como da outra vez, decidimos que tomaríamos o pequeno-almoço no caminho… Ainda bem que o fizemos, mais adiante vão perceber porquê.

Hoje o dia seria ocupado na estrada, 180kms para fazer, mas com uns quantos locais para visitar.

Primeiro ponto, os lagos do Parque Natural de Néouvielle. Durante a elaboração do traçado, às tantas ponderámos excluir esta subida aos lagos... Felizmente não o fizemos.
Subir aos lagos representa despender umas duas horas no mínimo, não ficando estes a caminho de nada. É lá ir e voltar. Dado a distância que tínhamos de fazer até Vielha, esta ida ficou dependente do estado do tempo… Quando finalmente deixámos Saint-Lary-Soulan, a perspectiva era boa. Já se via nalgumas partes o céu azul.
À saída da vila a estrada estava um pouco mal tratada, com muita gravilha, fruto provavelmente de umas recentes obras. O Barradas seguiu à frente com cuidado com os seus pneus em estado slick. Ao cabo de pouco kms tínhamos chegado ao cruzamento da estrada dos lagos. Daí, começámos a subir em direcção aos lagos.

A estrada começa estreita e enfiada na sombra do vale. Vegetação densa em redor e um piso ainda húmido que implica cautela.
Passamos por uma ponte, e logo percebemos que havia um curso de água por ali. Depois, o arvoredo espalha-se e começa-se a ver o Sol.
A estrada estava a ficar bem torcida e as vistas deslumbrantes. Estávamos a subir por uma paisagem rochosa coberta pelo habitual manto verde viçoso, tão característico daqui.
Espreitando para cima conseguíamos ver os topos escondidos por algumas nuvens baixas, dando um efeito de mistério ao cenário.
Uns quantos cotovelos pela frente, bem fechados, que dificilmente conseguimos fazer sem sair fora-de-mão. A Tiger está como um peixe na água neste tipo de traçado.
A boa disponibilidade de motor em baixa, faz com que se possa fazer cada um destes laços com segurança sem recorrer a embraiagem e raramente à caixa.
Depois de uma boa meia-hora desta estrada, a primeira paragem no lago d’Aubert.



Bem fresquinho o tempo por aqui. O sítio é magnífico, em especial a esta hora da manhã.



Uma tranquilidade profunda, com aquela extensão de água ainda a fumegar com o diferencial de temperatura.



Puxámos das máquinas para tirar umas fotos, e estivemos por ali um bom quarto-de-hora.



Lá no cimo, entre as paredes rochosas conseguia-se ver claramente a parede da barragem a montante. Já lá vamos de seguida.



Esta zona do parque encerra uma série de lagos de boas dimensões. O próximo estava na continuidade deste onde nos encontrávamos.

Tínhamos o ponto no GPS, pelo que seguimos pela estrada. Mas não por muito tempo. Logo adiante a estrada estava barrada com cancela.

Parámos, fomos espreitar e percebemos. Logo depois da cancela está um parque de estacionamento, pago e obrigatório. O acesso ao lago seguinte faz-se a pé a partir do parque. Não seria questão de não valer a pena, mas tínhamos o tempo contado e uns quantos quilómetros para fazer no dia de hoje. Fica para uma próxima, com mais tempo.

Retrocedemos caminho e subimos em direcção à barragem. À medida que se sobe a vegetação fica menos proeminente, sem que por isso as vistas fiquem mais interessantes.



A estrada continuava desafiadora quanto baste, com as suas curvas entrelaçadas e apertadas.



Quando chegámos ao cimo dos dois mil cento e tal metros, novo espectáculo magnifico.







Aqui a água está presa numa albufeira que se perde montanha adentro.



O vento frio não era forte, o que permitia vislumbrar o bonito reflexo das encostas na água quase imperturbada.



Havia por ali uns casarucos fechados que em época alta deveriam assegurar serviço de bar e restaurante.



Escusado será dizer que a vista ali de cima era fantástica, conseguindo-se contemplar o lago d’Aubert e grande parte do vale. Creio que as fotos falam por si.





Capturadas todas as imagens, foi com satisfação que regressámos às Tigers para fazer o percurso sem sentido oposto. Maravilha de estrada.



Na subida tínhamos ficado de olho num troço de vista ampla com um rio à beira da estrada a fazer uns jeitos de cascata.

Fomos descendo atentos a esta imagem para uma curta paragem para fotos. Mas quem anda na estrada sabe que o sentido em que se vai dá-nos uma perspectiva diferente do mesmo sítio, por vezes nem parece que já passámos por ali no outro sentido. Pois bem, foi mesmo assim, não conseguimos dar com o sítio... Tudo bem, já levamos aqui uma boa quantidade de postais.

Ao chegar ao cruzamento parámos junto a uma moradia grande que fazia de café no piso térreo. Já seriam perto das 11h00 e nós ainda sem pequeno-almoço… Vamos mas é tratar disso.

Estacionamos as motas junto à esplanada e entrámos. Lá dentro, os proprietários, um casal nos seus cinquenta e muitos, imediatamente nos cumprimentaram.



Espreitámos o placard que descriminava o que havia para consumo… Crepes com chocolate da casa…

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Seg Set 30 2013, 22:20

Ui, é mesmo isso, mais um café com leite a acompanhar e tudo servido ao Sol na esplanada, se favor.

Sentamo-nos numa das mesas no exterior, e não demorou muito para que nos fossem servidos os crepes e uma enorme chávena de café.



Estava um pouco fresco lá fora, mas o Sol já batia forte, pelo que ficámos ali muito confortáveis a dar cabo daqueles fantásticos crepes.



E foram mesmo deliciosos, seguramente os melhores que comemos por estas terras.

Ainda antes de seguir viagem, cruzámos com um casal de alemães numa CBR XX que também ali pararam no café.

O tipo arranhava mal o inglês, mas conseguimos dar-lhe a dica dos lagos, recomendando a subida até lá acima.

Uma nota curiosa, o facto da senhora francesa ter vindo ao exterior se despedir de nós quando se apercebeu que estávamos de partida.

Voltámos a Saint-Lary-Soulan refazendo aquela estrada suja de gravilha, lá chegados mudámos o rumo para Sudeste em direcção a Espanha.



Começámos a subir de novo, no sentido do Col de Val Louron-Azet (1580m). A meio caminho, parámos para tirar umas fotos à paisagem no fundo do vale.







Depois no Col, outra paragem. A paisagem aqui é muito interessante. Vêem-se claramente daqui as duas encostas, de um lado Saint-Lary e do outro Génos e o seu lago, por onde iríamos passar.









No topo, como habitualmente, muito ciclista. Foram uma constante em todo o percurso do lado francês. Andámos verdadeiramente pela terra do pedal. Mas o que mais me espantou, foram as idades dos praticantes. É ver homens de barba branca e senhoras de cabelo grisalho, bem acima dos 50 a lançarem-se sem medos em subidas de 6 a 8% de inclinação. E nós a andar por ali de cu tremido, é de ficar com vergonha.





Do lado de Génos, andavam por ali um pessoal nos ares em parapente. Descemos a encosta, sempre com os fulanos por cima das nossas cabeças… A ver se não levamos com nenhum.



Lá em baixo ladeamos o lago que precede a vila. Coisa fantástica, tudo arranjadinho ao milímetro. As margens do lago estão revestidas de um relvado magnífico certo e aparado sem qualquer falha. São a essas margens que pessoal recorre para descanso e recreio.

Chegados à vila, pensámos que seria boa ideia almoçar por aqui. Os tipos almoçam cedo, e encontrámos um restaurante à entrada de Génos. Ficámos logo ali.



Casita castiça com esplanada exterior, perfeito. Fomos às hamburguesas da região. Pedi um com queijo de cabra e mel (fiquei fã desta mistura) e o Rui mandou vir um estilo montanhês.

Já referi anteriormente que a concentração de reformados por estas bandas é anormalmente grande. Tenho a minha própria teoria que a vida por aqui é sazonal. Em suma, durante as estações do ano mais propícias, os velhotes franceses deslocam-se para estas bonitas terras, para aproveitar o bom ar, fazer caminhadas e dar ao pedal. No Inverno, que por aqui são rigorosos, deve passar-se precisamente o contrário, dando lugar à “juventude” e desportos radicais.

Aí estava a excepção do dia… Uma jovem francesa a atender-nos. Vinte e muitos, cabelo curto, estilo meio-gótico, toda vestida de preto, com um piercing num local curioso. No decote, logo por baixo do pescoço tinha uma espécie de brinco cravado no peito… Pela pronúncia via-se que não seria de cá. Não tinha o sotaque característico da zona, que é semelhante ao que o pessoal tem no Sul de França, um falar cantarolado.

Vieram os hambúrgueres. Estavam assim, assim. A carne era boa, mas no conjunto, nada de espectacular. Pelo que achámos que uns crepes no final ficariam a matar.

Chegámos com Sol e saímos com ele coberto. Seguimos pelo lado contrário ao que tínhamos chegado, parando mais adiante para mais umas “chapas”.







Continuando para Sudeste, atravessámos a vila de Luchon. Bem engraçada.

Um quanto movimento por aqui, com algumas avenidas longas, a vila tem uma dimensão considerável. O próximo destino seria uma aproximação ao pico d’Aspe, alcançando a estância de Inverno de Superbagnères, a cerca de 1800m. De novo a subir.

Também aqui as chuvas fizeram estragos e novamente um troço de estrada em obras cortado.

Felizmente estavam a deixar fluir o trânsito, de modo que conseguimos passar assim mesmo. Alguma cautela na passagem da obra, com um pedaço de estrada totalmente enlameado.

Com o céu nublado, à medida que ganhávamos altitude, o tempo encobria. Felizmente nada de chuva, apenas alguma água na estrada.

Subimos aquela estrada aos esses até ao cimo da estância.



Como é normal, nesta altura estes equipamentos estão todos encerrados.



Mesmo assim é fácil imaginar esta vista toda carregada de branco.



Quase nos 2000m estava fresquinho… Demos por ali uma volta, e de tantas voltas estávamos os dois a precisar urgentemente de um urinol.



Fomos espreitar ao edifício que suporta a instância se poderíamos tratar ali da nossa necessidade, mas aparentemente estava mesmo tudo fechado, incluindo WCs.



Nisto, diz o Barradas, “Ali atrás daquela casa há ali uma casa de banho…” Estava uma casita encerrada as uns 100m complexo. Fomos lá espreitar.

E não é que havia mesmo um WC ao ar livre com vista para a montanha… Foi ali mesmo, fora de olhares indiscretos… Muito melhor… E assim se confirmou a máxima de que, quando mija um português, mijam dois ou três…



Com tudo despachado, viemos para baixo de novo por aquela estrada louca.












tudo bem aí?



Regressámos a Luchon, e saímos em direcção a Espanha.



De manhã à saída do hotel, em conversa com a recepcionista, esta tinha-nos avisado que do lado espanhol tudo mudava. Gentes, vegetação, paisagem e até a temperatura com diferença de mais 10ºC.

Estávamos a confirmar isso. O arvoredo estava a mudar de um estilo “alpino” para um estilo “ibérico”. E o tempo parecia também mais quente.

E continuávamos a subir. Sabíamos que a fronteira se situava no cimo de um Col, a 1291m.

O tempo esse continuava meio encoberto.

Chegámos então ao Col do Portillon por volta das 16h30. Aqui deixaríamos França para trás, para entrar nos Pirenéus espanhóis, mais especificamente no vale de Aran (Val d’Aran).



Estácionamos as Tiger, só para registar o momento. Por ali andavam uns quantos espanhóis a fazer o mesmo que nós, passear.



Uns velhotes que seriam daqui perto ficaram curiosos connosco, e a espanhola mais atrevida ariscou conversa. Perguntou-nos de onde vínhamos. Estivemos ali uns breves minutos à conversa. Gosto deste tipo de contacto com as pessoas por onde passo nas viagens. Para além de nos ajudar a integrar nos sítios, gosto de pensar que é também uma maneira simpática de reconhecimento. As pessoas gostam da sua terra, e acho que gostam ainda mais que os outros também a apreciem.

Despedimo-nos dos velhotes, e descemos pelo lado espanhol. Tínhamos mais 15kms pela frente até Vielha, onde iriamos pernoitar.




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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Cobra em Seg Set 30 2013, 22:21

O caminho até lá foi repartido em 9 kms de curvas enroladas seguidas de uma valente recta sempre junto ao rio Garona que nasce a Este de Vielha.

Vielha é uma cidade de montanha de tamanho moderado. Assim que se chega percebe-se que é espanhola. As casitas seguem o perfil das que vimos do lado francês, em pedra com telhados pretos empinados, mas o povo que circula na rua nada tem a ver com o outro lado.



Encontrámos o hotel com facilidade. Localização perfeita, nem muito afastado, nem muito próximo do centro. O Barradas foi à recepção fazer o check-in. Eu domino o francês, ele o espanhol, o que permite uma divisão perfeita de tarefas.

O estacionamento fazia-se no exterior em parque descoberto, pelo que em alternativa nos autorizaram a parquear as Tigras à porta do hotel. Descarregamos as malas e metemos os cadeados.



Foi assim que prendemos as Tigras, aos quadros.



Esta aprendi de um profissional do furto. As rodas, parece que se tiram com facilidade. Preso ao quadro, só rebentando com a corrente ou cadeado.

Já agora fica outra, cadeados de disco, nas duas rodas, ou preferencialmente metidos na roda de trás com direcção trancada. Parece que existe uma técnica que é meter um patim na roda da frente e carrega-las.

O hotel era espaçoso, mas o elevador nem por isso. Não foi fácil entrarmos os dois cada um com duas malas. O quarto era agradável e espaçoso quanto baste. Desempacotamos a tralha e tratamos de trocar o equipamento de mota por roupa à civil… Ah, e também de ligar a tralha dos carregadores à tomada. O Barradas teve de fazer de electricista para fazer uma puxada à tomada da televisão.





Finalmente fomos à rua, dar um giro ao local.




este deve ser primo

O tempo continuava nublado com temperatura agradável.

Descemos até ao centro, onde numa das ruas estava uma grande algazarra.



Claramente aqui o espírito é outro. Nada de reformados certinhos, bem comportados e discretos. Aqui é… Fiesta!... Juventude por todo o lado e as velhotas como as novas, arreadas de cima a baixo.

Imaginem só o que o pessoal estava a fazer para passar o tempo?

Deixo aqui uma fotografia…



Pelo que percebemos seria um "campeonato" de empilhanço de grades de coca-cola… São doidos estes espanhóis.



Um empilhador ia fazendo chegar as grades ao artista.



O camarada da foto devia ser o detentor do título… Estivemos ali um bom bocado à espera que o homem virasse as palhetas… Eu queria apanhar a queda em vídeo, mas o tipo demorou tanto que fiquei sem bateria para registar o momento.

Caminhámos um pouco pelas ruas de Vielha, que estava muito animada.





Havia ali uns carroceis e outras coisas do de feira. Deveria ser dia de festa aqui no sítio.

Passámos por uma igreja que pelo aspecto seria mesmo muito antiga.



Infelizmente estava fechada para obras de restauro.

No percurso que fizemos a pé, às tantas tínhamos um espanhol aos berros connosco.

Não nos queria por ali, estava a armar fogo-de-artifício… Bonito, esta noite vamos ter morteiros.



Depois da voltinha pela cidade regressámos ao hotel. Ainda tínhamos tempo para dar umas tecladas na net. Infelizmente o Wifi (ou Ouifi, como se diz em Espanha) tinha tido um fanico.

Bem, fomos fazer tempo para o quarto. Aproveitámos para arrumar umas coisas e ver a previsão do tempo. Tudo de bom para amanhã. Excelente!

Nisto seriam horas de jantar. Descemos ao restaurante do hotel, a sala estava meio-cheia. Algum barulho claro, não estivessem aqui espanhóis.

Sentámo-nos e fizemos a nossa selecção no menu. Dois pratos, como é costume. Para mim huevos revueltos (ovos mexidos), seguido de um lomo de cerdo (lombo de porco).

Não estando nada de espectacular, não estava mau de todo. Típica comida espanhola.

No fundo da sala estava um grupo de velhotes espanhóis a dar-lhe bem.

Alguma excursão ou viagem organizada. Eram tabuleiros e tabuleiros de comida, despejados para aquelas mesas.

Ao nosso lado estava uma mesa com três casais, que julgo serem catalães, pois falavam um raio de um dialecto que pouco se percebia. Uma mistura de francês e espanhol, mas eu só conseguia apanhar umas palavras de vez em quando, tal qual o crioulo.

Satisfeitos, regressámos ao quarto para meter o sono em dia.

Já deitados ouvimos os morteiros. Toca a dormir, que amanhã teríamos Andorra pela frente com umas 5h de condução e umas quantas e boas paragens.

continua...

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por carlosferreira em Ter Out 01 2013, 09:59

Magnífico continuem cheers Mérito 
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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por mistralV104 em Ter Out 01 2013, 10:33

Que Passeio...que paisagens...que fotos...que relato!! Parabéns e obrigado pela excelente partilha! cheers cheers Mérito 

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Re: Rota TransPirenaica #2013

Mensagem por Elisio FJR em Ter Out 01 2013, 12:05

Cobra hi,

Absolutamente Fantástico!!!

Mais 1 M

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Re: Rota TransPirenaica #2013

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