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[Ases do Asfalto] Três mulheres, o mesmo sonho

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[Ases do Asfalto] Três mulheres, o mesmo sonho

Mensagem por Serzedo em Sab Mar 14 2009, 21:50

Fique a conhecer melhor estas 3 lutadoras, numa entrevista muito especial dada ao Tudo Sobre Rodas.

Foi no circuito do Estoril, no passado dia 25 de Abril, que as pilotos do Moto Clube Feminino fizeram história na história do motociclismo português, ao conquistar o 2º lugar do pódio, cumprindo, assim, o sonho comum de correr na pista do Autódromo.



Tudo Sobre Rodas: Quando é que começaram a conduzir moto?

Andreia: Foi desde muito cedo. Comecei a conduzir moto aos 12 anos. Desde muito cedo, ganhei o gosto pelas motos e sempre quis ter uma. Comecei por conduzir a moto da minha tia. Só aos 15 anos tive moto própria e, desde essa altura, tenho tido sempre. Da parte da família, sempre houve muito apoio, mas sou a única na família que conduz.

Ana Paula: Eu comecei aos 7 anos e foi o meu pai que me pegou o vício das motos. Com 7 anos, pôs-me uma moto nas mãos e disse-me: “isto agora, não é preciso dar aos pedais, é só acelerar!” Caí 3 vezes no primeiro dia em que comecei a aprender e, depois, fui gradualmente tendo motos, até chegar às de alta cilindrada.

Adriana: Eu comecei aos 9 anos. Igualmente por influência familiar. As minhas primas tinham moto e o meu pai também. Embora a minha mãe nunca tivesse gostado que eu andasse de moto, acabou por adaptar-se à ideia, já que teve de pagar algumas das prestações da minha primeira moto de alta cilindrada.



TSR: E quando é que começaram a ver as motos como veículos de competição?


Adriana: Não é de agora. Aliás, eu e a Paula, já tínhamos esse sonho desde há 4 anos, sensivelmente. Mas já começávamos a achar que era um sonho impossível de realizar, porque é muito complicado arranjar patrocínios. Entretanto, quando se formou o Moto Clube Feminino, conhecemos a Andreia. Surgiu uma oportunidade, no ano de 2003, de começarmos a treinar, deram-nos a moto e os equipamentos.
Há 4 anos, ficámos muito felizes, já que eu tinha um amigo que nos podia emprestar uma CBR para correr. Mas ao chegar a altura, ele foi correr e nós ficámos para trás.

TSR: Ainda é um mundo dominado pelos homens...
Adriana:
Sim, é. Quando dizemos que ficámos em 2º lugar no Nacional de Resistência, as pessoas ainda perguntam: “ficaram em 2º na classe das senhoras?”. E nós respondemos que não, pois infelizmente não existe classe de senhoras.
Além de realizarmos o sonho de correr a título pessoal, o que nós realmente gostávamos era que as portas se abrissem às mulheres, no mundo da competição. Talvez o facto de termos conquistado este lugar no Estoril, desperte a curiosidade de outras mulheres e as leve a pensar que, se nós lá andámos, porque razão não poderiam outras mulheres correr, também? Acho que pretendemos, igualmente, demonstrar, que o mundo da competição não é um mundo só de homens. Não quero que penses que é uma questão de femininismo, porque não é. Se calhar, tal como nós, centenas de mulheres queriam correr. E acho que essencialmente, fomos provar que podemos fazê-lo. Temos é de batalhar e fazer com que se abram portas para lá chegarmos.


TSR: E acham que o facto de existir um Moto Clube Feminino acaba por puxar as mulheres para as motos?
Andreia:
Esse é um dos nossos grandes objectivos. Não é apenas competir. É passear. No fundo, é puxar as mulheres para andar de moto. A nossa entrada na competição do Estoril teve o grande alvo de puxar as mulheres para andar de moto, para verem a moto como veículo utilitário, um veículo que qualquer ser humano pode conduzir, independentemente de ser homem ou mulher.


TSR: E acham que o facto de existir um Moto Clube Feminino acaba por puxar as mulheres para as motos?
Andreia:
Esse é um dos nossos grandes objectivos. Não é apenas competir. É passear. No fundo, é puxar as mulheres para andar de moto. A nossa entrada na competição do Estoril teve o grande alvo de puxar as mulheres para andar de moto, para verem a moto como veículo utilitário, um veículo que qualquer ser humano pode conduzir, independentemente de ser homem ou mulher.

TSR: Alguma de vocês gostava de fazer disto profissão? Deixarem os vossos actuais trabalhos e dedicarem-se, apenas, à competição de motos?
Todas:
Já é muito tarde...

TSR: Há uma idade para começar a correr?
Ana:
Já é muito tarde para nós para engrenarmos, nesta vida profissionalmente. Já é muito tarde...
Adriana: Os miúdos das 125, começam a correr aos 16, 17 anos, para serem uns Rossi aos 20. Portanto, nós não queremos fazer carreira disto, mas se pudéssemos ter feito essa escolha, provavelmente tê-la-iamos feito. Quando tínhamos 15 anos, existia muito preconceito relativamente às mulheres a andarem de moto.

Ana: Quando eu parava nas bombas de gasolina, havia miúdos que vinham beliscar-me para verem se era verdade que era mesmo uma mulher a conduzir.

Adriana: Ainda há muito preconceito.

Continua em: TSR

"V"

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Andar de mota é uma arte e cair... faz parte!! Fábio Pereira é o meu nome, Serzedo a minha terra.
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